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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Inovação assegura competitividade

REPORTAGEM LOCAL - 07/09/2010
Diário do Comércio

O Brasil caiu da 50ª para a 68ª posição no Global Innovation Index 2010, ranking mundial de inovação. O país é o 4º maior mercado mundial e, de acordo com Stephan Keese, diretor da Roland Berger no Brasil, pode chegar a 2013 com a capacidade instalada de 4,8 milhões de veículos/ano e atender a demanda, mas terá problemas em 2020, quando o mercado interno será de 5,6 milhões de automóveis vendidos.

"Sem competitividade, a importação pode superar 20% desse volume", previu. Ele apontou ainda que o nível de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, de 2,2% nas montadoras brasileiras de veículos leves, está aquém do global (5%) e que é ainda menor nos fornecedores - 0,5% contra 3,1% globais, o que resulta em indisponibilidade de engenheiros, falta de tecnologia e poucas patentes.

Já para a sócia-diretora da Prada Assessoria, Letícia Costa, a dificuldade começa no preço elevado das matérias-primas e também de produtos petroquímicos, como plástico. Letícia Costa destacou ainda que o custo do capital de giro para pequenas empresas é um entrave à competitividade e que o custo da mão-de-obra e os gargalos logísticos também afetam negativamente o mercado, além da elevada carga tributária.

O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, disse que o cenário mundial é de retomada muito lenta do crescimento acompanhada de deflação, porém, sem incertezas que possam levar a uma nova recessão. "O grande beneficiário é o Brasil, cuja economia caminha bem, com aumento do poder aquisitivo, inserção no mercado de consumo e estabilidade política, o que dá confiança para quem deseja investir", comentou.

Montadoras - O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, destacou que além do preço do aço, a logística é um grande desafio, assim como a infraestrutura de portos e aeroportos no Brasil, que podem provocar sérios gargalos. A meta da empresa é a redução do tempo de entrega dos veículos aos clientes, que será obtida com melhorias operacionais e investimentos em tecnologia. Até março de 2011, a Volkswagen pretende ampliar a capacidade atual da fábrica de São Bernardo do Campo de 1,3 mil para 1,6 mil veículos/dia. Schmall espera um mercado para mais de 4 milhões de veículos em 2014, dos quais a Volkswagen do Brasil responderia por 1 milhão.

Já para a presidente da GM Brasil, Denise Johnson, avançar em pesquisa e desenvolvimento é uma das prioridades. A executiva prevê que o mercado interno absorva mais de 4 milhões de veículos em 2015 e que a participação local pode diminuir, diante do crescimento das importações. "A evolução da tecnologia nacional no mesmo ritmo do mercado é a saída para conter esse movimento", apontou. Com investimentos de R$ 5,42 bilhões para ampliação e melhoria da infraestrutura da engenharia local e renovação do portfólio, as prioridades da montadora são desenvolver tecnologias de conectividade, segurança, materiais alternativos, reciclabilidade e propulsão.

Marcos de Oliveira, presidente da Ford Mercosul, disse que uma das premissas da marca é manter o crescimento pautado na formação de engenheiros. Para o executivo, o mercado brasileiro vive um momento de deflação no preço dos automóveis, mas o custo da mão-de-obra ainda é elevado. "Esse é o grande desafio da indústria e o déficit de engenheiros é uma preocupação", disse.

Já o diretor da Sae Brasil, Renato Mastrobuono, questionou se o crescimento de volume do mercado nos próximos anos terá correspondência na área de desenvolvimento de produto. Para o diretor de Planejamento e Estratégia de Produtos da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, a engenharia tem acompanhado a dinâmica do mercado. Pedro Manuchakian, vice-presidente de Engenharia da General Motors, destacou que é a concorrência que estimula a demanda de projetos de produtos, e Ronald Linsmayer, vice-presidente de Operações e COO da Mercedes-Benz do Brasil, disse que o quadro é o mesmo no segmento de veículos pesados, no qual a exigência dos clientes é cada vez maior.

Compras - Osias Galantine, diretor de Compras do grupo Fiat, com planta em Betim, na Região Metrolitana de Belo Horizonte (RMBH), confirmou o investimento R$ 14 bilhões na aquisição de insumos este ano e disse que a qualificação de mão-de-obra é questão preocupante face à demanda do país. Edgard Pezzo, vice-presidente de Suprimentos da GM para a América do Sul, afirmou que as compras da companhia na região somarão R$ 9 bilhões, a maior parte no mercado brasileiro, e que há preocupações com a qualidade dos fornecedores e a logística.

Autopeças - Paulo Bedran, diretor de Indústria de Equipamento de Transporte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), afirmou que o governo trabalha para incluir a indústria de autopeças na segunda etapa da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) que está em curso no Mdic para o período de 2011 a 2014. " necessário incentivar a engenharia e a inovação, com melhores processos produtivos e interação com universidades", disse.

O secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, disse que o setor automotivo pode ter uma política tarifária única para todo o bloco em 2014, quando termina um acordo bilateral entre Brasil e Argentina.

Na avaliação de Paulo Butori, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o setor de autopeças precisará encontrar saídas para se destacar, já que o custo Brasil continuará alto. "Não acredito em indústria brasileira com baixo custo. Para agregar valor, é necessário apostar em tecnologia e em produtos inovadores", destacou.

Para Besaliel Botelho, presidente da Sae Brasil, a indústria precisa estar preparada para o aumento da concorrência no mercado interno, com a chegada de novos players. "Precisamos nos fortalecer, investir em inovação para darmos um salto de competitividade", disse o executivo.
 

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