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Gestão e Tecnologia da Informação

Aplicação do ROI na área de TI

Washington Luiz Linces Alves

Analista de Sistemas da V&M Florestal
Ex-aluno da pós-graduação em Gestão e Tecnologia da Informação do Ietec

Aplicação do ROI na área de TI

Criado em 1977 pelo Gartner, o conceito de ROI (return on investment ou retorno do investimento) se disseminou no mercado de TI na década de 90, quando os projetos de implementação de ERP pacotes integrados de gestão, entraram na moda. No Brasil mais de 25% das corporações já fizeram uso das métricas do ROI. Um preceito básico, no entanto, é que ele deve ser medido sempre em conjunto com o conceito de TCO (total cost of ownership ou custo total de propriedade).

A Nucleus Research (especializada na adoção do ROI) recomenda aos seus clientes que não busquem números mirabolantes, baseados em outras experiências de mercado. Afinal, o ROI de uma empresa nunca é igual a outro. Daí a necessidade de não confiar totalmente no benchmark promovido pelos fornecedores, que promovem um “ROI de prateleira” que não traz benefícios para o mercado e deve ser encarado apenas como uma informação.

Existem fatores, não tão concretos, que podem fazer a diferença na adoção de um projeto como a melhoria da qualidade, a maior velocidade e a confiabilidade dos serviços obtidos com um investimento em TI. Porém como são de difíceis mensurações eles quase nunca entram na formulação do ROI.

Isto explica como o BSC (Balanced Scorecard) ganha espaço nas métricas de avaliação de projetos de TI, pois a ferramenta analisa com mais abrangência os ganhos não mensuráveis. O BSC não é um substituto ao ROI e sim algo complementar. Um exemplo é o caso do bug do milênio, quando muitos investimentos foram preventivos (para que as máquinas e sistemas não parassem), resultando na economia de bilhões. Algo que não aparece na coluna dos lucros auferidos.

Um componente importante na equação é a relação do tempo despendido no projeto, com a idéia do cumprimento de prazos e do número de meses que justificam o investimento. Em TI o ROI é sempre medido em meses e deve ser cada vez mais rápido, recomenda-se que se chegue aos seis meses de implementação do projeto.

E não pense que é barato montar um estudo de ROI. De acordo com a PricewaterhouseCoopers, algo entre 1% e 3% de um projeto de TI, que demora em média três meses, é consumido por ele. Outros institutos de pesquisa, como a IDC, questionam a aplicação do ROI, classificada em si como um desperdício de esforço e verbas. Independente de quem crítica o quê, até mesmo os especialistas no tema apontam que mapear o ROI é uma tarefa complexa.

ROI na consolidação de servidores

O processo de consolidação dos servidores avança, atualmente, por uma terceira fase: a da simplificação. A primeira fase foi caracterizada pela consolidação das máquinas que estavam espalhadas em vários locais em uma única área. Na segunda fase as corporações começaram a investir na redução do número de máquinas. O que era feito por quatro servidores passou a ser realizado por dois ou um servidor com maior capacidade. E hoje está em curso a terceira fase. A diferença desta em relação às outras é que além de buscar otimizar recursos, o foco agora está centrado na segurança da plataforma e do software.

A análise do ROI, independentemente da fase em que se esteja ou em projetos de servidores de missão crítica, é a mesma realizada por uma companhia na aquisição de qualquer bem ou serviço. As variáveis que formam os cálculos de TCO ou ROI são diversas e dependem das características intrínsecas de cada projeto. Mas, em síntese, as principais questões que devem ser respondidas são: qual o custo total de implementação, quais são as fases de implementação e em quanto tempo o projeto se pagará?

ROI no armazenamento de dados

Há alguns anos iniciou-se um processo de consolidação física dos equipamentos de storage nas grandes corporações. Reflexo da crise econômica mundial e, em particular, da derrocada dos projetos mirabolantes da então chamada Nova Economia, os CIOs tiveram suas verbas reduzidas e tiveram que manter em funcionamento uma estrutura gigantesca de tecnologia nos diversos departamentos. E a área de armazenamento de dados foi um dos setores afetados pelo corte de custos. Responsáveis por armazenar as informações geradas, estes arquivos digitais, que substituíram as montanhas de papéis, estavam criando custos de mais para as companhias.

Institutos de pesquisas e fabricantes de tecnologias de storage dizem que a cada ano, são geradas entre 34% a 60% de informações novas a serem arquivadas. São e-mails, registros fiscais, documentos das diversas áreas da companhia, etc. Com esta demanda e com recursos escassos a área de TI se viu obrigado a usar o ROI para justificar novos investimentos. Neste processo de consolidação, uma importante ferramenta foi incorporada na criação do ROI em projetos do gênero: a administração do tempo de vida da informação. Justamente porque é a principal bandeira dos fabricantes para incentivar os clientes a consumir seus produtos, que deixam de estar ligados diretamente ao hardware e passam para as áreas de software e consultoria.

A utilização das métricas de ROI pelos fabricantes do setor se tornou uma peça importante no discurso de vendas, no entanto, não existe uma fórmula pronta para calcular o retorno do investimento no mundo do armazenamento e sim meios para entender o que o cliente necessita e como desenhar uma solução que seja personalizada e traga o retorno mais rápido possível.

ROI em segurança

Os gastos na construção de uma política de segurança de TI ou de sistemas aplicativos devem ser avaliados como investimentos e, conseqüentemente postos às métricas do ROI, ou como uma mera despesa? Um enigma complexo, afinal as companhias se deparam cada vez mais com tentativas externas de violação de suas redes e, até mesmo, correm o risco de sabotagem por parte de seus funcionários.

O que diferencia os gastos em segurança de TI de outros é a falta de previsibilidade dos potenciais riscos e danos que um ataque a uma rede corporativa pode provocar, por isso, o cálculo do ROI em projetos de segurança é mais complexo que em outros investimentos. As barreiras para se calcular o ROI nas corporações se dão pelo fato que as mesmas não conhecem o valor de seus ativos digitais e a abrangência das invasões. Portanto o investimento em tecnologia de segurança deve ser acompanhado de um treinamento sobre a cultura de segurança, tendo em vista que, da mesma forma que o homem utiliza à tecnologia para barrar fraudes, o mesmo pode utilizar desta tecnologia para ajudar a enganar o sistema.

ROI no ERP

Nos anos 90 os investimentos em sistemas de gestão integrada empresarial, os ERPs, foram feitos sem muitos critérios. Dispondo de um volume de recursos, as empresas procuraram o melhor e mais caro, porque o mercado evoluía neste sentido. Como justificativa falava-se que o pacote de sistemas traria uma gestão totalmente moderna e integrada.

O conceito do ROI era utilizado, mas suas métricas eram confusas ou mesmo supervalorizadas. Se aplicado corretamente, o ROI objetivava, como em outros segmentos de TI, facilitar a aprovação de novos projetos, o acompanhamento da sua implementação e a medição dos resultados. Recursos que permitem identificar, por exemplo, em quanto tempo um novo sistema devolve o seu custo aos cofres da corporação, na forma de aumento de produtividade e melhoria de desempenho frente à concorrência.

Atualmente, os tomadores de decisão fazem a seleção de projetos se baseando na relação entre quanto a organização irá pagar e quais os benefícios serão extraídos deste aporte. Se o cálculo mostra bons números, o valor que pode ser extraído da nova solução acompanha essa evolução. A maioria das corporações utiliza uma ou mais métricas financeiras que podem ser chamadas de ROI. Esses estudos incluem o tempo em que o projeto se pagará; o custo de aquisição; e a taxa interna de retorno.

No entanto, existe ainda o ROI intangível, que não possui métricas pré-estabelecidas. Aqui, a dificuldade encontrada pela maioria das empresas é: as pessoas não sabem o que medir e não sabem como fazê-lo. Além disso, ainda há controvérsias quanto à necessidade de medir o retorno de projetos de tecnologia, apesar de os defensores da metodologia serem maioria.

Conclusão

O uso desta métrica é de suma importância para explicar o investimento nas diversas áreas de TI, e temos que ter em mente que, para uma análise de ROI, temos que entender claramente o foco e o valor da solução proposta; verificar os benefícios com outras fontes e casos de sucesso; fazer uma análise por partes, não tentando incluir tudo de uma vez; utilizar um modelo financeiro focado nos custos/benefícios; e, por fim, coloquem vários “E Se” cenários para determinar potenciais falhas.

Bibliografia

ROI EM TI – www.nextg.com.br

PILÓ, Virgilio – Planejamento Empresarial Benchmarking de TI e ROI;

Retorno de Investimento (ROI) em TI - http://www.multipla-ti.com.br/artigos.jsp;

ROI ainda é o desafio da gestão em TI – ComputerWord.com.br -
http://old.computerworld.com.br/AdPortalv5/adCmsDocumentShow.aspx?GUID=CF7EF0EA-484C-4B85-BEF3-6E00A42BCEEF&ChannelID=28

 

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