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Sustentabilidade

Desenvolvimento Sustentável Pós-Crise

Ronaldo Gusmão

Presidente do Ietec, idealizador e coordenador-geral da Conferência Latino-Americana sobre Sustentabilidade (Ecolatina)

Revista Ietec - No. 34

Nas eleições de 2006, a palavra crescimento foi recorrente nos discursos dos candidatos à presidência. Em 2010 não foi diferente. Entretanto, uma reflexão deve ser feita: no crescimento a qualquer custo, quem paga a conta é toda a sociedade. Em contrapartida, quando há desenvolvimento, há sustentabilidade.

O conceito de crescer é praticamente estático. Ao falar em crescimento nos referimos ao crescimento econômico, ao aumento do PIB, que tem mudado pouco nas últimas décadas. Já o conceito de desenvolvimento é dinâmico, pois tem várias dimensões que estão interligadas e são interdependentes.

Além das já tradicionais dimensões econômica, social e ambiental, temos, também, as dimensões cultural, político-institucional e espiritual. Portanto, o que é sustentabilidade hoje não necessariamente será amanhã. Este é o grande desafio: o que a sociedade julgará amanhã como sustentável?

Um bom exemplo é a crise “financeira” de setembro de 2008. Naquela época, a demanda estava aquecida e a produção exacerbada. Éramos sustentáveis? A partir deste questionamento, vale refletir: a crise foi realmente só uma crise financeira, desencadeada pelos empréstimos sem lastro, ou tem algo maior por trás?

Façamos desta crise “financeira” uma oportunidade para questionarmos: qual a capacidade do planeta de suportar tudo isso?

“A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos”, “É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias”, “Sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.”

Em pesquisa realizada pela Fundação Brasileira para o desenvolvimento Sustentável em abril de 2009, em um conjunto de empresas integrantes do índice de sustentabilidade empresarial da Bovespa, as 20 empresas do Guia Exame de Sustentabilidade 2008 e as das Top 10 da pesquisa Rumo à Credibilidade (FBDS e SustainAbility), constatou que o cenário econômico da época não havia impactado, ou até impactado positivamente, os investimentos relacionados à sustentabilidade. Mais da metade afirmou que a agenda da sustentabilidade ajudou as empresas a enfrentarem a crise. O mais importante foi que a crise ajudou as empresas a ver que a agenda da sustentabilidade as tornou mais eficientes e que os esforços valeram a pena. A ordem é aperfeiçoar ainda mais as práticas sustentáveis, com novos desafios em eficiência produtiva, inovação, transparência, envolvimento da cadeia de valor e engajamento de partes interessadas.

“Após a crise, o consumidor vai exigir sustentabilidade como pré-requisito. A crise será como um desastre natural que dizimará espécies não adaptadas. Não haverá, assim, espaço para empresas que só valorizem resultados financeiros. A economia pós-crise será muito melhor.”

Neste depoimento de um grande empresário na época, se trocarmos a palavra consumidor por eleitor e empresas por políticos, teremos o significado  dos 20 milhões de votos de eleitores que optaram por uma terceira via.

Em outro estudo realizado pelo Grupo de Institutos Fundações e Empresas – GIFE, confirmou baixo impacto da crise financeira mundial de 2008 sobre os Investimentos Social Privado no país. Em 2009, os investimentos tiveram uma redução de 6% em relação a 2008. Em 2010, o ISP voltou a crescer.

Significa que a crise, em parte, foi benéfica para algumas empresas, e esperamos que possamos aprender com a mesma, no sentido da promoção da sustentabilidade.

Inovação, criatividade, desmaterialização, rastreabilidade, co-responsabilidade, decrescimento planejado, prosperidade sem crescimento, ética e comprometimento, são palavras que terão um significado relevante de agora pra frente.

O Desenvolvimento Sustentável não é um fim em si, mas um meio para se chegar a uma sociedade solidária.
 

 

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