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Gestão e Tecnologia Industrial

Hora de Inovar

Olavo Machado

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Sistema Fiemg)

Estado de Minas - 07/10/2010

Elevar a competitividade da economia nacional, sobretudo de sua indústria, é o grande desafio que o Brasil enfrenta hoje diante do acirramento da concorrência internacional e da existência de sinais claros de que o País começa a viver um perigoso processo de desindustrialização. As estatísticas mais recentes sobre a balança comercial brasileira registram, de um lado, o aumento das exportações de commodities minerais e agrícolas, o que é positivo e deve ser comemorado, e, de outro, a expressiva queda das exportações brasileiras de manufaturados de média e alta intensidade tecnológica, o que não é bom e exige reflexão. Ainda mais grave é a constatação de que o consumo de produtos de maior valor agregado no mercado interno é atendido, de forma crescente, por importações que tomam o lugar da produção das empresas brasileiras.

Muitos fatores explicam a baixa competitividade da economia brasileira. O mais importante é o chamado custo Brasil, que resulta de um conjunto de fatores que sufocam as empresas brasileiras: uma das mais altas cargas tributárias do mundo, taxas de juros também recordes e legislações trabalhista, ultrapassada e onerosa, e previdenciária, que ignora a realidade e acumula déficits crescentes, consumindo recursos que deveriam ser canalizados para investimentos produtivos. Como consequência, investe-se muito pouco, quase nada, em inovação e tecnologia: enquanto no Brasil os investimentos em inovação situam-se ao redor de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), nos Estados Unidos, chegam a 2,6%, a 3,2% na Coreia e a 3,5%, no Japão.

Ao contrário do que ocorre na maioria dos países desenvolvidos e até em alguns emergentes como nós, o Brasil carece de uma cultura que privilegie a inovação como fator determinante da competitividade de sua economia e de suas empresas. Esse foi o tema central do 1º Congresso Empresarial de Inovação e da 6ª Feira de Inovação Tecnológica, ambos patrocinados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e encerrados nesta quinta-feira (07/10). Durante dois dias, em tempo integral, discutimos a importância da inovação como fator estratégico para o desenvolvimento das empresas de Minas Gerais e do País. Consolidadas na Carta de Minas pela Inovação, as conclusões do Congresso Nacional deixam muito claro que temos um longo caminho a percorrer, com a consciência de que, nos segmentos empresarial e dos negócios, as revoluções, muito especialmente as tecnológicas, não nascem no vácuo; precisam ser construídas a cada dia, com a certeza de que a inovação é fundamental, pois é ela que agrega valor aos produtos de nossas empresas, que nos abre as portas dos grandes mercados consumidores, no Brasil e nos grandes mercados mundiais; é ela, igualmente, que nos possibilita deixar de ser apenas produtores de commodities e nos transforma em produtores de bens de alta intensidade tecnológica. Enfim, no mundo contemporâneo, é cada vez mais verdadeira a premissa de que a taxa de desenvolvimento tecnológico e a capacidade de inovar são fatores determinantes da competitividade das pessoas, das empresas e dos países. O Brasil tem avançado de forma alentadora nestes últimos anos, mas precisa ousar mais, incorporando a inovação como traço destacado da cultura empresarial nacional. O primeiro passo é investir na educação, em todos os níveis.

Em recente palestra na Fiemg, o professor José Israel Vargas, a quem Minas e o Brasil muito devem pela dedicação à cátedra, à ciência e tecnologia e à vida pública, apontou dados que exigem reflexão séria e profunda: das 18 melhores universidades do mundo, 15 são norte-americanas, duas são inglesas e uma é chinesa - a Universidade de Pequim. A USP, a melhor entre as brasileiras, está em 100º lugar; na escolaridade do ensino médio, no qual o Brasil estaria reprovado com nota inferior a 5, Minas Gerais está entre a 10ª e a 12ª colocação. O Brasil também dispõe de poucos engenheiros - um para cada 100 mil habitantes, enquanto Israel tem 17. E mais: a Escola Politécnica da USP informa a existência de 140 mil vagas nas escolas brasileiras de engenharia, nas quais ingressam 130 mil estudantes, de cujo total 30 mil se formam e, destes, 20 mil não atingem a qualificação necessária.

A indústria de Minas e do Brasil tem consciência de sua responsabilidade no sentido de contribuir para elevar a sua taxa de inovação, de forma a garantir competitividade às empresas. Nessa empreitada, o papel principal é de responsabilidade das empresas, mas também é verdade que pressupõe forte parceria entre o setor privado, o poder público e os centros geradores de conhecimento. É assim que funciona em países que se destacam por sua capacidade inovadora, com forte apoio governamental, compartilhando riscos, geralmente altos e com ampla participação das empresas. O governo brasileiro deu passos importantes nessa direção ao incorporar a inovação às políticas públicas - com os fundos setoriais, as leis de Inovação e do Bem, a Política de Desenvolvimento Produtivo e o Plano de Ação em Ciência e Tecnologia. Mas este é um processo que precisa ser acelerado, pois constata-se que o desempenho brasileiro ainda é significativamente inferior ao de seus concorrentes globais.


 

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