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:: Gestão e Tecnologia Industrial

Logística e a manufatura enxuta – pontos para reflexão

Guia do Empresário

Assim como em muitos movimentos populares de gerenciamento, existe muita desinformação e confusão a respeito da aplicação dos princípios enxutos (“lean”), à medida que a mensagem da manufatura enxuta vai se difundindo, ela se torna diluída e alterada, causando o fracasso das implementações. O resultado da implementação eficaz dos princípios enxutos é o aumento da produtividade. Existem dez aspectos importantes para que os sistemas enxutos atinjam este resultado.

1.    A manufatura enxuta é uma filosofia na logística

Devido a enorme quantidade de informações disponíveis sobre as ferramentas e as técnicas enxutas, muitas pessoas não percebem que a manufatura enxuta é uma filosofia – a filosofia de eliminação de perdas na manufatura. Taiichi Ohno tornou esta mensagem filosófica clara em seu livro Sistema Toyota de Produção, em que afirma que a etapa preliminar para a aplicação desse sistema é a identificação completa das perdas. Em seguida, ele descreve os sete tipos de perdas em um sistema de manufatura: excesso de produção, espera, transporte, processamento, estoque disponível (inventário), movimentação e fabricação de produtos com defeito. Além do problema de eliminação das perdas, Ohno destaca a idéia da melhoria contínua, acreditando que o estudo da engenharia industrial se aproxima sistematicamente das melhorias.

2.    A redução da variação dos processos é mais importante do que a redução do tempo de ciclo na logística

Uma vez, Edward Deming considerado o “guru do gerenciamento da qualidade”, disse: “Se eu tivesse que resumir minha mensagem à gerência em apenas algumas palavras, eu diria que tudo tem a ver com a redução da variação”. Os processos estáveis e o trabalho padronizado são necessários antes que as ferramentas enxutas funcionem bem. Na verdade, um simples exemplo do uso da teoria das filas mostra que a redução da variação dos processos é mais importante do que o tempo de ciclo na melhoria do fluxo. Entretanto, embora a redução da variação dos processos seja mencionada normalmente, ela não é discutida com freqüência em muitos detalhes na literatura “enxuta” por dois motivos: em primeiro lugar, os processos variam de empresa para empresa e para melhorar um processo é preciso ter conhecimento da física e química dos processos. Em segundo lugar, para processos com mão-de-obra intensiva, é necessário um treinador em engenharia de métodos de trabalho.

3.    As instruções de trabalho devem ser baseadas nos métodos de trabalho padronizados

Há mais de cem anos, Frederick Taylor, chamado de o “Pai da Administração Científica”, explorou a importância da elaboração técnica dos métodos de trabalho e da criação de métodos de trabalho padronizados. Taylor percebeu que os métodos de trabalho usados até por artesãos experientes tinham perdas. Frank e Lillian Gilbreth, engenheiros industriais, refinaram o trabalho de Taylor e hoje temos meios bem avançados para a elaboração técnica dos locais de trabalho e dos métodos de trabalho usados neles. A maioria dos profissionais que trabalham com os princípios enxutos recomenda a colocação destacada de instruções de trabalho na estação de trabalho. Entretanto, se as instruções de trabalho não forem baseadas em métodos de trabalho elaborados tecnicamente, estas instruções servirão meramente para estimular os métodos inadequados de trabalho.

4.    Reduza os tempos de preparação

Embora todos nós saibamos que a redução dos tempos de preparação seja importante para os sistemas de manufatura flexíveis, a Toyota – em grande parte através dos esforços de Shigeo Shingo, criador do método de troca rápida de ferramentas, “SMED” (“single minute exchange of die”, troca de ferramentas em minuto de um dígito) – levou a redução dos tempos de preparação a um novo patamar. Em seu livro, Shingo explica os métodos que, quando aplicados com ponderação, podem gerar reduções drásticas nos tempos de preparação. Se os tempos de preparação estiverem afetando os resultados da produção, a sua redução será um bom ponto de partida para a jornada enxuta. A análise e redução dos tempos de preparação também oferecem um bom treinamento para quem analisa os métodos do local de trabalho.

5.    A análise do fluxo de valor não é tão valiosa quanto se pensa

Ao discutir a redução dos tempos de ciclo necessária na implementação dos princípios enxutos, a literatura enxuta ocidental oferece um método chamado análise do fluxo de valor ou mapeamento do fluxo de valor (VSM, “value stream mapping”). Este mapeamento é mais uma metodologia de fluxograma que permite a você ver como a fábrica está realmente operando. Você mapeia o “fluxo de valor” e revisa cada atividade. Se uma atividade não agregar valor, ela se tornará candidata à eliminação.
O atrativo da análise do fluxo de valor vem de sua relativa simplicidade é muito mais fácil elaborar fluxogramas do que planejar um novo arranjo físico ou novos métodos de trabalho elaborados tecnicamente. A advertência de Ohno de evitar as perdas não é a mesma de eliminar as perdas; é um imperativo do projeto. Portanto, é preciso projetar um sistema que tenha bom desempenho e não gastar seu tempo analisando o projeto deficiente do sistema atual. O VSM pode ser útil para demonstrar a inadequação do arranjo físico para a alta administração, mas fora isso, é de uso marginal e perde o tempo que deveria ser gasto em atividades mais úteis tais como a melhoria do fluxo dos produtos, redução das preparações, eliminação da variação dos processos e elaboração de métodos de trabalho padronizados.

6.    Pense em puxar na logística

Os sistemas de puxar são altamente respeitados porque, quando implementados corretamente, oferecem bom controle do estoque em processo. O controle do estoque em processo tem várias vantagens, incluindo a redução dos materiais oue estão na fábrica, anmento da flexibilidade para as mudanças de variedades de produtos e melhor controle de qualidade dos produtos.

A seguir, veja algumas perguntas às pessoas que estejam estudando a possibilidade de um sistema de puxar:

•    Com que freqüência ocorrem as mudanças de projeto, de engenharia e de programação?
•    Quais são as conseqüências econômicas de se manter o sistema atual em comparação à conversão para um sistema de puxar?
•    O sistema de puxar consegue reduzir o “lead-time” total?
•    Os fornecedores são confiáveis o suficiente para dar suporte às entregas de matérias-primas ou de sub-conjuntos em just-in-time’?
•    O sistema de produção é confiável ou sofre freqüentes panes que interrompem a produção?
•    A mão-de-obra e a gerência estão comprometidas em fazer as mudanças necessárias?
•    Com que freqüência e relevância a variedade de produto sofre mudanças?

7.    Integre o 5S na logística

O 5″S” é apregoado como um bom início da implementação dos princípios enxutos. Ele é um método que vem das cinco palavras japonesas que, são traduzidas em arrumação, organização, limpeza, padronização e disciplina.
O que pode ser ruim no que diz respeito à organização do local de trabalho? As fábricas enxutas têm boas práticas de limpeza e conservação.
As técnicas de 5S devem ser usadas junto com a melhoria dos arranjos físicos do local de trabalho e da criação das células de manufatura. Os gerentes e supervisores têm que estar vigilantes para garantir que os hábitos corretos da organização do local de trabalho sejam criados e mantidos. Esta é a disciplina necessária para criar novos hábitos. Ao longo do tempo, os colaboradores aprendem o hábito e é das mudanças de hábito que os princípios enxutos precisam. Henry Ford teve uma noção similar chamada CANDO para limpeza (clean), organização (arrange), asseio (neatness), disciplina (discipline) e ordem (orderliness).

8.    Enxugue de cima para baixo

Embora as ferramentas e as técnicas enxutas sejam importantes e poderosas, a filosofia enxuta é mais importante. Para criar uma empresa enxuta, o diretor executivo deve adotar a filosofia enxuta a um nível profundo. A manufatura enxuta exige disciplina para que funcione. A criação e sustentação de uma empresa enxuta é uma corrida sem linha de chegada. Sem uma alta administração comprometida, você perderá a corrida.

9.    Os infortúnios dos lucros não são um efeito colateral

A implementação das técnicas enxutas nunca deve ser uma desculpa para não se atingir os objetivos de lucros. A transição nunca deve impedir a satisfação de seus clientes, pois nada anulará a sua iniciativa enxuta mais rapidamente. E se o diretor executivo começar a culpar as iniciativas enxutas pelas quedas nos lucros, os projetos enxutos estarão condenados.
O investimento inicial em sua jornada enxuta pode e deve ser pequeno. Existem muitas idéias enxutas que podem ser implementadas sem grandes investimentos. Pelo fato da iniciativa enxuta ser uma mudança de estratégia significativa, um pequeno projeto enxuto de início em uma área da fábrica e em seguida expandir para outras áreas é uma estratégia sensata e provavelmente a única forma de a iniciativa enxuta ser aceita. As pessoas fazem as iniciativas enxutas acontecer e você deverá tomar cuidado ao usar as boas técnicas de gerenciamento das mudanças para obter a aceitação necessária para a uma mudança de cultura da empresa. Ao longo dos últimos dez anos, mais ou menos, as empresas foram bombardeadas com idéias tais como: TQM (“Total Quality Management”, gerenciamento da qualidade total), reengenharia e agora Seis Sigma. Para que os princípios enxutos funcionem, é preciso não permitir que eles se transformem em mais uma moda passageira.

10.    O engenheiro industrial é a pessoa certa para o “lean”

Os graduados em engenharia industrial acharão a manufatura enxuta uma extensão natural das ferramentas clássicas da engenharia industrial tais como: o projeto e arranjo físico da fábrica, projeto do local de trabalho, análise de métodos e estudo de tempos. Entretanto, os desenvolvedores do Sistema Toyota de Produção refinaram e ampliaram estas ferramentas clássicas de engenharia industrial. Até os engenheiros industriais treinados podem aprender muito com a leitura da literatura “enxuta” e com a participação de cursos sobre princípios “enxutos”. Entretanto, lembre-se que o Sistema Toyota de Produção foi concebido para a indústria automotiva. Portanto, a aplicação das ferramentas e técnicas enxutas em sua empresa exigirão criatividade e disciplina.

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