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:: Inovação e Criatividade

Educação e Inovação para Todos

Ronaldo Gusmão

Presidente do Ietec e coordenador-geral da Conferência Latino-Americana sobre Sustentabilidade (Ecolatina)

Revista Ietec - no 35

O discurso da inovação está em todos os lugares: nos governos estaduais recém empossados, em vários ministérios do governo federal, na Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e nas federações estaduais. Mas por que esse discurso, ou melhor, as práticas inovadoras, não mobilizam os profissionais da educação e suas instituições?

Países desenvolvidos que já deram um salto educacional tem incentivado a criatividade e incrementado a capacidade de inovar de seus estudantes e professores. Isso acontece porque tais nações já perceberam que estamos em uma sociedade do conhecimento, na qual a informação é matéria prima abundante que precisa ser transformada pela criatividade e pelo espírito inovador em serviços e produtos.

No último Programa Internacional de Avaliação de Aluno (PISA) – que mede a capacidade de leitura e o aprendizado de estudantes de 15 anos de idade sobre matemática e ciências de 65 países – o Brasil ocupa a vergonhosa 53º posição.

Numa tentativa de melhorar a educação no país, o Governo Federal encaminhou para aprovação do Congresso o Plano Nacional de Educação para os próximos 10 anos. Este plano pretende fixar o investimento na área em 7% do PIB, dois pontos percentuais acima do praticado atualmente.

O aumento é necessário. Sem educação não há mão de obra qualificada, sem qualificação não há melhores salários. Ou seja, sem educação e qualificação continuaremos com sérios problemas de distribuição de renda no país.

O problema vai além, e é cíclico. Sem educação e qualificação estamos, ainda, fadados a inovar cada vez menos, movimento que reduz a competitividade nacional. Como consequência, os salários diminuem e cresce a má distribuição da renda. Voltamos, portanto, ao início da questão.

A pesquisa de inovação tecnológica (Pintec), realizada pelo IBGE e divulgada recentemente, mostrou que das 106,8 mil empresas pesquisadas, 41,3 mil implementaram um produto e/ou processo novo entre 2006 a 2008.  O percentual de empresas que investem vem caindo ao longo das quatro edições: de 1988 a 2000, 10,29%; de 2001 a 2003, 5,8%; 2003 a 2005, 5,5%, e de 2005 a 2008, 4,2%.

A falta de mão de obra qualificada para inovação é, certamente, um dos motivos da queda. Dos 73.265 profissionais que integravam o quadro das empresas que participaram da pesquisa, apenas 10.292 eram pós-graduados e 35.051 graduados.

As empresas de TI, que vangloriam altos investimentos no desenvolvimento de tecnologia de ponta, seguem na mesma linha. Das 2.514 corporações que participaram da pesquisa, apenas 328 destinaram recursos a P&D, área que emprega somente 3.367 profissionais de um universo de 201 mil pessoas. Quando o assunto é qualificação, o problema fica mais evidente: menos de 10% dos empregados que implementaram inovação possuem pós-graduação.

Em contrapartida, a produção científica nacional, medida pelo número de publicações científicas e elaborada pela SCImago Jorunal & Country Rank, cresceu nos últimos anos. O Brasil já é o 14º no ranking mundial. A posição é bastante positiva quando analisada isoladamente. Porém, é insuficiente quando pensamos que atualmente somos a oitava economia do mundo.

O mesmo acontece com a quantidade de patentes registradas no país. De acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), o número de patentes brasileiras cresceu 75% entre 2005 e 2009, saltando de 9.643 para 16.878. Porém, quando confrontados com outros países, os dados perdem o brilho. No mesmo período, a China requereu 300 mil patentes, enquanto os Estados Unidos chegaram próximos de 480 mil. Embora os números sejam positivos, os asiáticos não estão satisfeitos. Até 2015, a China tem como objetivo requerer 1 milhão de patentes ao ano.

Se a indústria brasileira já sofre com a ameaça dos produtos chineses, imagine como será no futuro. Imaginou? Ótimo. Agora, aja. Faça, hoje, o necessário para evitar os males de amanhã.

É necessário investir, hoje, em qualificação de mão de obra, principalmente no que diz respeito à gestão da inovação. O brasileiro é um povo criativo, possui garra. Falta, porém, conhecimento para transformar as ideias em projetos que tragam resultados concretos.

Educação e inovação para todos, dos estudantes aos professores, dos empresários aos políticos.
 

 

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