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Gestão de Projetos

Em GP, P vem antes de G

Ivo Michalick

Coordenador dos programas de Gestão de Projetos do Ietec e presidente do PMI-MG

Como gerenciamento de projetos está hoje em grande evidência (merecidamente, pois há empresas e setores da economia em que projetos chegam a movimentar perto de 40% dos recursos), um número cada vez maior de profissionais mais jovens tem mostrado grande interesse em ingressar nesta área.

Aqui surge o primeiro problema: gerenciamento de projetos não é uma área, talvez nem mesmo uma profissão, mas sim um conjunto de funções que precisam ser desempenhadas para que projetos sejam bem sucedidos. Possui aplicação direta em qualquer setor da economia em que exista demanda por projetos.

GP = Gerenciamento de Projetos, mas apesar de na expressão e no alfabeto o G vir antes do P, no mundo do GP ocorre o contrário, isto é: antes de pensar em gerenciar projetos, o profissional deve pensar em trabalhar em projetos, atuando como membro de equipe. Ora, G em GP significa gerente, função de liderança, e para saber liderar é preciso primeiro saber seguir, certo? Por isto o PMI criou a credencial CAPM , voltada para profissionais que atuam em equipes de projetos, e eu pessoalmente recomendo aos mais jovens que a busquem, assim como busquem atuar em projetos interessantes e em empresas que valorizam o gerenciamento de projetos. Se produzirem bons resultados e demonstrarem potencial para atuação como GP o convite para gerenciar um primeiro projeto virá, eu mesmo já fiz este convite a várias pessoas que trabalharam comigo.

Tenho dois exemplos relativamente recentes (de 2005 para cá) de profissionais que começaram a trabalhar comigo em equipes de projetos, ainda como estagiários, que começaram como membros de equipes de projeto, inicialmente em atividades de baixa complexidade e baixo nível de responsabilidade (supervisionados por colegas mais maduros e experientes) e hoje atuam como gerentes de projeto. Acredito que este é o jeito mais natural e lógico de alguém virar GP (a partir de uma atuação bem sucedida como membro de equipe de projeto, e mostrando aptidões específicas de GP).

Ah, uma última coisa: não queira ser GP por conta do Hype! Dependendo da sua formação e capacidade podem existir opções mais interessantes (em termos globais, considerando satisfação pessoal, realização profissional, remuneração, qualidade de vida etc.). Por exemplo, uma vez convenci um aluno que queria ser GP a buscar oportunidade como arquiteto de sistemas . Ele não sabia direito o que era isto, mas eu achei que ele levava jeito, era um desenvolvedor brilhante e uma pessoa muito tímida, ia ser difícil (mas não impossível, sou prova viva disto) virar um bom GP. Pois bem, uns três anos depois desta conversa eu o encontrei  e ele me disse todo satisfeito que estava atuando como arquiteto de sistemas numa empresa daqui de BH, e ganhava mais que boa parte dos GPs que atuavam na empresa.

Eu também sei de colegas que atuam como especialistas em gerenciamento de riscos (em especial análise quantitativa) que provavelmente ganham mais do que muito GP, isto sem falar de profissionais focados no planejamento de grandes obras, que o mercado está "catando a laço" e que não querem nem saber de ter a responsabilidade/preocupação de gerenciar projetos! Notem ainda que nem falei de “carreira em Y” (nada a ver com “geração Y).

Para mim a ordem correta é:

"Como profissão, escolha algo que goste e veja como pode viver disto."

ao invés de:

"Descubra algo que dê dinheiro e depois tente gostar da coisa."

Mesmo porque o mundo muda muito rapidamente e o que "dá dinheiro" hoje pode não ser o mesmo daqui a quatro anos ou até menos!


 

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