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Tecnologias

Gerenciamento ambiental

Christian Döbereiner

Gerente de Conservação Ambiental da Shell do Brasil S.A.

Hoje em dia, todos sabem da importância que têm as questões ambientais para o sucesso dos negócios a longo prazo. As exigências crescentes da sociedade, refletidas nos padrões ambientais, cada vez mais restritos, demonstram claramente esta tendência. Investimentos também crescentes no controle da poluição e recuperação de áreas degradadas podem por em risco a viabilidade de um negócio. A preocupação com o meio ambiente não é moda ou oportunismo; é uma questão de sobrevivência para as companhias.

O reconhecimento desta situação levou o grupo Shell a definir sua Política Ambiental. Partindo do princípio da crescente demanda energética, em função principalmente da necessidade de melhoria de qualidade de vida da população, sabemos que isto somente será possível com o desenvolvimento econômico global. A demanda crescente de energia, invariavelmente, traz efeitos negativos pela preservação dos recursos naturais para as futuras gerações.

E surge um dilema, à medida em que sabemos da necessidade da melhoria da qualidade de vida, sobretudo nos países em desenvolvimento, associada às necessidades e consumo crescente de energia, especialmente de combustíveis fósseis que, além de não serem renováveis, provocam emissões indesejadas para a natureza. A única saída é então o desenvolvimento tecnológico para a melhoria na eficiência de seu uso, associada à procura de novas reservas.

A transição do modelo energético atual para outro exigirá um desenvolvimento tecnológico, que necessariamente está associado a grandes investimentos e a um tempo relativamente longo para sua implementação. Neste sentido, surgiu o conceito de "Desenvolvimento Sustentável", adotada pelo grupo Shell em abril de 1991, quando participou, através da Câmara de Comércio Internacional (CCI), da elaboração das Diretrizes Ambientais para a indústria mundial. A implementação do programa na Shell Brasil vem sendo feito através de sistema de Gerenciamento Ambiental próprio.

SISTEMA DE GERENCIAMENTO

O primeiro passo foi a definição de uma Política Ambiental clara, que, assinada pelo presidente da companhia, foi divulgada em toda a organização, incluindo companhias associadas e contratadas. Meio ambiente é parte fundamental do negócio da companhia e deve ter a mesma importância que os demais objetivos comerciais. O comprometimento do corpo gerencial tem que ser visível e a responsabilidade pelas questões ambientais é de todos os funcionários.

A gerência de Meio Ambiente faz parte de uma assessoria que, no organograma da empresa, está diretamente ligada à presidência. Atuando em nível consultivo e normativo, a gerência se dedica basicamente, além das assessoria, à divulgação das diretrizes, conscientização, acompanhamento de projetos, auditorias e treinamento.

O Gerenciamento Ambiental é auxiliado pelos "Pontos Focais de Meio Ambiente", específicos para cada Unidade Operacional ou Mercado. Eles atuam como centralizadores locais para todos os assuntos relacionados ao meio ambiente. Vale ressaltar que os Pontos Focais fazem parte da linha de Supervisão e não estão hierarquicamente subordinados à Gerência de Meio Ambiente.

Para garantir o melhoramento ambiental contínuo, existe um ciclo gerencial anual. As Principais etapas podem ser resumidas da seguinte forma:

1 - Planejamento: Identificação das ações necessárias para atingir os objetivos. Desenvolvimento de programas para suplementar a política, atingir objetivos e metas (Plano de Ação).
2 - Organização e Comunicação: Definição de responsabilidade e estabelecimento da organização; alocação de recursos; fornecimento de informação e treinamento; definir padrões e procedimentos; garantir motivação e comunicação.
3 - Execução: Conceito de responsabilidade de operação ou produto "do berço ao túmulo" para novas operações e produtos; operações e produtos existentes; operações passadas.
4 - Controle e Verificação: "Performance" ambiental; análise de incidentes; divulgação; auditorias ambientais.
5 - Ajustes: Avaliação dos resultados obtidos; revisão do planejamento.
A conscientização e treinamento dos funcionários é feita através da inclusão do tema "Meio Ambiente" no Programa de Treinamento interno existente, bem como pela realização de cursos e palestras. São ainda utilizadas as revistas Notícias Shell e Revendedor Shell, assim como eventos e informativos específicos.

PRINCIPAIS PROJETOS

Para atender ao programa de "Melhoramento Ambiental Contínuo, foram lançados novos produtos como a gasolina Fórmula Shell e o Shell Fórmula Diesel, que visam a melhoria tanto para o desempenho dos veículos como a maior proteção do meio ambiente, através de uma queima mais limpa e de redução de emissões.

A utilização de materiais recicláveis para o acondicionamento de óleos lubrificantes - novas embalagens plásticas - contribui para reduzir a quantidade de resíduos gerados. O óleo usado é coletado e encaminhado para o refino, visando também prevenir o despejo de lubrificantes na natureza.

Um novo conceito para a estocagem de combustíveis foi desenvolvido pela Shell Brasil. Tanques submersos numa bacia contendo água garantem um sistema selado, onde não existem emissões ou riscos de contaminação do meio ambiente. A base piloto de Barra do Garças mostrou que, além de ser um avanço tecnológico, em nível mundial, não polui o meio ambiente e reduz os custos de operação.

No Posto Laboratório, a Shell é pioneira no desenvolvimento de projetos e equipamentos inovados, voltados para a proteção ambiental em Postos de Serviços.

Instrumentos como a campanha "Jogo Limpo", que utiliza peixes como garantia de qualidade de seus efluentes nas Bases de Distribuição, estimula a conscientização dos funcionários para a conservação ambiental.

A procura de fontes renováveis de energia não foi esquecida pela Shell. O projeto "Brazilian Wood Big-GT Demonstration Project - WBP" sendo desenvolvido em conjunto com a companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Eletrobrás, Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e fundação de Tecnologia e Ciência do Rio Grande do Sul (Cientec), visa demonstrar a viabilidade econômica e tecnológica da geração de energia elétrica através da biomassa florestal (floresta plantada ou bagaço de cana). Por ser renovável, o uso desta matéria prima não contribuirá para aumentar o gás carbônico na atmosfera, pelo contrário, poderá diminuir o efeito estufa.

O Programa Mata Atlântica permite conhecer e preservar a Flora do Ecossistema mais ameaçado do planeta. Sua meta é estudar e catalogar a biodiversidade através de um projeto que está sendo desenvolvido em conjunto com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Fundação Margaret Mee.

O grande desafio é eliminar a poluição e, ao mesmo tempo, reduzir os custos. Investimentos crescentes no controle de emissões e na reparação de danos ambientais devem ser substituídos por mudanças de processos, em que a criatividade seja a principal ferramenta. As soluções simples e inovadoras constituem o caminho mais curto para se alcançar esse objetivo.

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