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:: Gestão de Projetos

Gestão de Projetos Brasil II

Ronaldo Gusmão

Presidente do Ietec e coordenador da Ecolatina – Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social

O Brasil de uma década atrás vivia um processo de estabilização da economia e retomada dos investimentos, mas os investimentos eram ainda muito escassos e sobrava mão de obra qualificada. Na década de 80 tivemos até o caso famoso de "o engenheiro que virou suco" nome de uma lanchonete em São Paulo de um engenheiro, que não conseguia trabalhar em sua área. E agora estamos vivendo o oposto, há muitos investimentos e como conseqüência muitos projetos, contudo falta mão de obra qualificada para projetar e, pior ainda, para gerenciá-los.

O Brasil de hoje depende de projetos, bons e sustentáveis, e desfruta de uma economia local que nunca criou tantos empregos em nossa história recente, mas não consegue ter o número de profissionais qualificados que necessita. As conseqüências são inúmeras e amplamente divulgadas, mas vale enfatizar sobretudo projetos não sendo gerenciados, mas sim tocados. E é, justamente, aí que mora o perigo, pois o governo já avisou que para as obras da Copa do Mundo, como provavelmente não cumprirá os prazos, haverá necessidade de flexibilizações no processo licitatório destas obras governamentais. Quem vai pagar a conta? Nós, os contribuintes, mais uma vez.


Precisamos evoluir em gestão de projetos! A pesquisa divulgada este mês com o nome "Maturidade Brasil 2010", coordenada pelo respeitado Darci Prado, apresenta resultados com relação à maturidade em gerenciamento de projetos, em diversas empresas de vários setores, e demonstra que o nível de maturidade da gestão de projetos contribui diretamente para os resultados do negócio. A maturidade está ligada à capacidade das empresas de gerenciarem os seus projetos com sucesso, isto é, no escopo, prazo, custo e qualidade acertados!

Numa escala de 1 a 5, a pesquisa mostra que a maturidade média das empresas brasileiras alcançou 2,61, portanto temos muito que evoluir. O nível 1 é o estágio inicial, 2-conhecido, 3-padronizado, 4-gerenciado e 5-otimizado, ou seja, estamos entre os níveis conhecido e padronizado e a conclusão é que ainda temos um enorme caminho pela frente para atingirmos o nível ideal que é o otimizado. Pela pesquisa realizada somente 1% das empresas encontram-se neste nirvana, e próximo deste estágio existem apenas 10% das empresas com seus projetos sendo gerenciados de maneira adequada.

A pesquisa de maturidade apresenta informações, ainda mais preocupantes, para o setor de tecnologia da informação (TI), pois revela que somente 57% dos projetos de TI foram totalmente bem sucedidos. Isto é extremamente alarmante para as empresas que dependem de projetos, uma vez que a pesquisa ressalta a ligação direta e certa dependência entre se ter maturidade e ter sucesso nos negócios.

Em outra pesquisa realizada pelo Ietec, em junho de 2010, durante o 13º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, constatou-se um avanço significativo no uso de metodologias para gerenciamento de projetos: hoje o conceito de gestão de projetos faz parte da estratégia de 91% das empresas participantes, em 2008 era 83%. Atualmente 80% utiliza algum método para priorizar projetos, antes era 64%. Percebe-se que 66% das empresas utilizavam padrões e procedimentos em 2008, agora 88% utilizam. A informação mais importante é que somente 29% das empresas tinham a metodologia implementada, hoje 82% possuem metodologias de projeto em sua organização. Mas os problemas continuam os mesmos, isto é, o não cumprimento de prazos e problemas de comunicação continua no rol dos principais problemas enfrentados pelas empresas, assim como as habilidades profissionais mais valorizadas em 2008 são as mesmas de hoje: liderança e comunicação.

Muito trabalho e investimentos era o que as empresas pretendiam fazer em meados de 2010, desenvolvimento e/ou revisão de metodologia de gerenciamento de projetos, implementação de indicadores de desempenho e programas de capacitação.

Esperamos que nenhum profissional formado precise virar suco por falta de oportunidade em sua área de formação, mas que todo pretendente a proprietário de lanchonete contrate um profissional capacitado para gerenciar seu projeto.

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