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Gestão de Projetos

Construção Civil: mercado cresce no país e aponta grandes desafios no setor

Comunicação Ietec

Entrevista do presidente da Câmara nacional indústria da construção (CBIC), Paulo Safady Simão, para o Instituto de Educação Tecnológica

Um dos setores mais relevantes da economia brasileira, com cerca de 172.703 empresas atuantes no mercado, a construção civil passa por uma fase de grande crescimento.

Fruto desse desenvolvimento, a maior demanda por atividades do setor tem trazido alguns desafios para o ramo, que tenta se adaptar, já no caminho, às exigências do mercado atual.

Uma das principais questões, nesse sentido, é a escassez de mão de obra qualificada, tema que será discutido, inclusive, no Seminário Nacional de Gestão de Projetos, promovido pelo IETEC. Além de não haver profissionais suficientes no mercado para suprir as necessidades do setor, ainda se revela a questão da baixa quantidade de mulheres entre a mão de obra normalmente empregada na construção civil.

Outro desafio do ramo no país é a inadequação às exigências de sustentabilidade, crescentes não só no Brasil como no mundo. A construção civil é uma das grandes responsáveis por emissão de carbono e gases estufa na atmosfera, fato já enfatizado até mesmo pela Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa forma, adequar-se ao contexto de desenvolvimento sustentável é imprescindível para o sucesso futuro do setor. 
Ciente deste complexo cenário atual, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) está envolvida em projetos de incentivo tanto da formação de profissionais quanto do investimento na prática da construção sustentável.

Nesta entrevista, o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, fala do quadro atual da construção civil no país, das ações da organização frente aos principais desafios do setor e ressalta a importância da difusão de Inovação Tecnológica em toda a cadeia produtiva da construção, para que os desafios sejam superados.

O que é construção sustentável e quais são seus benefícios?

O Conceito de Construção Sustentável nos remete a um conjunto de metodologias e produtos adotados antes, durante e após os trabalhos de construção, para que o empreendimento não agrida o meio ambiente, proporcione um uso racional de energia e recursos naturais e promova uma melhora na qualidade de vida dos usuários. Entre seus benefícios estão redução do consumo de energia durante a fase de produção de materiais ou construção do empreendimento; otimização no uso dos insumos; redução expressiva da geração de resíduos sólidos e reciclagem desses resíduos; redução dos custos de manutenção do empreendimento; redução do impacto ambiental da construção sobre o meio ambiente e sobre as comunidades vizinhas aos empreendimentos; entre outras contribuições.

Essa metodologia já é realizada no Brasil?

Segundo a Liderança em Energia e Design Ambiental (Leed), que avaliou o número de certificações de construções sustentáveis em 2010, o Brasil ocupa o quinto lugar no mundo em construções sustentáveis graças aos vinte e três selos verdes emitidos pela Green Building Council Brasil. Entre os empreendimentos sustentáveis estão o Centro de Cultura Max Feffer, o Ecopatio Bracor Imigrantes e o Building the Future da Boehringer Ingelheim. De acordo com este levantamento, o Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Canadá e China, respectivamente. Em 2010, o Brasil já possuía cerca de 211 construções em processo de certificação, incluindo estádios de futebol, shoppings centers, bairros e escolas. A expectativa para este ano é que o número de 23 construções sustentáveis aumente para 58 edificações com selos verdes, além de listar mais 300 empreendimentos em processo de certificação.

Que tipos de práticas são mais comuns?

As práticas já adotadas vão desde métodos de gestão que permitam, por exemplo, um uso mais racional do transporte de materiais, reduzindo o tráfego de caminhões e a emissão de CO2 na atmosfera, até a reciclagem do entulho produzido em demolições, que reduz a pressão sobre os aterros sanitários e o uso de matérias primas, como areia e pedra. Neste sentido, o conceito de construção sustentável está indissociavelmente ligado à necessidade de difusão da Inovação Tecnológica em toda a cadeia produtiva da construção. Desde a extração da matéria prima até a construção do empreendimento. No Brasil, a evolução tecnológica na Indústria da Construção ficou bastante prejudicada pelo longo período de baixos investimentos em obras de infraestrutura e do mercado imobiliário e pelo distanciamento dos centros de pesquisa e das universidades da realidade das empresas.

De que forma a CBIC dissemina a importância da construção sustentável?

Através do Programa Construção Sustentável, que reúne entidades representativas da cadeia produtiva, universidades, especialistas ambientais, parlamentares, organizações da sociedade civil entre outros segmentos.

Em relação ao desenvolvimento social dos envolvidos na indústria da construção, que tipo de ações têm sido realizadas? 

Pesquisa inédita sobre Responsabilidade Social no setor da Construção, recentemente divulgada pela CBIC e realizada pelo Instituto FSB Pesquisa junto a mais de 200 empresas do setor, revela que 58% delas promovem trabalhos na área de responsabilidade social, com destaque para as localizadas nas regiões Norte e Nordeste. De acordo com o estudo, as áreas nas quais as empresas vêm atuando de forma mais significativa são: meio ambiente; saúde; geração de trabalho e renda; e educação. A pesquisa detectou que 13% dos dirigentes entrevistados admitiram promover somente uma modalidade de ação de Responsabilidade Social, enquanto 36% assinalaram sete ou mais áreas.

As ações de saúde predominam entre as respostas das empresas com atuação pontual (53%). As atividades de sustentabilidade e proteção do meio ambiente predominam nas empresas de ações sociais regulares (86%). E a educação é a área de trabalho mais significativa entre as empresas de ação social estratégica (86%).

A pesquisa confirma a evolução que o setor vem vivenciando nos últimos anos. As empresas da cadeia produtiva da construção estão profundamente engajadas com a formalização da atividade, com a formação e qualificação dos seus trabalhadores e com a melhoria da qualidade de vida dos funcionários e suas famílias.

O apagão de mão de obra qualificada é um dos entraves do setor, que está em uma de suas melhores fases. Os profissionais de curso superior têm recebido treinamento?

Sabemos que um volume expressivo de empresas, no país inteiro, tem promovido ações para estimular a capacitação profissional de trabalhadores para o setor, bem como despertar o interesse de jovens pela atividade da Indústria da Construção. Neste sentido, vêm sendo desenvolvidas parcerias com o SESI e SENAI de vários estados para a criação de “Escolas da Construção” e outros programas de treinamento dentro e fora dos próprios canteiros de obras. Além disso, o setor da construção vem realizando um programa – juntamente com o Governo Federal – voltado à qualificação dos beneficiários do Bolsa Família: o Próximo Passo. Um dos principais diferenciais deste programa tem sido a inclusão da mão de obra feminina nos canteiros da construção de todo o país. Desde que o programa foi criado, quase 80% dos formandos são mulheres.

 

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