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Gestão

Sistema de gestão ambiental e ISO 14000

Jorge Luiz de Lima

Consultor Ambiental e de Manutenção. Participou do curso de Engenharia Ambiental (Mineração e Meio Ambiente) no Centek/Suécia

Com a proximidade da edição das normas da série ISO 14000, notamos uma grande movimentação do mercado para a implantação de um sistema de gestão ambiental. Vale destacar que esta "corrida" é extremamente válida, mas deverá estar calcada num profundo conhecimento de como se implantar, suas implicações e dificuldades.

Existe uma grande diferença entre implantar um sistema de qualidade baseado na ISO 9000 e um sistema ambiental baseado na ISO 14000. Este último exige um cuidado maior face a falta de cultura e ações ambientais nos diversos processos e nas pessoas de cada empresa. São poucas as que incorporam a variável ambiental em seu planejamento estratégico.

Se fizermos uma análise histórica, veremos que a questão ambiental ganha importância na retomada industrial na Europa do pós-guerra, durante os debates do Clube de Roma. Na década de 70, a discussão das questões ambientais foi marcada pela Conferência de Estocolmo (1972). Esta foi a primeira em nível mundial.

Nos anos 80, os conceitos de proteção do meio ambiente começam a se expandir. Acidentes famosos, como o ocorrido em Bhopal (Índia) contribuíram para a mudança de políticas, legislações e de conceitos sobre o gerenciamento ambiental. Surgiram em vários países os partidos e os parlamentares verdes. No Brasil, é publicada em 1986 a Resolução 1 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Infelizmente, nesta década, as pessoas que lutavam pela causa ambiental eram consideradas, por alguns, como radicais e, muitas vezes, denominadas "eco-chatas". Havia um constante atrito entre os defensores, fiscalizadores e o empresariado.

A década de 90 está se destacando pela globalização dos conceitos. Destaca-se a importância da Conferência Mundial de Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro em 1992, e a edição da série ISO 14000. Não existe nenhuma dúvida de que, a partir da publicação desta norma, o mercado sofrerá profundas alterações. Empresas exportadoras poderão sofrer restrições e perda de mercado. A globalização dos conceitos e da economia, uma maior conscientização do consumidor com a crescente exigência ambiental e uma preocupação com a vida planetária resultarão em transformações mercadológicas. O Ecomarketing já é uma realidade. Ele traz uma nova vertente do Marketing convencional e uma vantagem competitiva. Acredito inclusive, num reordenamento jurídico, buscando uma legislação mais restritiva.

Um coneito errado que tenho notado no mercado é que só empresas que tenham atividades impactantes e que vendam seus produtos no mercado externo deverão se preocupar com a ISO 14000. Este é um erro capaz de num futuro próximo fadar algumas empresas ao insucesso. A questão ambiental trata diretamente a relação empresa, acionista, cliente, fornecedor, empregado e comunidade. A pressão interna deverá crescer e se tornar mais intensa. A empresa que não estiver consciente dessa nova realidade --que não seja uma empresa-cidadã--, estará comprometendo o seu futuro. A comunidade é parte integrante de qualquer sistema que busca a qualidade total.

Prevemos um crescimento organizado e fundamentado tecnicamente das ONGs (Organizações Não Governamentais) e do Codemas (Conselhos de Defesa do Meio Ambiente). A fiscalização deverá ser descentralizada. Em nível empresarial, será necessária uma grande transformação. Há uma profunda necessidade de se conscientizar os empresários da nova realidade ambiental mundial. Não adianta falarmos em implantação de um sistema de gestão ambiental baseado na ISO 14000, se o no 1 da empresa não estiver realmente comprometido e decidido a fazer isto. Há uma necessidade de se conhecer profundamente os investimentos necessários e as normas a serem seguidas para a implantação deste.

Entretanto, a busca da certificação não deverá ser, de forma alguma, a meta principal, mas sim uma conseqüência do processo de conquista da excelência ambiental. Não adianta ter um diploma pregado na parede, se o sistema implantado é falho. Fatalmente, as empresas que adotarem esta postura cairão na incredibilidade da comunidade e órgãos fiscalizadores, o que as levará ao fracasso. A variável ambiental deverá, obrigatoriamente, fazer parte do planejamento estratégico de qualquer empresa.

Esperamos pela publicação oficial da ISO 14000, acreditando que, até lá, as empresas comecem a se estruturar para a implantação de um sistema de gestão ambiental visando a sua própria sobrevivência. Precisamos nos organizar e buscar visões futuristas para que possamos acompanhar as mudanças mercadológicas, tendo em vista a globalização da economia e a crescente competitividade de produtos e serviços com a queda das barreiras comerciais. O respeito pelo meio ambiente passa a ser unilateral e voluntário por parte dos clientes e consumidores.

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