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Grupo Asamar aposta na diversificação

Aline do E. Santo

Grupo Asamar aposta na diversificação


Atuação em segmentos variados reduz riscos e aumenta as demandas em investimentos, inovação tecnológica e sustentabilidade.

Entrevista com o presidente do Conselho Administrativo da ALE Combustíveis e acionista do Grupo Asamar.

Em um cenário mundial em que a economia brasileira cresce e aparece como um mercado atrativo para investimentos, as empresas nacionais precisam se adaptar para conseguirem se destacar no mercado e ao mesmo tempo se manterem sustentáveis.


Fruto dessa situação, a demanda por investimentos, principalmente em inovação, tecnologia e práticas sustentáveis, bem como a conhecida falta de mão de obra qualificada no Brasil, apresentam como desafios para as empresas que desejam crescer e se manter competitivas.


Nesse cenário, o Grupo Asamar se destaca pela diversificação de nichos de atuação como estratégia para minimizar os riscos. Fundado em 1932 pelos engenheiros Alberto Woods Soares, Amynthas Jacques de Moraes e Antônio Faria Ribeiro, com o objetivo de atuar no segmento de construção pesada. Em meados de 1950, o espírito empreendedor da  segunda geração familiar, migrou as atividades do grupo para negócios nas áreas de mineração,equipamentos de construção, energia elétrica, telefonia, indústria têxtil, siderurgia e metalurgia, cimento e concreto pré-misturado, produção de etanol, reflorestamento e carvão vegetal, agricultura e pecuária.


Atualmente sob comando da terceira geração da família, o Grupo Asamar atua nas áreas de distribuição de combustíveis líquidos, construção em aço, reflorestamento e produtos florestais, biocombustíveis e tecnologia da informação.


Nesta entrevista, o presidente do Conselho Administrativo da ALE Combustíveis S.A., e acionista do Grupo Asamar, Sérgio Cavalieri, fala de investimentos, inovação, sustentabilidade, mão de obra qualificada, governança, responsabilidade social e ADCE (Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa), da qual é presidente.

Quais são os planos de investimentos do Grupo Asamar para este ano?


As principais delas são: ALE Combustíveis, MASB,Codeme Engenharia, MetForm Produtos de Aço, Ativas Data Center, Alvorada Petróleo.Todas as empresas do Grupo Asamar estão expandindo suas atividades. O total a ser investido por estas empresas em 2011 supera R$300 milhões.

Na sua opinião, qual a importância da inovação para a melhoria dos processos produtivos e para o aumento da competitividade?


 Se uma empresa não se atualiza tecnologicamente,desenvolve novos produtos ou processos, aumenta sua produtividade, dificilmente sobreviverá ao mundo atual. A competição é cada vez mais acirrada e os consumidores são mais exigentes e seletivos.


As empresas do Grupo Asamar estão prontas para inovar?


O Grupo Asamar sempre teve o pioneirismo nas veias e a inovação faz parte da sua cultura. Estas características vem dos seus fundadores que foram pioneiros em várias áreas, mineração, siderurgia, construção. Investimos nestas áreas e incentivamos nossos gestores e equipes a terem esta postura também. “Temos um princípio que diz: preferimos os erros dos que procuram inovar do que a mesmice dos acomodados”. Quando o erro ocorre por uma tentativa de se melhorar algo, fruto da inovação ou ousadia, entendemos como algo saudável e não há punição. A empresa que para no tempo está fadada à morte.


 A Ativas é um bom exemplo do espírito de inovar do Grupo Asamar. Implantamos em 2011 em Belo Horizonte o Data Center mais moderno da América do Sul, que adota as tecnologias mais avançadas e inéditas até então no país: o único com a certificação Tier III do Up Time Institute, empresa certificadora dos Estados Unidos. Outras empresas como a Codeme Engenharia que projeta, fabrica e monta estruturas em aço, investe e desenvolve novos processos construtivos permanentemente e mantém convênios com instituições de pesquisa no Brasil e exterior. É a empresa mais inovadora do seu segmento.

Como a inovação pode contribuir para que as práticas sustentáveis sejam mais assertivas e constantes?


A palavra sustentabilidade deixou de ser um modismo e entrou para o dia a dia da gestão das empresas. Acionistas, gestores e gerentes não só falam de sustentabilidade, mas começam a praticar como rotina, procurando novos processos que reduzam os impactos ambientais e sociais dos seus produtos.

Analisam toda a cadeia, ou seja, todo o ciclo do produto, fornecedores, fabricação, consumo e pós consumo. A inovação é essencial para que se possa avançar e encontrar novas formas de produzir e para que a economia seja verde e humanizada. “Tudo começa no design do produto. É preciso que a sua concepção siga as novas exigências da sociedade.” É uma mudança de paradigma, pois a preocupação sempre foi de redução de custos, que muitas vezes significava um dano ambiental maior, ou um impacto social negativo. 


 Quais são as ações sustentáveis da companhia? E os resultados?


Diria que esta é a principal característica do Grupo Asamar. Com quase 80 anos de atividades empresariais ininterruptas, a preocupação sócio-ambiental sempre veio em primeiro lugar, antes mesmo do lucro.

A Asamar é orientada para pessoas, sejam elas os funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, a sociedade em geral. Logicamente isto não exclui a busca por resultados econômico financeiro. O nosso diferencial é que colocamos as pessoas em primeiro lugar. Trabalhamos de forma a criar riqueza social e ao mesmo tempo econômica. Buscamos o lucro, mas não é de qualquer forma. Deve ser um lucro qualificado, saudável, que resulta depois de se remunerar bem os funcionários, preservar o meio ambiente, cumprir as obrigações com fornecedores, governo, propiciar condições dignas de trabalho, possibilidade de desenvolvimento das pessoas, tudo com extremo cuidado e zelo pelo ser humano.

 Como vêm acontecendo em outros setores, o Grupo Asamar sofre com a carência de mão de obra qualificada?


Sim, temos tido dificuldades de preencher quadros além de constatarmos um aumento constante nos salários. Diria que em todas as empresas e áreas, com maiores dificuldades nas profissões mais especializadas, como a área de TI, na qual a Ativas Data Center atua.

Uma das empresas do grupo, a ALE, foi eleita uma das melhores empresas para começar a carreira de acordo com a Você S/A. Na sua avaliação que fatores forem decisivos para isso?


A ALE tem uma excelente gestão de recursos humanos, tanto é que já fomos premiados várias vezes como melhor empresa para se trabalhar no Brasil e América Latina. Recentemente fomos listados entre as melhores empresas para começar a carreira. Sempre tivemos uma atenção muito grande com os estagiários e com a prata da casa, ou seja, dar prioridade para os que já trabalham na empresa. Mais recentemente, em função da dificuldade de mão de obra, este cuidado aumentou e lançamos o programa de trainee. Em 2010 abrimos 10 vagas para profissionais com até dois anos de graduação. Tivemos mais de 12 mil inscrições. 


Qual a importância da governança corporativa no grupo? E no governo?


Considero a governança muito importante pois não é possível construir uma casa se a fundação não for sólida, e a governança é a base de uma empresa. O Grupo Asamar zela pela boa governança, pratica a transparência, presta contas e é fiel ao tratamento equânime entre os seus sócios. Temos sócios externos à família em praticamente todos os negócios e isto demanda ferramentas aprimoradas de governança. Todas as empresas são sociedades anônimas, muitas delas com Conselheiros externos nos seus Conselhos, as Diretorias e Gerências Executivas são ocupadas por profissionais de mercado. Trabalhamos planejadamente com diretrizes e metas bem conhecidas por toda a organização e os funcionários são recompensados quando superam os objetivos traçados.  Recentemente a ALE  Combustíveis conquistou o prêmio como a melhor empresa do Brasil em Governança Corporativa, entre as companhias de capital fechado, o que comprova as boas práticas de governança do Grupo.


Entendo que os mesmos princípios deveriam se aplicar à gestão pública, o que infelizmente não acontece. Falta responsabilidade e compromisso com os recursos públicos, não há transparência, há desperdícios e ineficiências, isto sem falar nos frequentes episódios de escândalos e corrupção. É possível e preciso reverter essa situação. Minas Gerais deu o exemplo com o choque de gestão que acabou sendo copiado por outros estados, o que é bastante alentador. Precisamos cobrar para que este bom exemplo contamine toda a gestão pública do Brasil.

O tema responsabilidade social está avançando e ganhou a norma ISO 26.000.O que culminou sua criação?


A ISO 26.000 é a primeira norma internacional que trata do tema da Responsabilidade Social. Sua conclusão e divulgação em setembro de 2010 é um importante marco no cenário empresarial. Acredito que terá um efeito semelhante a ISO 9.000 que revolucionou a forma das empresas lidarem com a qualidade na década de 90. Em pouco tempo os consumidores e as próprias empresas passarão a exigir que os seus fornecedores atuem em sintonia com a ISO 26.000, o que  gera importantes ganhos sociais e ambientais para a economia e para toda a sociedade.

 De que forma tem utilizado os valores cristãos no mundo empresarial e, de modo especial, em suas empresas? Quais as ações da ADCE beneficiam diretamente a sociedade?


Na realidade eu já era Presidente da ADCE – Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa em Minas Gerais, e em abril fui eleito Presidente da ADCE Brasil, o que amplia minhas responsabilidades. Toda minha carreira profissional foi desenvolvida dentro do Grupo Asamar, que tem  valores e princípios totalmente alinhados com os valores da ADCE, como a ética, a integridade e o respeito pela dignidade da pessoa humana. Isso faz parte do nosso DNA, e nos leva a praticar esses valores de forma consistente e coerente no nosso dia a dia.  O objetivo da ADCE é conscientizar e formar os empresários, dirigentes e executivos em geral para que suas empresas adotem práticas que sigam os valores cristãos, que são valores universais que conduzem as empresas a serem mais humanas, a economia mais justa e as pessoas mais felizes. Este novo jeito de fazer negócios, além de contribuir para a sociedade e para o planeta,  também se reverte para a própria empresa em termos de produtividade, competitividade, perenidade e imagem perante o mercado.            

Quem é Sérgio Cavalieri?

Engenheiro civil pela Universidade Mackenzie, pós-graduado em finanças pela FGV, com o curso de Gestão Avançada no INSEAD- Fundação Dom Cabral Fontainebleau na França.Presidente do Conselho Administrativo da ALE Combustíveis e acionista do Grupo Asamar. Vice-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Presidente da ADCE Regional Belo Horizonte e da ADCE Brasil,Membro do Conselho Temático Permanente de Responsabilidade Social da CNI- Confederação Nacional da Indústria; Conselho Consultivo Internacional da FDC- Fundação Dom Cabral.
 

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