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:: Meio Ambiente

A Importância do Rerefino de Óleos Lubrificantes

Rodrigo Ansaloni de Oliveira Gonçalves

 Introdução

Um grande desafio a ser superado no cenário contemporâneo é a preservação do meio ambiente. Diante desse problema, especialistas apontam o desenvolvimento sustentável como uma possível solução.
Os meios de transporte automotivos e as máquinas motorizadas estão plenamente disseminados na economia do território nacional. Como exemplo cita-se os automóveis, caminhões, motocicletas, barcos, trens, aviões, além de um grande número de equipamentos motorizados, tais como colheitadeiras, tratores, e outros, todos com algo em comum: dependem de lubrificação, em especial em seus motores para seu perfeito funcionamento. Entre, vários exemplos que poderiam ser apresentados, encontra-se a preocupação com a destinação do óleo lubrificante usado ou contaminado que diariamente é produzido em razão de ter cumprido com suas finalidades e não pode ser devolvido de maneira inadequada ao meio ambiente.
 
2. O Resíduo
O aumento na geração de resíduos constitui um dos mais graves problemas ambientais causados pelo homem. Este aumento é derivado do crescimento da população e das características do desenvolvimento, embasado em um crescente nível de industrialização e avanço tecnológico.
O resíduo não representa apenas um problema ambiental; é também um problema econômico e de saúde pública, que implica em altos custos tanto para indústria quanto para o poder público. A gestão de resíduos tornou-se um tema de grande importância nas mais diversas esferas políticas, econômicas e administrativas; tanto em instituições públicas quanto privadas.
Óleos básicos lubrificantes são derivados de petróleo que constituem a matéria-prima principal utilizada para a fabricação de óleos lubrificantes acabados, utilizados em veículos e máquinas industriais com o objetivo principal de evitar a danificação da parte mecânica destes equipamentos ocasionada por atritos, corrosões e mudanças bruscas nas temperaturas internas e externas, além de desgastes causados por elementos naturais como o oxigênio (CAMPOS, 2008).
Se por um lado o óleo lubrificante é de fundamental importância para o crescimento do cenário econômico e industrial, por outro lado, o descarte inadequado pós-uso o torna um perigoso risco à saúde da população e do meio ambiente.
 
3. Diretrizes Ambientais
 
De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA, 2005), os óleos lubrificantes, por suas características de impurezas inorgânicas e potencial de degradação ao meio ambiente, são classificados como produtos perigosos e altamente tóxicos. Sendo assim proibido qualquer descarte de óleo usado em solos, águas superficiais e subterrâneas, sistema de esgoto e evacuação de águas residuais ou qualquer forma de eliminação que cause a contaminação atmosférica superior ao nível estabelecido na legislação de proteção ambiental.
O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA, 2005) estabeleceu através de sua Resolução 09/93 que o lubrificante usado ou contaminado deve obrigatoriamente ser recolhido e ter destinação adequada, de forma a não afetar negativamente o meio ambiente. 
Resolução CONAMA nº 362/2005:
"Art. 3º. Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado deverá ser destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino.”
Essa resolução se destaca por impor responsabilidade a quase todos os entes da cadeia produtiva, tais como geradores, produtores, importadores, revendedores, rerrefinadores, recicladores e coletores, comprometendo-os desde a coleta até a disposição final dos resíduos, principalmente porque a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através da sua NRB10004, classifica o óleo lubrificante usado como resíduo perigoso por apresentar toxicidade.
Entre as obrigações trazidas pela norma, enfatiza-se a exigência de que todo óleo lubrificante utilizado no Brasil seja, obrigatoriamente, reciclável, devendo aquele usado ou contaminado ser destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino, num percentual não inferior a 30% em relação ao óleo lubrificante acabado e comercializado por eles.
 
4. O Processo Industrial do Rerefino
Dentro do processo de rerrefino de óleos lubrificantes usados, encontram –se as seguintes etapas:
 
A - 1º Recebimento e Filtração
O óleo lubrificante usado é descarregado e homogeneizado. Sendo analisado em seguida pelo Controle de Qualidade da empresa responsável conforme diretrizes estabelecidas pelas normas da ABNT e, após a aprovação dessa análise, o produto é filtrado, armazenado em tanques apropriados, localizados dentro de bacias de tancagem providas de contenção.
B - 2º Desidratação
Nesta fase do processo, o óleo lubrificante usado é aquecido até 120ºC para a retirada de água, e até 280°C  para a remoção dos compostos orgânicos de cadeias carbônicas de baixo peso molecular. O sistema é provido de uma série de trocadores de calor, que fazem o aproveitamento energético do aquecimento gerado e de frações que necessitam de troca térmica.
 
C - 3º Evaporação Total
O óleo lubrificante seco proveniente do processo de desidratação é enviado para a unidade de evaporação total. O processo consiste na aplicação de temperatura elevada (acima de 375 ºC), alto vácuo e força centrífuga para a separação das frações mais pesadas contidas no óleo. Estas frações são separadas pro evaporação e posteriormente condensadas novamente através de poderosos condensadores.
 
D - 4º Tratamento Físico-Químico
 
O óleo proveniente da unidade de evaporação total, já resfriado a temperatura ambiente, ainda possui algumas quantidades de compostos oxidados a serem separados. Para extraí-los, aplica-se um agente floculante, em quantidades ínfimas, que promove a aglomeração dos compostos oxidados que posteriormente decantam, sendo destes separados após algumas horas.
 
E - 5º Clarificação
 
O óleo lubrificante proveniente do tratamento físico-químico é bombeado para o sistema de clarificação, onde recebe a adição de agente clarificante. Este processo é responsável pela absorção das partículas que conferem coloração ao mesmo. A temperatura fica na ordem de 350 ºC, além do vapor para o arraste das frações leves que por ventura ainda estejam presente no óleo. Para garantir  a qualidade do óleo rerrefinado realiza-se, nesta etapa, as análises laboratoriais que visam atender os Parâmetros de Qualidade.
 
F - 6º Filtração
 
O óleo misturado ao agente clarificante passa por um sistema de filtros-prensa e mangas, para a retirada dos particulados. Posteriormente, é feito bombeamento para os tanques de óleo básico, e rerrefinado a temperatura ambiente. Este óleo rerrefinado atende as mais altas exigências de um óleo lubrificante básico mineral.
 
G - 7º Gestão de resíduos
 
Todos os resíduos industriais gerados pela indústria podem ser enviados para unidades de co-processameto em fornos de indústria de cimento, devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais competentes. Da mesma forma o tratamento dos efluentes industriais deve ser feito de acordo com as diretrizes pertinentes.
 
Fonte: LWart Lubrificantes, 2011
5. Conclusão
 
O ponto crítico de todo o processo do rerrefino, é a coleta. Atualmente, 42 empresas são autorizadas pela ANP para coletarem óleo lubrificante usado ou contaminado em todo o país.
O prejuízo ao meio ambiente gerado pelo descarte inadequado deste resíduo é enorme. Evitar que o óleo lubrificante usado polua a água e o ar é fundamental para a preservação do Meio Ambiente. Além disso, transformar o óleo lubrificante usado em óleo novo, para que possa ser reutilizado como lubrificante em máquinas e veículos é, sem dúvida, o melhor e mais nobre destino que se pode dar a esse resíduo perigoso. O rerrefino é importante para o desenvolvimento sustentável do país. O óleo básico rerrefinado retorna ao mercado por meio das diversas distribuidoras e formuladoras de óleo lubrificante acabado.
 
6. Referências Bibliográficas
 
APROMAC  -  Associação  de  Proteção  ao  Meio  Ambiente  de  Cianorte  - 
Gerenciamento de Óleos Lubrificantes Usados ou Contaminados, Diretrizes 
para o licenciamento ambiental, Guia Básico. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.  NBR  10004:  resíduos 
sólidos - classificação. Rio de Janeiro, 1987. 
 
CAMPOS,  Eduardo  Bertonha.  Previsão  da  demanda  de  óleos  básicos 
lubrificantes:  Uma  análise  através  de  regressão  múltipla.  2008  f.72  dissertação 
(Mestrado em Administração)  - Faculdade de Economia e Finanças  IBMEC, Rio de 
Janeiro. 
 
Cartilha  Ecolub.  Boas  Práticas  de  Manuseamento  e  Armazenagem  de  Óleos 
Lubrificantes Usados. 
 
 
 
GOMES,  Priscila  Luggeri;  OLIVEIRA  Vinícius  Balthazar  Pereira  Gomes; 
NASCIMENTO.  Aspectos  e  Impactos  no  Descarte  de  Óleos  Lubrificantes:  O 
CASO DAS OFICINAS. Artigo,  IV Congresso Nacional  de Excelência em Gestão. 
2008. 
 
 
http://sindirrefino.org.br.  
 
http://www.anp.gov.br 
 
http://www.mma.gov.br. 
 
LWART. Processos de rerrefino. Disponível em www.lwart.com.br. 
 
PETROBRÁS  DISTRIBUIDORA  S.A.  Lubrificantes,  fundamentos  e  aplicações. 
Rio de Janeiro, 1999. 
 
_______.  Processos  de  Refinação.  Manual  BR-Petrobrás.  Rio  de  Janeiro: 
Petrobrás, 1996. 
 
Resolução Conama nº 362, de 23 de junho de 2005. 
 
Revista Meio Ambiente Industrial. Ano XIII. Edição 77. Janeiro/fevereiro de 2009.  
 

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