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:: Editorial

Multiespecialistas, sejam bem vindos!

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

O crescimento econômico vivido atualmente pelo Brasil revela um paradoxo perverso: estão sobrando vagas no mercado de trabalho e faltando profissionais capacitados para preenchê-las. Este é o lado ruim do crescimento econômico ocasionado pela falta de investimento em educação e treinamento em nosso país.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em 2007, com 1714 empresas, mostra que 76% delas consideram a falta de mão-de-obra qualificada um entrave na busca pela eficiência nos negócios e na redução de desperdícios.

Sabe-se que um profissional não pode ocupar uma função na empresa sem o devido conhecimento que o cargo exige. O bom profissional deve ser o gestor de sua carreira e se preparar para novos desafios. Cabe à empresa oferecer as oportunidades e, aos profissionais, prepararem-se para elas.

Por outro lado, é premente às organizações educar e treinar seus colaboradores de modo a minimizar os impactos negativos da falta de profissionais. É importante também que as empresas desenvolvam estratégias de retenção de talentos. Ainda de acordo com a pesquisa da CNI, 69% das empresas adotam esta política.

Hoje, profissionais experientes estão se aposentando ou montando seus próprios negócios. Este é um dos aspectos que ajudam a explicar o atual cenário do mercado de trabalho. A alternativa capaz de reverter este quadro é investir na formação do multiespecialista.

Mas o que é um multiespecialista? O generalista, que chamarei aqui de profissional circular, sabe quase nada de quase tudo. O especialista, profissional plano, sabe tudo sobre uma única coisa. E, por fim, o multiespecialista, profissional poliedro, sabe muito sobre muitas coisas.

O gerente de gestão integrada é exemplo de multiespecialista. Sua formação se inicia na engenharia, especialização em segurança e saúde ocupacional, e capacitação em qualidade e meio ambiente. Ele poderá, futuramente, tornar-se gerente de sustentabilidade. Para isto, precisa se capacitar nas áreas de responsabilidade social e gestão de negócios.

Como formar um multiespecialista? Somente através de estudo, treinamento, leitura e, principalmente, atitude para aplicar os conhecimentos no dia-a-dia. O multiespecialista tem visão global e um apurado senso para identificar oportunidades e antecipar-se ao futuro. Possui mente aberta para os novos conhecimentos.

Está sempre agregando valor para si e para a sua empresa. Segundo a pesquisa da CNI citada, 78% das empresas pesquisadas tem dificuldade para investir em qualificação da mão-de-obra. Destas, 52% alegam que a dificuldade se deve a falta de cursos adequados.

Vantagem competitividade. Este é o forte do profissional multiespecialista porque este é polivalente. Desenvolveu conhecimentos e habilidades no decorrer de sua vida profissional. Preparou-se para as oportunidades presentes. Empresas competitivas são feitas de pessoas competitivas.

Uma empresa tem que ter produtos, processos e clientes. Quem desenvolve os produtos? Quem faz os processos? Quem conquista e mantém os clientes? Pessoas. Portanto, as empresas serão competitivas se seus profissionais também o forem, pelo menos uma parcela significativa deles.

Aumentar a produtividade neste momento só com muita educação e treinamento. Em recente pesquisa sobre produtividade realizada pela Proudfoot Consulting em 10 países, com 462 executivos, o gerenciamento de pessoas, a educação e treinamento, e a falta de mão-de-obra qualificada e habilitada serão os entraves à produtividade empresarial nos próximos dois anos.

A falta de profissionais com experiência se acentuará ainda mais para as empresas que estão com projetos de expansão. O mais sensato é começar a formar imediatamente profissionais experientes em outras áreas do conhecimento, realizar um processo intensivo de "aprender e fazer", isto é, educação just-in-time com o trabalho: aprender a noite para a aplicação no dia seguinte.

Mas, para que isto aconteça, é necessário que a empresa ofereça condições de trabalho para a aplicação do novo. É preciso um processo contínuo de mudança comportamental e que estes profissionais não sejam desestimulados por outros profissionais arraigados aos métodos antigos de produção e gestão. Multiespecialistas, sejam bem-vindos. As empresas precisam de vocês.
 

 

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