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Educação e competitividade

Ronaldo Gusmão

 presidente do Instituto de Educação Tecnológica - IETEC

 Recentemente o Fórum Econômico Mundial (WEF) divulgou o Índice de Competitividade Global 2011, no qual o Brasil aparece na posição 58, em um ranking com 142 países. O documento é uma análise do empresariado em relação a doze pilares, reunidos em três grandes grupos: Requisitos Básicos (que engloba instituições, infra-estrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária); Propulsores de Eficiência (educação superior e treinamento, eficiência do mercado de bens, eficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, tamanho do mercado, eficiência no mercado de trabalho e prontidão tecnológica); e Sofisticação Empresarial e Inovação (sofisticação dos negócios e inovação).

É sabido que a competitividade é influenciada tanto por fatores internos como externos ao país, sobretudo um ambiente interno favorável auxilia em muito o país a se tornar um player global. Entretanto estamos distantes nos tornarmos um jogador de destaque no contexto global, pois não vemos nenhum dos outros países que ocupam a seleção denominada G7 (o grupo de países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo)  exportando somente commodities (café e açúcar no passado; minério de ferro e soja hoje) como é predominante no nosso caso. O déficit nas transações comerciais de base tecnológica no Brasil é enorme, chegando a US$84,9 bilhões em 2010, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Precisamos melhorar significativamente o ambiente interno, reduzindo as taxas de juros e a carga tributária (de todos os setores, sem privilégios), aumentado de forma consistente a poupança interna, além de proporcionar uma melhor distribuição de renda, cuja forma mais eficaz é por meio de investimento massivo em educação básica e saúde.

No quesito inovação, o Brasil ficou na 42ª posição. Mas o resultado poderia ser bem melhor, se investíssemos mais e melhor. As empresas brasileiras aplicam 0,5% de seu faturamento em atividades de P&D. No entanto, se comparadas com países como os Estados Unidos (2,01%) e China (1,18%) as empresas brasileiras ainda estão muito distantes. No que se refere à disponibilidade de cientistas e engenheiros, caímos de 60º para o 68º lugar.

Educação e treinamento, como demonstra o estudo da WEF, são importantes propulsores da eficiência produtiva, e neste ponto o Brasil está na 58ª posição. A qualidade do sistema educacional brasileiro foi má avaliada pelo empresariado, colocando o Brasil em 103º lugar. O que fazer? Há vários levantamentos que indicam o caminho.

A carência de profissionais especializados começa bem antes, já no ensino fundamental, com alunos nada qualificados. No último Programa Internacional de Avaliação de Aluno (PISA) – que mede a capacidade de leitura e o aprendizado de matemática e ciências dos estudantes de 15 anos de idade em 65 países – o Brasil ocupa a vergonhosa 53ª posição. Dos 20 mil alunos que fizeram a prova, 80% estão abaixo do nível de aprendizagem considerado bom ou adequado. A situação do aprendizado de matemática é catastrófica, com 90% dos estudantes abaixo da média entre os países participantes.

Outra pesquisa, dessa vez da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), demonstra que ainda falta muito a percorrer quando o assunto é investimento em educação. O levantamento, que avalia o ensino em 34 países, mostra que o Brasil, apesar de ter investido mais, ainda está distante da média dos países-membros. Saímos de 3,5% do PIB em 2000 para 5,3% em 2008. Porém, o percentual ainda é inferior à média dos países pertencentes à OCDE: 5,9%.

Mas não é possível seguirmos com a tese, a meu ver equivocada, de educação gratuita para todos. A educação é considerada cara em qualquer país, independente do seu tamanho e em países pequenos representa ainda mais custos para o governo e seus cidadãos. Imagine num país-continente como o nosso? O ensino é oneroso, sim, mas é mais barato do que adquirir um automóvel, por exemplo, financiado em 60 ou mais prestações, ou seja, o mesmo que custaria um curso superior de cinco anos. Aí fica a pergunta: por que o brasileiro se endivida na compra de um produto não-durável, que consome mais dinheiro a cada ano de uso, a tal ponto de não valer, dentro de determinado tempo, nem 10% do seu valor original, mas acha inalcançável cursar uma boa escola? A alternativa é: quem pode, deve pagar pelo ensino, e para quem não puder há de existir mais estímulos para pagar sua formação depois de concluído o curso. Segundo a OCDE, quem possui diploma superior no Brasil recebe salários até 156% superiores a quem não tem a graduação. Ou seja, a educação é, sim, um excelente investimento.

A educação deve ser para a vida, principalmente para a vida profissional, onde as empresas precisam ser competitivas num mundo cada vez mais global.

 

Artigo publicado no jornal Estado de Minas do dia 12 de outubro de 2011.

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