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Inovação e competitividade

José Henrique Diniz
Revista IETEC

Em sua última edição, publicado no mês de agosto último, o Relatório Global de Competitividade, divulgado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), aponta que o Brasil subiu cinco posições no ranking de competitividade, alcançando a 48ª posição, entre os 144 países analisados e galgando cinco colocações com relação ao ano anterior. Essa análise é realizada através de uma extensa pesquisa com informações nacionais e internacionais, além de um levantamento opinativo junto a executivos.

Mantendo a primeira colocação pelo quarto ano consecutivo está a Suíça. Nas posições seguintes vêm Cingapura, Finlândia, Suécia e Holanda, completando a lista dos cinco primeiros e Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong e Japão, completando a lista dos top ten. Ressalta-se que o Estados Unidos caíram duas posições com relação a lista anterior.
A avaliação se baseia em 12 pilares, divididos em três categorias: requerimentos básicos (instituições; infraestrutura; ambiente macroeconômico; saúde e educação primária), potencializadores de eficiência (educação superior e capacitação; eficiência do mercado de bens; eficiência do mercado de trabalho; desempenho do mercado financeiro; prontidão tecnológica; tamanho do mercado) e fatores de inovação e sofisticação (sofisticação dos negócios; inovação). Para o Brasil, o pilar Ambiente Macroeconômico representou ganho de expressivas posições, tendo o país avançado da 115ª posição em 2011 para a 62ª, em 2012. 
Por outro lado, o Brasil perdeu posições importantes em alguns pilares, com destaque para infraestrutura, educação superior e capacitação, sofisticação dos negócios e, principalmente, em inovação. Nesse último quesito, o Brasil caiu da 44ª posição para a 49ª, puxada, principalmente, pela falta de recursos humanos qualificados.
Ainda que no geral a 48ª posição no ranking global de competitividade seja um fato a ser comemorado, os itens em que o Brasil apresentou queda são bastante preocupantes e merecem redobrada atenção, com muita criatividade e foco em inovação.
No Brasil toda vez que se aborda o tema inovação percebe-se um certo consenso em torno de sua importância, mas um elevado grau de desconhecimento sobre o que realmente significa em termos empresariais e, mais importante, sobre sua gestão com foco em resultados e competitividade. Em sua grande maioria, as organizações não incorporam práticas de gestão da inovação ou vêm inovação apenas como aquisição de máquinas e equipamentos para seus processos produtivos, com pouca ou quase nenhuma ênfase à inovação de produtos e serviços, mercados, gestão e organização. Não raro, não associam inovação com resultado empresarial e com competitividade.
Outro aspecto importante refere-se ao fato de que, apesar do Brasil ser reconhecido como um país de pessoas criativas e empreendedoras, infelizmente no campo da inovação não se pode dizer a mesma coisa. E não se pode afirmar que é por falta de incentivos e recursos, já que o Brasil conta com uma legislação e um sistema de ciência, tecnologia e inovação bem estruturados, com diversas fontes de recursos e programas de financiamento e apoio à inovação, em diversos setores de atividades.
Mas o que falta, então, para que o Brasil possa atingir posição de destaque no ranking dos países mais inovadores? Essa não é uma resposta fácil, mas há várias pistas quando se analisa essa questão com mais profundidade, seja através da análise de pesquisas – como a realizada pelo Fórum Econômico Mundial e outras divulgadas nas diversas mídias –, seja baseando-se na opinião de especialistas.
Dentre esses diversos fatores, embora não se possa generalizar, destacam-se o desconhecimento sobre como inovar e, principalmente, a respeito das políticas e fontes de incentivo e fomento. Vale destacar, ainda, a reduzida participação das empresas de pequeno e médio porte na produção da inovação no Brasil, sabidamente as grandes responsáveis pelo processo em nível mundial.
Fechando este cenário – mas não menos importante – ressalto as práticas de gestão pouco eficazes, ultrapassadas, ausentes ou desfocadas; o desconhecimento das práticas de gestão da inovação e de suas ferramentas; foco adequado em ciência – mas sem a mesma ênfase em desenvolvimento tecnológico e inovação; falta de uma estratégia de inovação alinhada com a estratégia empresarial; e, principalmente a carência de recursos humanos capacitados e treinados para este fim.
Resumidamente, o que se observa é um baixo alinhamento dos pilares pessoas, processos, recursos e estratégia, imprescindível para que a inovação realmente aconteça, através de resultados empresariais e que contribua efetivamente para a aumento da competitividade as empresas nacionais.

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