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:: Editorial

25 de anos de liberdade

Ronaldo Gusmão
Revista IETEC

Em 1987 instalava-se no Brasil a Assembléia Nacional Constituinte, e nascia o IETEC. Imaginem que nossa democracia só tem 25 anos. Imaginem que praticamente não tínhamos liberdade. Imaginem 10 antes, em 1977, estávamos em plena ditadura militar. Nessa época, só podíamos mesmo imaginar, pois expressar uma opinião poderia ser encarado como um ato subversivo, que poderia – e seria – julgado por um “guardinha da esquina”. Hoje, posso expressar neste texto qualquer opinião, por mais subversiva que seja, e não serei julgado por nenhum guarda de esquina, no máximo poderei ser julgado pelo Superior Tribunal Federal, com direito a ampla defesa, como estamos vivenciando neste momento.

Temos o dever de dar o devido crédito à liberdade que temos hoje, e transmitir àqueles que já nasceram num regime democrático este valor. Mas será que realmente há liberdade para todos os brasileiros? Ou este deverá ser nosso próximo passo, “dar” a todos o direito à liberdade, de fato, na prática?
Imaginem conviver diariamente com uma inflação de 2%, ao dia. 2%, literalmente. Temos que valorizar nossa maioridade econômica, conseguida com muito sacrifício, após inúmeros planos econômicos mal sucedidos, confiscos e fiscais de presidentes. Esta realidade tem que ser compreendida pelos mais jovens, por aqueles que não conseguem sequer imaginar tal cenário. E estou falando aqui dos integrantes da Geração Y. A liberdade que os brasileiros possuem atualmente foi conseguida a duras penas.
Entendo esta liberdade como a base para a sustentabilidade contemporânea. E divido essa liberdade em dois tripés: um material e outro imaterial.
O material – e que compõe a sustentabilidade como a entendemos – é composto pelos pilares econômico, social e ambiental. Já o imaterial possui por vértices a espiritualidade, a cultura e o institucional.
No Brasil pós-ditadura, tivemos uma evolução considerável de nossa sustentabilidade enquanto nação. Senão, vejamos.

Social
Tivemos a sorte de termos dois governos que se complementaram, gerando uma ordem perfeita. No governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi estabilizada a economia, criando as bases para o desenvolvimento do país. Já no governo Lula, houve uma maior distribuição de parte dessa riqueza gerada. Imaginem se a ordem fosse o inverso! É verdade que tiramos milhões de pessoas da miséria, mas ainda temos outro tanto nas mesmas condições.

Ambiental
O país evolui muito nesse aspecto, mas ainda não é o ideal. Tivemos o privilégio de realizar no país duas conferências mundiais sobre meio ambiente, a Eco92 e a Rio+20. Este legado deve ser lembrado a cada momento para que possamos constantemente retornar às discussões ocorridas e, com base nestas experiências, corrigir nosso rumo em direção a uma sustentabilidade ambiental de fato.

Econômica
É inegável o desenvolvimento econômico vivenciado pelo Brasil nos últimos 25 anos. Saímos de uma dependência econômica externa para um desenvolvimento autônomo. Nossa economia se desenvolveu e atende, hoje, a um número maior de brasileiros. Além disso, nossa renda per capita aumentou sensivelmente, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros.

Espiritual
O Brasil, ao lado da Índia, talvez seja uma das nações onde a população seja mais espiritualizada. Essa realidade possibilita nosso pleno desenvolvimento, de forma integrada ao sagrado, ao divino, como parte da nossa necessidade de estarmos conectados ao universo.

Cultural
Somos constantemente lembrados – e realmente somos – de que somos o país com a maior diversidade biológica do mundo. Mas nos esquecemos, muitas vezes, de que somos uma das nações com a maior diversidade cultural do planeta. Nesse aspecto, vale lembrar que convivemos de forma extremamente pacífica com essa diversidade.

Institucional
Como forma de fecharmos o ciclo, e voltando ao início da discussão. De tudo o que falamos até agora, nada disso seria duradouro e geraria bem estar para a população se não tivéssemos vivido, ainda, a consolidação de nossas instituições. As nossas instituições estão se sedimentando. Este cenário é a base de toda a liberdade democrática que o Brasil teve ao longo dos últimos 25 anos e que tem, hoje, sua plenitude.

A união de todos estes fatores – coroada por este último – gera o que podemos chamar de desenvolvimento sustentável. Que não pode ser percebido como um fim em si mesmo, mas um meio para se chegar a uma sociedade solidária e próspera. O caminho a percorrer é longo, mas os primeiros anos já foram vividos.
O IETEC, há 25 anos, contribui, e continuará contribuindo através da educação para o bem das pessoas, das organizações e do planeta. De nossa prosperidade. Nós continuaremos a fazer o bem. Sempre!
 

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