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:: Meio Ambiente

Coleta seletiva onde o cidadão passa a assumir efetivamente o papel de sujeito na sua relação com a coletividade e com a municipalidade

Ângela Maria Fagundes Oliveira

Engenheira civil, pós-graduada em Gestão Ambiental Empresarial pelo Ietec.

 1 – Introdução

Um dos grandes problemas enfrentados hoje nos países de um modo geral é o grande volume gerado de resíduos sólidos. No Brasil são gerados atualmente, em torno de 241 mil toneladas de resíduos diariamente. Sendo que, apenas 63% dos domicílios contam com coleta regular de lixo.

Do total de resíduos coletados no Brasil, 76% são dispostos a céu aberto, os restantes são destinados a aterros controlados (13%), aterros sanitários (11%), usinas de compostagem (0,9%), incineradores (0,1%) e uma parcela ínfima é recuperada em centrais de reciclagem/beneficiamento para reciclagem, segundo Manual de Gerenciamento Integrado pelo IPT/CEMPRE.

De acordo com a Agenda 21, documento do qual foram signatários 178 países, inclusive o Brasil, as empresas deveriam fazer a gestão dos resíduos sólidos gerados. O capítulo 30 da Agenda 21, trata do fortalecimento do papel do comércio e da indústria promovendo uma produção mais limpa, isto é, a produção, a tecnologia e o manejo que utilizam recursos de maneira ineficiente criam resíduos que não são reutilizados, despejam dejetos que causam impactos adversos à saúde humana e ao meio ambiente e ainda fabricam produtos que, quando usados, provocam mais impactos e são difíceis de reciclar. Portanto, a agenda sugere, através da concepção de desenvolvimento sustentável, que as empresas deveriam adotar o princípio dos 3 R's como formas de minimização de resíduos: I – Redução (reduzir o uso de matérias primas e energia, desperdiçar menos, consumir só o necessário, sem exageros); II- Reutilização (dar nova utilidade a materiais que, na maioria das vezes, consideramos inúteis e jogamos no lixo, evitar desperdícios nas fontes geradoras); III- Reciclagem (dar "vida nova" a materiais a partir da reutilização de sua matéria prima para fabricar novos produtos).

O Brasil ainda está muito distante de mudanças mais estruturais, que reduzam o volume de resíduos gerados, o que aumenta a importância dos programas de coleta seletiva de lixo. Só ela, no entanto, não soluciona todos os problemas relativos à destinação de resíduos sólidos e deve ser considerada dentro de um plano mais amplo, de gerenciamento integrado do lixo.

2 – O que é coleta seletiva

É um processo de separação e recolhimento de materiais recicláveis, conforme sua constituição, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, na fonte geradora, nos centros de triagem ou nas usinas de reciclagem. Estes materiais são vendidos às indústrias recicladoras ou aos sucateiros.

A coleta seletiva é uma alternativa ecologicamente correta, pois, desvia parte dos resíduos sólidos gerados, da disposição em aterros sanitários ou controlados e lixões, para que possam ser reciclados.
As quatro principais modalidades de coleta seletiva são:
- Coleta Domiciliar: é aquela em que os veículos coletores (apropriados para coleta seletiva) percorrem as vias públicas recolhendo os resíduos sólidos separados nos domicílios, mas em horários diferentes da coleta urbana normal;
- Coleta em Postos de Entrega Voluntária (LEVs): é aquela em que a população deposita espontaneamente os resíduos recicláveis em contêineres ou em pequenos depósitos espalhados em pontos fixos estratégicos;
- Coleta em Postos de Troca: é aquela em que é feita a troca de material em troca por um bem ou benefício;
- Coleta por catadores: é a coleta realizada por catadores, feita de porta a porta, em rotas pré-estabelecidas. Estes geralmente são organizados através de associações ou cooperativas, e criam uma relação de parceria com o comércio ou indústria geradora dos resíduos, recolhendo os resíduos reciclados regularmente.

3 – Implantando a Coleta Seletiva

O Planejamento para implantação de uma coleta seletiva deve ser feito do fim para o começo da cadeia. Ou seja, primeiro pensar em qual será a destinação, depois a logística e por fim o programa de comunicação ou educação ambiental.

3.1 – Educação Ambiental
A maioria dos programas de coleta seletiva atribuem bastante importância à educação da população relativa à questão do lixo. A educação não se restringe à divulgação de informações: é preciso que estabeleça um vínculo entre as pessoas e o meio ambiente, de forma a criar novos valores e sentimentos que façam com que as pessoas mudem de atitudes.

É de grande importância que os profissionais que ficarão responsáveis pela implementação dos programas educativos sejam treinados e capacitados e estejam voltados para compreensão dos três princípios básicos: redução, reutilização e reciclagem (3 R's).

O sucesso da coleta seletiva está diretamente associado aos investimentos feitos para sensibilização e conscientização da população. Quanto maior a participação voluntária nestes programas, menor o custo da administração.

3.2 – Recipientes adequados
A implantação da coleta seletiva começa com uma experiência-piloto, que vai sendo ampliada aos poucos. Depois do primeiro passo que é a realização de uma campanha informativa junto à população (educação ambiental), onde trabalhou-se a importância da reciclagem, vem à orientação para que separem o lixo em recipientes para cada tipo de material.

Estes recipientes deverão ser adequados à separação e armazenamento dos resíduos recicláveis, com cores diferenciadas facilitando a separação do material.

3.3 – Principais Vantagens da Coleta seletiva
As principais vantagens para implantação de um programa de coleta seletiva são:
·Diminui a exploração de recursos naturais renováveis e não-renováveis;
·Reduz o consumo de energia;
·Diminui a exploração do solo, água e ar;
·Diminui a poluição do solo, água e ar;
·Diminui a proliferação de doenças e a contaminação de alimentos;
·Prolonga a vida útil dos aterros sanitários;
·Melhora a qualidade do composto produzido a partir de matéria orgânica;
·Melhora a limpeza da cidade;
·Possibilita a reciclagem de materiais que iriam para o lixo;
·Diminui o custo da produção, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias;
·Diminui o desperdício;
·Cria oportunidade de fortalecer organizações comunitárias;
·Gera renda pela comercialização dos recicláveis.

4 – Sustentabilidade

Baseado na concepção de desenvolvimento sustentável, abordado na Agenda 21, a implantação de um Programa de Coleta Seletiva, obtêm os seguintes resultados em termos de sustentabilidade:

4.1 Sustentabilidade Ambiental
Os maiores beneficiados pela implantação da Coleta Seletiva são o meio ambiente e a saúde da população. A reciclagem de papéis, vidro, plástico e metais, que representam um percentual significativo (chega a 40% do lixo doméstico), reduz a utilização dos aterros sanitários prolongando sua vida útil. Se o programa de reciclagem contar, também, com uma usina de compostagem, os benefícios serão ainda maiores. Além disso, a reciclagem implica na redução significativa dos níveis de poluição ambiental e com os desperdícios de recursos naturais, através de economia de energia e matéria-prima.

4.2 Sustentabilidade Política
Além de contribuir positivamente para a imagem do governo e da cidade, a coleta seletiva exige um papel de cidadania, no qual cidadãos assumem um papel ativo em relação à administração das empresas e da cidade. Além da possibilidade de aproximação entre o poder público e a população, podendo até estimular a organização de uma sociedade civil.

4.3 Sustentabilidade Econômica
A coleta seletiva e a reciclagem do lixo apresentam, normalmente, um custo mais elevado do que os métodos convencionais. De qualquer forma, é importante notar que o objetivo da coleta seletiva não é gerar recursos, mas reduzir o volume de lixo, gerando ganhos ambientais. É um investimento no meio ambiental e na qualidade de vida. Não cabe, portanto, uma avaliação baseada unicamente na equação financeira dos gastos com o lixo, que despreze os futuros ganhos ambientais, sociais e econômicos da coletividade. A curto prazo, a reciclagem permite a aplicação dos recursos obtidos com a venda dos materiais em benefícios sociais e melhorias de infra-estrutura na comunidade que participa do programa. Hoje no meio empresarial, uma iniciativa desta, pode melhorar a visão institucional da empresa, deixando-a muito mais competitiva e mais conceituada no mercado. Além disso, a coleta seletiva evita desperdícios de materiais, reduz o consumo de energia e diminui o custo da produção, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias.

4.4 Sustentabilidade Social
A coleta seletiva tem sido uma opção para geração de novos postos de trabalho para a população carente, considerando que a modalidade de coleta seletiva que apresenta o menor custo é a dos catadores, por esta razão, uma das mais utilizadas, além de favorecer a população, que não precisa transportar os materiais a serem reciclados. A reciclagem é uma iniciativa concreta contra a exclusão social..

Deve se estimular os empreendimentos que favoreçam a criação de cooperativas, associações, grupos organizados, parcerias com empresas e poder público, além da participação social e outros, que através destes, terão o reconhecimento e organização do seu trabalho, incentivo da arrecadação, geração de trabalho e renda, aumento do auto-estima.

Estas associações são formadas por catadores, presidiários, pessoas envolvidas em programas de reabilitação, proporcionando uma fonte de renda e uma maior integração na sociedade, com isto, a população colaborando, desenvolve um papel onde se trabalha um pouco do conceito sobre responsabilidade social.

5 – Conclusão

Considerando os princípios estratégicos para mantermos as políticas de desenvolvimento sustentável:
-Restabelecer o ritmo de crescimento econômico;
-Atender os requisitos básicos de emprego, alimentação, energia e saneamento;
-Conservar e aprimorar a base de recursos naturais;
-Reorientar a tecnologia a administrar riscos;
-Compatibilizar os critérios de desenvolvimento e proteção ambiental na tomada de decisões, e partindo do contexto da necessidade de poupar matérias primas, conservar energia e preservar o meio ambiente, torna-se imperiosa uma eficiente gestão de resíduos sólidos.

Isto faz com que sejam priorizadas as chamadas tecnologias limpas – tecnologias que prevêem a substituição de matérias-primas poluentes, a modernização e a otimização de processos industriais e a economia de energia, além da mudança de visão com relação aos resíduos sólidos industriais que deixam de ser vistos como algo sem valor econômico e sem utilidade – apenas passíveis de serem dispostos no meio ambiente – para serem vistos como matérias-primas secundárias para o próprio processamento industrial que o gerou ou para outros processamentos industriais.

Baseado nesta afirmação, a coleta seletiva, entra como sendo um dos programas de grande importância na gestão de resíduos, e o cidadão passa a assumir efetivamente o papel de sujeito na sua relação com a coletividade e com a municipalidade.

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