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:: Editorial

Por um Brasil próspero

Ronaldo Gusmão

Presidente do IETEC 

Revista IETEC

Próspero, segundo o Dicionário Houaiss, é o adjetivo que caracteriza quem tem êxito, que progride, que é bem-sucedido. Qualquer brasileiro, de todas as faixas de renda e educação, entende essa definição. Todos almejamos a prosperidade.

No entanto, de nada adianta alguns de nós sermos prósperos, se o país como um todo não o for. Para que o Brasil tenha êxito e se torne, definitivamente, uma grande nação, é necessário bem mais do que crescer. É necessário desenvolver.
Assim como ocorre com as pessoas, que para serem prósperas precisam primeiro ter o básico – moradia, alimentação, mobilidade, segurança, saúde e educação – um país também precisa do básico, ou seja, proporcionar a todas as pessoas o acesso a estes serviços, compreendidos como básicos para a prosperidade individual. 
A prosperidade também pode ser traduzida como a esperança e o estado de felicidade das pessoas ou de uma nação. Hoje mais do que nunca poupar para assegurar um futuro melhor e investimentos em educação nos proporcionam este estado de felicidade.

Poupar para investir
Segundo o estudo ‘O Observador Brasil 2012’, os brasileiros têm investido mais na poupança e em outras aplicações. Entre 2005 e 2011, houve crescimento de 61,4% no valor poupado. Em 2005, os brasileiros declararam investir R$393 mensalmente na poupança, valor que passou para R$635 no ano passado, registrando a maior média em seis anos. Esse novo cenário reflete uma maior e melhor percepção do brasileiro do valor do seu dinheiro. Essa realidade ilustra, ainda, uma mudança de cultura, com o cidadão privilegiando investimentos de médio e longo prazo, como a aquisição da casa própria.
É bom ressaltar que isso ocorre mesmo com o governo insistindo em promover o consumo e o endividamento das pessoas e famílias. Vejam o caso dos empréstimos consignados, criado no governo passado, e a redução de impostos seletivamente (IPI de automóveis), ao invés de promover uma redução geral.
Além de poupar mais, há um número maior de pessoas pensando em guardar em detrimento de compras supérfluas. De acordo com o censo semestral divulgado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), pela primeira vez na história, mais da metade dos brasileiros possui alguma economia depositada na caderneta de poupança. São mais de 100 milhões de poupadores, um fato inédito e digno de registro. 

Nós, brasileiros, precisamos mudar nosso modelo mental. Precisamos desenvolver uma nova mentalidade, onde o planejamento e disciplina sejam valorizados. Precisamos valorizar o o trabalho em detrimento da Lei de Gerson, de levar vantagem em tudo.

Educar para desenvolver
Em relação ao investimento em educação, o que tem crescido de forma consistente são os valores investidos em treinamento e educação profissional. Há seis anos, a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) realiza a pesquisa “Retrato do Treinamento no Brasil”, divulgando os números no mês de dezembro. Os dados referentes a 2012 corroboram a tese de maior investimento – tanto por parte das empresas como das pessoas físicas – na qualificação profissional.
De acordo com o levantamento, os investimentos em Treinamento e Desenvolvimento seriam 36,9% maiores ao aferido no ano anterior, com um valor médio superior ao verificado em 2011, que foi de R$3.627. A regra é clara: fazer mais com menos, melhor e mais rápido. Para isso, não existe mágica. É necessário pensar diferente, fazer diferente; usar a criatividade para gerar novas idéias e principalmente, transformá-las em inovação.
Esse contexto, de poupança interna e de maiores investimentos em educação profissionalizante, gera uma expectativa de que, enfim, estejamos no caminho certo.
O Brasil cresceu, mas ainda não sabe o que quer ser. Precisamos nos desenvolver, e isso tem que ser um sonho coletivo, materializado pelas políticas de longo prazo do Estado brasileiro.
O momento mais propício ao aumento da produtividade é agora que vivemos o Pleno Emprego. Necessitamos valorizar, mais e mais, a educação e o treinamento para o trabalho, pois a produtividade do trabalhador brasileiro não aumentou quase nada comparado aos trabalhadores dos países desenvolvidos nas últimas décadas.

O país ainda é muito desigual, precisamos ter consciência de que o planeta tem limites, e que já consumimos 30% a mais do que a capacidade de regeneração da Terra, e mesmo assim temos famintos no Brasil. Maior produtividade, poupança, investimento em educação e melhor distribuição de renda. Só assim nos tornaremos uma nação próspera, de fato e de direito.
 

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