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Gestão e Tecnologia da Informação

De onde veio a análise de negócios e da informação?

Paulo Vasconcellos

Consultor, palestrante e articulista, com mais de 20 anos de experiência em projetos de desenvolvimento de sistemas, liderou projetos para empresas como Liberty Seguros, Lojas Riachuelo, Renault do Brasil, O Boticário, Marítima Seguros, dentre outras.

Jornal Diário do Comércio

Um dia existiram os analistas de organização e métodos - O&M. Íntimos da alta direção, esses profissionais deveriam garantir boa distribuição de recursos e total padronização dos métodos de trabalho. Desenhando processos, políticas, leiautes de instalações e formulários, os analistas de O&M demonstravam toda a sua força.

Sabiam indicar, por exemplo, a posição de cada mínimo equipamento e cada surrada mesa de trabalho. E não havia uma desimportante comunicação interna que não fosse balizada por seus completos formulários (com quatro cópias carbonadas).
Não demorou para que aquele instrumento de integração e padronização virasse o motivador de entreveros mil. Nada a ver com má fé, incompetência, corrupção ou males afins. O fato é que ninguém gosta de árbitros e fiscais. Muito menos uma categoria que surgia batizada por Peter Drucker como os trabalhadores do conhecimento.
Há mais ou menos trinta anos tinha início uma grande revolução. Os computadores ficaram menores e mais acessíveis. Invadiram as empresas trazendo consigo novos profissionais, dentre eles o analista de sistemas. Não parece ser coincidência que o surgimento deste e a proliferação de novos fiscais - os sistemas de informação - tenha se dado na época em que os analistas de O&M foram extintos.
Chegam os anos 1990, a década das grandes promessas: downsizing, reengenharia, arquitetura cliente-servidor, interfaces gráficas, RAD, case, DBA’s, gerentes de projetos, analistas-programadores... Analistas-programadores? Pois é, alguma coisa não ia bem no mundo da análise de sistemas. Pode ter sido aanalysis-paralysis, doença que vitimou diversos projetos. Os analistas não conseguiam sair de um ciclo de entrevistas, modelos, brigas e mais entrevistas. Seriam os recém-chegados gerentes e DBA’s os hospedeiros originais daquele vírus?
Não importa. O fato é que os analistas de sistemas ganharam nova atribuição: codificar. Deveriam construir aquilo que projetavam. A ideia não era tão má. E os novos conceitos e ferramentinhas - RAD, case - davam a motivação necessária.
A academia também comprou a ideia dos "analistas-programadores". Gradativamente, impregnou os currículos de analistas e afins com incontáveis disciplinas técnicas em detrimento daquelas que ensinavam a entender pessoas e negócios. As escolas ignoraram por completo alertas como o de Tom DeMarco e Timothy Lister: "Nosso negócio é muito mais sociológico do que tecnológico, é mais dependente de nossas habilidades para conversar com pessoas do que das habilidades para conversar com máquinas" (Peopleware, McGraw-Hill, 1987).
Internet, telefonia celular, ERP, CRM, PLC, EAI, SOA... A virada do século chegou repleta de novidades tecnológicas. Impulsionado por elas, pela globalização e outras mudanças, o mundo dos negócios se tornou mais dinâmico e instável. Mas é hora de uma pausa e um retorno no tempo, mais precisamente para 1992. Neste ano, o Prof. Roberto Saviani publicava pela Atlas um livro chamado "O Analista de Negócios e da Informação". Um pequeno trecho: "(...) o mercado passou, desde o início da década de 80, a buscar um profissional que, utilizando a tecnologia de informação, pudesse apoiar a empresa em seus negócios, em sua forma de competitividade e tivesse uma visão muito mais ampla que somente a hermética área de Informática: o Analista de Negócios e da Informação."
Se o mercado realmente começou sua busca no início dos anos 1980, então ele demorou uns 30 anos para encontrar. Foi apenas nos idos de 2005/2007 que surgiram, no Brasil e lá fora, as primeiras vagas para analistas de negócios. Em algumas organizações, infelizmente, o analista de negócios ainda é visto como um "tirador de pedidos" - o profissional que ouve clientes e usuários e "anota" tudo o que ele precisa.
Outras, mais atentas, entendem que o analista de negócios chegou para apoiar os processos de descoberta e desenvolvimento de soluções. Quando essas soluções passam por TI, são esses profissionais que reforçam a noção de que o trabalho ali é "mais sociológico do que tecnológico", tem mais a ver com gente do que com máquinas.  cuidando dos diversos relacionamentos, gerenciando expectativas e, principalmente, se mostrando sinceramente comprometido com a solução de um problema que o analista de negócios realiza sua função.
 
 

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