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:: Mineração

Caracterização do resíduo sólido oriundo da fabricação de ferro-gusa para utilização em cerâmica na construção civil

João Bôsco Guedes

Químico do CDTN, atuante em: Pesquisas em ciências ambientais e técnicas nucleares

A indústria siderúrgica gera grandes quantidades de resíduos durante os seus processos produtivos, sendo que alguns destes resíduos são pós de granulometria fina e ricos em óxidos de ferro que como manuseio, forma uma névoa de poeiras dificultando a sua reutilização no processo produtivo. Essa pesquisa se dá no estado de Minas Gerais devido á sua atuação no cenário minerativo.

Dentre os principais resíduos sólidos gerados pelas indústrias de ferro-gusa a carvão vegetal estão: a escória de alto-forno, o pó e a lama do sistema de limpeza de gases, tais resíduos possuem elevados teores de ferro, com exceção do carvão vegetal, e contém pequenas concentrações de óxidos de alumínio, cálcio, magnésio, manganês e silício.

O desenvolvimento de tecnologias para redução, reciclagem e reutilização destes resíduos torna-se necessário para eliminar e/ou minimizar o passivo ambiental causado por sua disposição no solo.

Neste contexto, o setor siderúrgico da região está destinando parte dos seus resíduos como matéria-prima na produção de cerâmica, com isso, as condições do processo produtivo de peças de cerâmica e a proximidade das instalações dessas áreas fabris tornam economicamente viável o transporte e o uso destes resíduos, mas não selam a alternativa como ambientalmente correta.

Para um estudo desses materiais foram coletadas algumas amostras com o objetivo de verificar sua atuação ambiental, durante a pesquisa foi acompanhada a produção em alto-forno; processo no qual o carvão vegetal, os materiais minério de ferro, carvão vegetal e fundentes transformam-se em: gusa líquido, escória, gás de alto-forno e poeira. A redução dos óxidos de ferro se processa à medida que a carga sólida desce no interior do forno encontrando-se com os gases de queima que sobem, pré-aquecendo os materiais de carga e modificando sua composição. O oxigênio que estava combinado com o ferro passa a fazer parte dos gases, havendo novas reações químicas que formarão a escória.

Como consequencia das atividades industriais surgem os resíduos, que se apresentam como: sólidos, líquidos ou gasosos, os quais devem ser gerenciados corretamente, visando à minimização de custos e redução do potencial de geração de impactos ambientais, nesse caso notamos com maior afinco a atuação dos resíduos sólidos que podem contaminar desde a atmosfera até os lençóis freáticos.

De acordo com as leis 6.938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, e 9.605/98, que trata dos crimes ambientais, a responsabilidade pela reparação de qualquer dano ambiental é objetiva e a responsabilidade é solidária, mostrando que, independente do fato gerador, a empresa será chamada para remediar qualquer passivo gerado devido à má gestão de resíduos.

Um adequado Sistema de Gestão de Resíduos (SGR), para atender plenamente às diretrizes atuais de proteção ambiental e responsabilidade social, deve ter por objetivo, em ordem decrescente de prioridade, a eliminação, minimização, reuso ou reciclagem dos resíduos. Este sistema é perfeitamente possível de ser implementado, uma vez sendo planejado desde o projeto do empreendimento.

A poluição industrial é, de certa forma, ineficiência dos processos produtivos, representando desperdício e perda de matéria-prima e insumos. O processo industrial deve ser, então, revisado, a fim de detectar as falhas, buscando novas aplicações para os resíduos gerados, em acordo com a metodologia da qualidade [4].

A geração dos resíduos perigosos trouxe vários transtornos à medida que houve intensificação do processo de industrialização. Atualmente, o gerenciamento de resíduos industriais é baseado em conceitos, como minimizar, valorizar, dispor e reaproveitar, onde inclui reutilizar, recuperar e reciclar.

Resíduos gerados na produção industrial, são tratados com a finalidade de recuperar frações ou substâncias que podem ser aproveitadas no processo produtivo em condições economicamente viáveis. No caso de resíduos industriais perigosos traz três vantagens: reduz volume de resíduos, custo do tratamento sem falar de disposição dos resíduos que são gerados. Ainda contribui para prolongar a vida útil das jazidas dos minerais menos comuns. Dessa forma, reduz a poluição causada pelas atividades mineradoras. Por outro lado, nos processos de recuperação poderão não se sustentar economicamente. Recuperar muitas vezes não tem sustentação do ponto de vista econômico, se os custos forem elevados no tratamento, não serão cobertos pela receita do material recuperado.

De acordo com a NBR 10004, (Norma de Classificação de Resíduos), indicaram a escória e os finos de minério como resíduo de classe III (resíduos inertes), a moinha como resíduo classe II (não inerte) e o pó de coletor e a lama de alto-forno como resíduos classe I (perigosos).

Praticamente todo o tipo de material pode ser analisado por ICP, com adicionais vantagens em relação a outros métodos: Possibilidade de análise multi-elementar simulataneamente de um elevado número de elementos químicos, o que nem sempre é possível na absorção atômica. Linearidade da curva analítica numa faixa muito ampla, evitando-se uma série de diluições, que provavelmente seria necessária se a técnica fosse absorção atômica.

Para a construção desse trabalho, foram coletas nos pátios de uma siderúrgica de ferro-gusa e de uma indústria de e cerâmica, ambas situadas no município de Sete Lagoas, as amostras dos resíduos sólidos foram obtidas em parcelas individuais, em pontos e profundidades diferentes, o objetivo foi obter uma amostra composta com as mesmas características e propriedades da massa total do resíduo amostrado, de acordo com as recomendações da ABNT.

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