Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

Gestão de Projetos Brasil III

Ronaldo Gusmão

Presidente do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

O Brasil viveu na década passada um processo de estabilização da economia e atração de investimentos, e mais recentemente os investimentos ficaram mais difíceis em função da crise global de 2008 e a volta da inflação nos últimos anos. Isto significa que deveríamos fazer mais com menos recursos, e não é o que está acontecendo com inúmeros projetos (empreendimentos) de infraestrutura, de mobilidade urbana, saneamento e obras para a copa do mundo, para citar alguns.

Estamos presenciando via os meios de comunicação o caos logístico no Brasil: nos portos, aeroportos e rodovias, os atrasos nos estádios de futebol e principalmente o estouro nos custos das obras públicas. È inconcebível e inaceitável um estádio de futebol, uma usina hidrelétrica, uma obra de transposição ficar 50% mais caro do que o previsto. Mais uma vez nós os contribuintes vamos pagar a conta.

Melhores práticas até mesmo metodologias em gestão de projetos existem, necessitamos de melhores práticas nas questões políticas que afetam diretamente os projetos.

Precisamos sim evoluir em gestão de projetos. A pesquisa divulgada em fevereiro de 2013 com o nome “Maturidade Brasil 2012”, coordenada pelo respeitado professor e consultor Darci Prado, apresenta resultados com relação à maturidade em gerenciamento de projetos, em governos, ONGs e diversas empresas de vários setores da economia, e demonstra que o nível de maturidade da gestão de projetos contribui diretamente para os resultados do negócio. A maturidade está ligada à capacidade das organizações de gerenciarem os seus projetos com sucesso, isto é, no escopo, prazo, custo e qualidade acertados!

Numa escala de 1 a 5, a pesquisa mostra que a maturidade média das empresas brasileiras alcançou 2,60, portanto temos muito que evoluir. O nível 1 é o estágio inicial, 2-conhecido, 3-padronizado, 4-gerenciado e 5-otimizado, ou seja, estamos entre os níveis conhecido e padronizado, e a conclusão é que ainda temos um enorme caminho pela frente para atingirmos o nível ideal que é o otimizado. Pela pesquisa realizada somente 0,5% das organizações encontram-se neste patamar, e próximo deste estágio existem apenas 9,4% das organizações com seus projetos sendo gerenciados de maneira adequada.

A pesquisa de maturidade apresenta informações, ainda mais preocupantes, para o setor de tecnologia da informação que evoluiu pouco em relação a 2008, pois revelam que somente 57,5% dos projetos de TI foram totalmente bem sucedidos, 14% estouraram os custos e 22% atrasaram seus projetos. Para a indústria da construção somente 49,5% dos projetos tiveram sucesso total, 16% estouraram o orçado e 24% atrasaram seus projetos. Isto é extremamente alarmante para as empresas que dependem de projetos, uma vez que a pesquisa ressalta a ligação direta e certa dependência entre se ter maturidade e ter sucesso nos negócios.

Em outra pesquisa realizada pelo Ietec, em julho de 2012, durante o 15º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, constatou-se um avanço tímido no uso de metodologias para gerenciamento de projetos: Hoje o conceito de gestão de projetos faz parte da estratégia de 84% das empresas participantes, em 2008 era 83%. Atualmente 71% utiliza algum método para priorizar projetos, antes era 64%.

Percebe-se que 66% das empresas utilizavam padrões e procedimentos em 2008, agora 80% utilizam. O avanço mais significativo era que somente 29% das empresas tinham a metodologia implementada, hoje 80% possuem metodologias de projeto em sua organização. Mas os problemas continuam os mesmos, isto é, o não cumprimento de prazos (28%) e o estouro nos custos (15%) continua no rol dos principais problemas enfrentados pelas empresas, assim como as habilidades profissionais mais valorizadas em 2008 são as mesmas de hoje: liderança e comunicação.

Muito trabalho e aperfeiçoamento eram o que as empresas pretendiam fazer em meados de 2012, desenvolvimento e/ou revisão de metodologia de gerenciamento de projetos, implementação de indicadores de desempenho e adoção de ferramentas de gerenciamento de projetos.

As melhores práticas em gestão de projetos devem ser imperiosas neste momento da economia brasileira. Os escopos dos projetos não podem sofrer alterações políticas, que impliquem em alteração dos custos ou na qualidade dos mesmos, e os prazos devem ser cumpridos rigorosamente por todos. A boa governança em projetos serve tanto para os governos, para nossas empresas públicas, e principalmente para nossas empresas privadas que competem num mundo cada vez mais globalizado.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo