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Tecnologias

O biomonitoramento como frramenta complementar na avaliação de impactos ambientais - Discutindo conceitos

Josanídia Santana Lima

PhD em Ecologia Paisagística pela Universidade de Kassel, Alemanha

1. INTRODUÇÃO

Com o desenvolvimento industrial surgiram palavras novas em nosso vocabulário. Algumas já têm seu significado incorporado em nosso dia-a-dia, como poluente e poluição. Entretanto, identificar e mensurar o efeito de poluentes no ambiente exige, na maioria das vezes, um esforço multidisciplinar. Avaliar o comportamento do poluente no ambiente, através do monitoramento da sua ação em organismos vivos é um tópico novo nas ciências ambientais, que tem sido chamado de biomonitoramento ou bioindicação. O fundamento disso é que um estímulo ambiental, assim como um estímulo proveniente de um poluente, provocam reações no organismo vivo e podem acarretar várias alterações em seu funcionamento. Nos métodos da bioindicação, o comportamento do organismo frente a um agente estressor é utilizado na avaliação da qualidade de um ambiente. O monitoramento através de métodos físico-químicos aborda o tipo e a intensidade de fatores, inferindo eventualmente sobre os efeitos biológicos. Enquanto que na bioindicação são obtidas informações sobre os efeitos de estressores no sistema biológico, podendo-se eventualmente inferir sobre a qualidade e quantidade do fator estressor.

A área de monitoramento biológico é jovem, tendo a Europa como palco principal de desenvolvimento, com enfoque na avaliação da poluição atmosférica. No Brasil esta metodologia começa a despertar interesse em questões voltadas a avaliação de impacto ambiental. Esta revisão se propõe a discutir o biomonitoramento introduzindo conceitos relacionados às várias áreas envolvidas na questão da poluição ambiental.

2. A BIOINDICAÇÃO

Um estímulo ambiental, assim como um estímulo proveniente de um poluente provocam reações no organismo vivo e pode levar a várias alterações no seu funcionamento. Efeitos por sua vez são todos os tipos de reações de um organismo a poluentes: alterações na composição química; alterações na concentração de substâncias; alterações de aspectos anatômicos, fisiológicos, de desenvolvimento, ecológicos, etc.

Nos métodos da bioindicação, o comportamento do organismo é utilizado na avaliação da qualidade de um ambiente. Existem vários níveis de estudos dos efeitos, indo desde a resposta de um indivíduo até da comunidade como um todo. A abordagem vai depender da questão a ser respondida. Conforme esta questão, o período de observação pode variar de poucos dias a vários anos.

Com frequência, o conceito bioindicação é usado para definir reações, dependentes de uma variável temporal, a um fator ambiental antrópico ou modificado antropicamente, ou seja, modificado pelo homem, manifestadas através de respostas mensuráveis provenientes de um objeto ou sistema biológico. Essas respostas têm que ser comparáveis em situações padronizadas.

O desenvolvimento na área do monitoramento biológico, especialmente na Europa, provocou o surgimento de inúmeras designações para métodos e enfoques que se desenvolveram em conexão com diferentes linhas de pesquisas e aplicações práticas.
Os dois tipos básicos de indicadores são chamados de "indicadores sensíveis" e "indicadores acumuladores". Ambos indicadores podem ser encontrados entre os organismos testes, organismos monitores e indicadores ecológicos.

Organismos testes são empregados em metodologias de laboratório altamente padronizadas, cujos resultados são também altamente reprodutíveis. Neste grupo são incluídos, entre outras metodologias, os testes com algas, daphnia, peixes, etc. Estas metodologias têm sido amplamente utilizadas no monitoramento da qualidade da água. Esforços recentes no desenvolvimento de metodologias de testes biológicos no controle da qualidade do ar, especificamente no monitoramento de emissões, têm trazido bons resultados.

Organismos monitores são geralmente empregados em metodologias que monitoram condições ambientais e que fornecem informações necessárias ao controle aplicado da poluição, especialmente da poluição do ar. No caso de "monitores biológicos ativos", eles são "introduzidos" padronizadamente no ambiente. A gramínea, por exemplo, é utilizada para avaliar o acúmulo de poluentes como metais pesados; o tabaco é empregado na avaliação do efeito do ozônio; líquens são usados na determinação de efeitos fitotóxicos e acúmulo de poluentes. Procedimentos que estudam diretamente ou coletam amostras de organismos presentes no ecossistema e as transportam para análise no laboratório são chamadas de "monitores biológicos passivos".

A combinação de várias metodologias do monitoramento biológico e a sua aplicação sistemática no controle da poluição, constitue uma rede de monitoramento de efeitos, a qual pode fornecer informações essenciais a órgãos governamentais e instituições interessadas, colaborando na implemantação de estratégias de controle da poluição, a exemplo do que ocorre na Europa, especialmente na Alemanha no controle da poluição do ar.

Os dois tipos de indicadores, organismo teste e organismo monitor, fornecem apenas resultados auto-ecológicos, isto é, os efeitos observados não podem ser automaticamente transferidos para outros organismos ou para o ecossistema. Para se obter informações sobre as condições ou o comportamento do ecossistema como um todo, "indicadores ecológicos" precisam ser usados. Estes fornecem informações sobre o estado de um habitat no qual os organismos existem em condições naturais de competição. Uma bioindicação que se propõe a ter aspectos sinecológicos não pode se basear em alterações ambientais mais ou menos casuais. Ela deve identificar reações chaves, que se relacionem com organismos dominantes ou que exerçam outras influências de significado no ecossistema.

O monitoramento visto como a avaliação de efeitos de agentes estressores, fornece informações a respeito de sobrecargas e sobre a necessidade da existência de medidas de proteção. Ele funciona como um controle do sucesso dos procedimentos técnicos adotados e como fator de decisão no enpreendimento da proteção ambiental. O sistema de monitoramento trata da implantação de procedimentos que avaliam as respostas de organismos frente a "estímulos" ambientais, independente de serem estes emissões atmosféricas ou outros. Adicionalmente, o monitoramento permite a documentação espacial e temporal de uma sobrecarga. As informações adquiridas através do monitoramento podem ser empregadas na identificação de poluentes de origem local ou regional e na avaliação de efeitos com alcance local, regional ou global. Além disso o monitoramento fornece informações importantes que podem ser necessárias na indicação do responsável pelos efeitos provocados, mesmo quando o agente estressor se encontre na faixa de limite aceitável.

3. FUNDAMENTOS DOS MÉTODOS BIOLÓGICOS

Todos os efeitos causados a organismos por poluentes ambientais são importantes. Entretanto por diferentes razões, na prática, podemos medir apenas alguns desses efeitos. Geralmente seleciona-se efeitos significativos em organismos representativos. Organismos vegetais podem ser considerados como indicadores da poluição de modo representativo, quando reações semelhantes forem observadas em outros organismos de outras espécies (indicador representativo). Do mesmo modo o efeito é representativo, quando um efeito em uma planta indicadora permite conclusões sobre outro efeito no mesmo indicador (efeito representantivo). O efeito importante deve ser escolhido considerando-se a relação entre a questão a ser respondida e o indicador.

Características das Técnicas de monitoramento biológico
Os critérios abaixo discutidos são importantes para todos os tipos de monitoramento biológico.

4.1 Sensibilidade

Dois aspectos são abordados na sensibilidade: Uma planta é quanto mais sensível quanto menor for o estímulo, que provoca um efeito reconhecível, ou seja, identificável (valor limite). Adicionalmente como sensibilidade também se caracteriza a propriedade de responder diferentemente a estímulos de diferentes intensidades (poder de resolução, capacidade de diferenciação). Geralmente a sensibilidade somente pode ser determinada em experimentos controlados. Em casos especiais pode se determinar em pesquisa de campo a sensibilidade de um vegetal indicador, quando o grau de poluição da área é conhecido e apresenta gradientes de concentração.

4.2 PRECISÃO

A precisão avalia a integridade, segurança com que se pode atribuir o efeito observado aos poluentes emitidos em uma dada área. A precisão informa sobre a influência de erros sistemáticos na magnitude dos resultados medidos.

Para se checar a precisão das análises (medições) dos efeitos em vegetais é importante se determinar os limites de detecção dos procedimentos analíticos. Duas possibilidades são possíveis. Em ambas deve existir um número estatisticamente significativo de dados. De um lado pode-se determinar uma área de pesquisa, onde parte das estações experimentais se encontre fora da influência das emissões; por outro lado pode se determinar suficientes pontos controle. Estes devem estar localizados em uma área distante, sem a influência direta do estressor, porém apresentando condições climáticas comparáveis.

Considerando a primeira possibilidade, um grupo de plantas pouco expostas é usado como referência. Na segunda possibilidade, resultados obtidos na área controle são usados como referência.

Para se determinar o valor "normal" de um determinado fator (concentração de SO2, p.ex.), um valor três vezes maior que o desvio padrão das medições é adicionado à média dos valores obtidos. Dentro desta faixa o valor obtido ainda pode ser considerado como normal.

4.3 ESPECIFICIDADE

Este parâmetro é a medida da clareza com a qual certo efeito observado pode ser atribuido a um determinado poluente. A especificidade de um procedimento é elevada quando a reação típica da planta ocorre somente como resposta a um poluente específico (ex.: reação do tabaco ao ozônio).

4.4 DURAÇÃO DAS MEDIÇÕES

A duração das medições nos procedimentos do biomonitoramento é basicamente determinada pelo ciclo de crescimento do indicador. A duração de uma exposição está vinculada ao ciclo de desenvolvimento do vegetal, porém também à dinâmica do poluente. Monitoramento com vegetais silvestres geralmente são feitos considerando o ciclo completo da planta, variando por isso de uma estação, meses ou até anos. Os efeitos medidos representam respostas de todos indivíduos dentro daquele período monitorado.

4.5 FAIXA DE VALIDADE ESPACIAL E TEMPORAL

A validade espacial e temporal é a medida relativa da coerência (validade) quando da transferência dos efeitos observados para a realidade (condições) de um outro período e espaço.

4.6 TRANSFERÊNCIA (REPRESENTATIVIDADE)

Este parâmetro é a medida da coerência de um determinado efeito quando observado seu comportamento em outro organismo.

4.7 IMPORTÂNCIA

A importância deve ser fortemente considerada quando se tratar de organismos essenciais ao homem (animais domésticos) ou ao ecossistema como um todo (espécies dominantes), ou ainda se tratar de um indicador de elevada representatividade.

4.8 REPRODUTIBILIDADE

Este parâmetro é a medida da exatidão. Ele provê informações sobre a confiança dos resultados com respeito a erros casuais e é expressado através de parâmetros estatísticos comuns (p.ex.: desvio padrão). Deve-se observar a necessidade de amostras paralelas no cálculo do desvio padrão, uma vez que a variação dos valores é dependente do grau de poluição da área de exposição.

Existe uma série de procedimentos já testados, que foram desenvolvidos considerando os critérios acima descritos e que já foram, em parte, padronizados.

5. CONTROLE DE QUALIDADE DAS TÉCNICAS DE MONITORAMENTO BIOLÓGICO

Para se evitar ou diminuir erros sistemáticos, certos fatores devem ser eliminados ou reduzidos: uso de diferentes espécies ou cultivares; estágio de desenvolvimento diferente; condições diferentes de desenvolvimento; ocorrência de doenças e pragas, etc. A padronização das distintas fases do procedimento ajuda a reduzir erros sistemáticos e casuais. Por esta importante razão devem ser registrados dados sobre o desenvolvimento do vegetal, para que em qualquer momento possa ser realizada uma averiguação do padrão de qualidade de métodos do monitoramento biológico. Outra medida de controle de qualidade inclue a exposição de indicadores em "open top chambers" (câmaras de topo aberto) ou sistemas abertos de fumigação com ar filtrado ou exposto em áreas controle. Um número suficiente de amostras paralelas se faz necessário. O procedimento analítico é controlado através de padrões padronizados internacionalmente. No monitoramento passivo é obrigatório um número suficiente de amostras paralelas.

Estudos sobre efeitos devem ser cuidadosamente planejados e executados, por causa das oscilações constantes (estações do ano, condições atmosféricas, estágio de desenvolvimento dos vegetais, etc). Essas oscilações não podem ser simplesmente repetidas, por isso falhas de planejamento ou execução não poderão ser corrigidas mais tarde.

5.1 PARÂMETROS PARA MEDIÇÃO DE EFEITOS

Inventários dos efeitos são realizados considerando-se, entre outras fatores, a concentração de substâncias, atividade enzimática, atividade fotossintética, grau de clorose, grau de necrose, perda de folhas, senescência prematura, desenvolvimento, produção e taxa de mortalidade. Acúmulo de poluentes é chamado dose efetiva, a qual é uma medida da sobrecarga e por isso um indicador do perigo da planta ou do consumidor (no caso de contaminação de alimentos).

Plantas úteis tem antes de tudo um valor econômico, que é determinado, por um lado, pela quantidade produzida e por outro pela qualidade, que com excessão de plantas ornamentais, a qualidade de frutas e verduras é determinada pelo teor dos seus componentes valiosos.

Ao lado do valor econômico, existe o aspecto da importância ecológica e estética, especialmente quando se trata de florestas. A performance dos ciclos biogeoquímicos, a proteção de plantas e animais, a manutenção da biodiversidade, exuberância e beleza da natureza são fatores que ao lado de serem vistos como recursos econômicos, devem ser aproveitados como potencial ecológico.

6. MÉTODOS DO MONITORAMENTO PASSIVO

O estudo do vegetal no seu local de desenvolvimento provê informações seguras sobre a relação entre determinado efeito e suas causas. Em função da elevada complexidade de vegetais superiores e do amplo espectro de reações de sistemas vegetais, se faz necessário a escolha de métodos especiais, a fim de que essas informações possam ser, de fato, obtidas. Fatores exógenos (ambientais), como também endógenos (da planta) podem causar reações nas plantas, que são comparáveis com aqueles provocados por poluentes, especialmente poluentes atmosféricos, ou eles podem alterar o potencial danoso de poluentes.

Procedimentos adotados no local de desenvolvimento do vegetal são divididos em estudos empregando-se plantas crescidas ao ar livre ou crescidas em open top chambers (OTC). Estudos locais podem ser desenvolvidos com longa ou curta duração. Open top chambers são cilindros transparentes sem teto, ou seja, sem abertura na parte superior. A composição dos poluentes no interior do OTC pode ser selecionada ou variada usando-se um sistema de filtração do ar. Podendo-se usar também ar filtrado sem poluentes como controle experimental. Em sistema de fumigação ao ar livre, o ar local é filtrado ou tem sua composição modificada, sendo conduzido para o interior da câmara através de tubos perfurados na altura do solo ou com altitudes de baixa elevação, onde é distribuido na cobertura vegetal. A inexistência de paredes permite que as condições climáticas na câmara sejam semelhantes ao ar livre.

6.1 PLANTAS SILVESTRES

Estudos com plantas silvestres pretendem fornecer informações sobre alterações na vegetação natural e no caso de poluição atmosférica, procura demonstrar a relação causa-efeito. A diagnose diferencial é um método para resolução de problemas complexos. Procedimentos no biomonitoramento de plantas silvestres se dividem em dois grupos:

6.1.1 ESTUDOS DE ESPÉCIES VEGETAIS

Somente uma espécie é objeto do estudo. Exemplos de métodos atualmente em uso:

Monitoramento de acúmulo de poluentes (ex: metais pesados) em vegetais superiores ou inferiores;

Estudo sobre o modelo de distribuição de espécies de líquens (ex: Lecanora conizaeoides) em áreas poluidas;

Determinação do grau de cobertura foliar de espécies arbóreas;

Inspeção do grau de danos (ex: necrose).

6.1.2 ESTUDOS COM COMUNIDADES VEGETAIS

Neste caso várias espécies ou uma certa comunidade vegetal é escolhida para o estudo. Exemplos de métodos atualmente em uso:

Mapeamento de líquens em um determinado substrato;

Estudos sobre alterações na biodiversidade causada por poluição em determinada comunidade vegetal;

6.2 PLANTAS CULTIVADAS

A avaliação ecológica e econômica de sistemas de cultivo varia amplamente oscilando entre sistemas totalmente artificiais como as monoculturas, sistemas de rotação de culturas, caracterizados por uma baixa biodiversidade, até sistemas que se aproximam do natural como por exemplo culturas extensivas, plantação de cacau, etc. Em princípio os métodos listados no tópico anterior podem ser aplicados também para plantas cultivadas.

Os efeitos da poluição sobre culturas tem importância econômica, porque:

Reduz a produção;

Baixa a qualidade da colheita (aparência e valor nutritivo);

Pode resultar em acúmulo de substâncias tóxicas (para o homem, animais e vegetais);

Pode provocar distúrbios e alterações no funcionamento de sistemas agrícolas;

A susceptibilidade de culturas a poluentes é influenciada pelas práticas agrícolas adotadas e por fatores inerentes, tais como:

Fertilização e fertilidade do solo;

Doenças, pragas, parasitas;

Entrada de substâncias via agroquímicos e resíduos;

Uso de agrotóxicos;

Tratamento de solos;

Estes fatores são capazes de provocar danos semelhantes aos provocados por poluentes atmosféricos (ex: necroses provocadas por deficiência de potássio ou poluição por fluoreto). Esses fatores precisam ser considerados na discussão sobre efeitos da poluição atmosférica e suas consequências econômicas. Adicionalmente deve ser considerado grau diferenciado de susceptibilidade das culturas à poluição atmosférica.

6.3 FLORESTAS

As florestas se caracterizam por diferentes sistemas e intensidade de aproveitamento. Comercialmente, cultivo de espécies exóticas é o tipo mais extremo de distorção antrópica nos ecossistemas florestais. Ao contrário deste, existe a conservação de parcelas de sistemas florestais naturais, impedidas de serem usadas pelo homem e que representam a biodiversidade de sistemas florestas genuinos.

A poluição atmosférica em espécies florestais tem um efeito econômico, atua interferindo na ciclagem de nutrientes e por isso na manutenção do sistema, tem um papel importante na função recreativa e de lazer da floresta e pode ter ainda uma relevância regional e global.

6.3.1 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Redução na qualidade da madeira provocada pelo crescimento rápido como consequência do input aumentado de nitrogênio;

Redução na produção como consequência da acidificação do solo e erosão;

Redução na produção como consequência da ação de poluentes na atividade fotossintética (ex: ozônio)

6.3.2 IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA

Decréscimo da capacidade de acumular água causada por redução da biomassa;

Redução na produção de oxigênio provocada pela limitação da capacidade fotossíntetica;

Limitação na absorção de dióxido de carbono;

Redução da eficiência como filtrador de impurezas aéreas como consequência de falhas no dorsel;

Redução na proteção contra barulho por causa da perda da estrutura estratificada da floresta;

Degradação de horizontes do solo provocada pela devastação como documentação de alterações na vegetação;

Perda da vitalidade vegetal;

Redução da biodiversidade no ecossistema florestal;

Redução da qualidade do lençol freático por causa do incremento na entrada de água e baixa na capacidade de filtração do solo;

Do mesmo modo com plantas cultivadas, a susceptibilidade das florestas é também determinada por fatores inerentes como:

Manejo florestal (derrubada, reflorestamento, poda, etc);

Fertilização e uso de calcáreo;

Doenças, pragas, etc

Os fatores mencionados podem, em determinada extensão, provocar os mesmos danos causados pela poluição atmosférica. Os métodos biológicos para determinar a influência da poluição do ar em florestas são os mesmos descritos para plantas silvestres.

MÉTODOS DO BIOMONITORAMENTO ATIVO
Tais métodos consideram os fatores que exercem influência de tal forma, que o efeito da poluição do ar em plantas pode ser determinado com segurança. Para isso a metodologia tem que ser completamente padronizada (uso de plantas geneticamente homogênea, fase de desenvolvimento, substrato, sementes, solução nutritiva, água, etc, padronizados). A própria exposição deve ser padronizada (equipamentos, período, duração, localização, etc). A metodologia do cultivo e exposição de grama é um exemplo da padronização de um método.

Para responder certas questões, principalmente para analisar causas, culturas padronizadas podem ser expostas em câmaras ou experimentos de fumigação ao ar livre, com ar filtrado ou não filtrado ou com composição modificada.

POSSIBILIDADES E LIMITES DE MÉTODOS BIOLÓGICOS

O objetivo de toda medida de proteção contra a poluição do ar é prevenir/limitar os efeitos (controle preventivo da poluição do ar). Evidências do sucesso de tais medidas podem ser fornecidas somente através de estudos sobre o efeito em organismos. No caso de reclamações, métodos biológicos fornecem evidências sobre o tipo e extensão dos efeitos. Além disso os resultados obtidos através de métodos biológicos e redes de monitoramento funcionam como informações básicas na avaliação dos efeitos na área como um todo. Adicionalmente, métodos biológicos são particularmente adequados para revelar pontos de conflitos de interesse na política de controle da poluição, ajudando a resolvê-los indicando medidas corretivas. É importante mencionar a possibilidade que esses métodos têm de fornecer informações sobre a contaminação de alimentos animais e vegetais com fluoretos, metais pesados e compostos orgânicos. Métodos biológicos são importantes na detecção precoce de efeitos de poluentes atmosféricos, que podem causar alterações no ecossistema. Em muitos casos bioindicadores são capazes de revelar efeitos sinérgicos ou antagônicos da poluição do ar.

Embora resultados obtidos através de métodos biológicos possam fornecer informações sobre os tipos de emissões ou poluentes envolvidos, conclusões sobre a concentração de poluentes atmosféricos no local do experimento são possíveis em reduzidas possibilidades e não deve ser o objetivo do trabalho. Por outro lado efeitos observados nos indicadores empregados podem ser extendidos para outras espécies vegetais, bem como para animais e o próprio homem.


MANIFESTAÇÃO DO EFEITO

Até que ponto as imissões podem causar efeitos na vegetação depende de fatores endógenos e exógenos. Combinações diferentes dos vários fatores presentes na área de exposição levam a respostas.

Possibilidades de Comprovação de Efeitos
8.2.1 Abordagem de Exclusão

Para se analisar as causas do efeito observado, fatores abióticos na área de exposição (ar, clima, solo), como também parâmetros biológicos (infiltração de parasitas, competição) devem ser avaliados. Esta metodologia avalia a relação entre cada fator que deve ser considerado com o efeito observado. No caso de um resultado negativo, o fator é excluido de outras avaliações. O procedimento é repetido até que o fator que provoca o efeito seja identificado. Na situação ideal apenas um fator permanece no final. Frequentemente é necessário o monitoramento de poluentes atmosféricos em áreas adjuntas, bem como das condições meteorológicas.


DIAGNOSE DIFERENCIAL

Frequentemente a comprovação da causa do efeito atribuido à poluição atmosférica, somente pode ser feita através de uma diagnose diferencial. Neste caso, vários dos efeitos são testados um a um no intuito de se formar uma cadeia de indícios. Para se estudar efeitos não específicos os seguintes procedimentos devem ser usados na diagnose diferencial:

Determinação da resistência da espécie vegetal;

Comprovação de um poluente na planta;

Estudos bioquímicos e fisiológicos;

Estudos microscópicos;

Estudos macroscópicos;

Interpretação de fotografias aéreas;

Estudos ecossistêmicos e de comunidade de plantas;

Mapeamento da distribuição espacial de danos ou acúmulo de

substâncias;


COMPROVAÇÃO DIRETA

Evidências de que vegetais podem ser afetados pela poluição atmosférica podem ser facilmente comprovadas quando o poluente se acumula na planta. A evidência é forte, quando a concentração natural desse poluente na planta é baixa e dificilmente varia. A concentração de poluentes atmosféricos que não são essenciais para as plantas como muitos metais pesados, fluoretos, hidrocarbonetos ou certos compostos orgânicos, sofre incrementos evidentes na planta. Nestes casos evidências sobre acúmulo causado por poluição atmosférica podem ser facilmente comprovadas. Por outro lado, a contribuição da poluição do ar para com aqueles componentes que são metabolizados pelas plantas, como metais pesados essenciais, enxofre ou óxidos de nitrogênio, não pode ser determinada com análise foliar.

A presença de poluentes atmosféricos individuais pode ser confirmada usando plantas que reagem especificamente (tabaco, gladíolo,etc). Em certas circunstâncias, o tipo de dano na folha fornece evidências sobre o tipo de poluente. Por exemplo em folhas de vegetais superiores, os danos causados pelo fluoreto são diferentes daqueles provocados por dióxido de enxofre ou ozônio. O efeito desses componentes pode ser quantificado determinando-se a percentagem da área danificada.

Outros métodos (mapeamento e exposição de líquens, por exemplo) podem comprovar claramente a influência de poluentes atmosféricos, mas não fornecem informações sobre que tipo de poluente está envolvido. Esses métodos funcionam na indicação geral de efeitos pela presença de poluentes. Eles fornecem informações gerais sobre a qualidade do ar.

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