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A capacidade de inovar é decisiva para o aumento da competitividade empresarial

Ana Carolina Pacheco

Para melhorar ganhos nos próximos anos, empresas devem ter obsessão por inovação

Inovação.

Os executivos brasileiros já percebem a importância que essa palavra tem para a garantia de bons resultados dentro das organizações. Devido à forte concorrência entre as empresas – em nível cada vez mais global – o investimento em inovação se tornou um importante diferencial competitivo, o que faz com que as empresas busquem formas de fomentar a inovação e a demanda por programas de incentivo na área seja crescente no Brasil.

De acordo com a Finep, Financiadora de Estudos e Projetos, as contratações para financiamento de projetos podem alcançar R$5,5 bilhões, até o final de 2013. Em relação às operações contratadas, em fase de contratação e análise, a soma é de R$13,1 bilhões, o que corresponde a um aumento de R$4 bilhões em relação a dezembro de 2012. Mesmo assim, o Brasil dá sinais de que precisa melhorar, e muito, para ser uma referência em inovação. De acordo com o Índice Global de Inovação 2013, o Brasil caiu seis posições em relação a 2012, alcançando o 64º lugar no ranking de inovação.

Buscar inovação é agregar mais valor ao negócio e, consequentemente, obter mais lucro. Uma pesquisa internacional realizada pela GE em 25 países, Barômetro Global da Inovação, apontou que para 95% dos executivos brasileiros, investir em inovação é considerado prioridade estratégica.

Para que as empresas tenham maior competitividade, é necessário que seus profissionais sejam qualificados para aprender a inovar. Segundo o coordenador da pós-graduação em Engenharia de Inovação do Instituto de Educação Tecnológica, José Henrique Diniz, esse é um novo conceito desenvolvido pelo Instituto. Para ele, essa especialidade capacita os alunos na filosofia de que inovar é preciso. Mais do que isso: “demonstramos, com exemplos práticos, que as organizações que ainda não se preocuparam com essa questão, estão fadadas ao fracasso”, afirma. Para Vinícius Munhoz, engenheiro eletricista que atua na área de gestão comercial, essa visão é essencial. Ele, que é sócio-diretor de uma empresa de consultoria e pós-graduado no Ietec, acredita que “só poderá alcançar o sucesso empresarial no futuro quem inovar hoje”.

Para Diniz, essa modalidade de engenharia trata em primeiro plano da boa compreensão do conceito de inovação a fim de que os profissionais possam aplicá-lo. “Inovação é a soma de criatividade (algo novo, novidade), com a atitude (ação, empreendedorismo, fazer acontecer) e o resultado (econômico-financeiro e ou socioambiental). Inovação nada mais é do que uma ideia criativa que, trabalhada de forma adequada, gera resultados”, destaca o coordenador. “As empresas precisam amadurecer o conceito de inovação para depois aplicar as suas ferramentas na sua estratégia de negócio”, pontua Munhoz.

Munhoz é um bom exemplo dessa realidade. Ele conta que os conhecimentos adquiridos na pós-graduação são diariamente aplicados na composição dos projetos comerciais que ele oferece às empresas com as quais trabalha. “Em 2013, estou iniciando uma parceria com uma companhia de origem alemã que é fabricante de equipamentos e de tecnologias aplicadas à separação de materiais, atuando nos segmentos de reciclagem de resíduos, separação de metais e mineração. Para firmar essa parceria, foi indispensável o desenvolvimento de competências técnicas como a inovação e a gestão de projetos”, atesta.

Para Fernanda Cançado, gerente de projetos da Accenture, a pós-graduação em Gestão da Inovação foi imprescindível para seu trabalho: “Me abriu um leque de informações, ferramentas, fontes de recursos e metodologia de gestão voltadas para inovação, que são extremamente necessárias para quem pretende atuar na área. Internamente na empresa onde trabalho, consegui contribuir com a metodologia apresentada no curso e principalmente com as dicas dos professores e profissionais da área que conheci durante o curso, o que acrescentou muito valor ao que eu buscava inicialmente.”
Fernanda explicou o que significa inovação em sua área de trabalho: “Inovação na área que atuo, de implantação de sistemas, é principalmente estar bem informado, alinhado com as tendências de mercado e com boas estratégias e parceiros. É realizar uma gestão de projetos pensando além do tradicional PMO.” Para ela, inovação está relacionada com a busca de soluções junto aos clientes: “É necessário analisar as necessidades do cliente alinhadas às possíveis tecnologias de ponta que a empresa pode oferecer e ir além no estudo de como entregar essa gestão e tecnologias de forma assertiva para o cliente, analisar os problemas do cliente como nossos problemas e buscar soluções conjuntas e realizar parcerias com o próprio cliente na pesquisa de soluções para problemas mais desafiadores. Inovação é retirar a palavra “difícil” do vocabulário e encarar as impossibilidades como oportunidades de inovar.”
Esse alinhamento em relação ao interesse do cliente é tido pelos executivos brasileiros como prioridade para inovação: 92% deles entendem que para inovar é preciso compreender os clientes e prever as soluções do mercado, de acordo com a pesquisa da GE.
Mas ainda há desafios a serem vencidos na área. De acordo com Fernanda, muitas pessoas ainda têm resistência à mudança que a inovação traz, pois gerenciar a inovação e alavancá-la é mais difícil que o processo criativo em si, e que a especialização específica na área é necessária para conseguir de fato implantar projetos inovadores.

O Gestor de Desenvolvimento e Inovação na EMR Consultoria, Assessoria e Projetos, Edwald Faria, concorda. A empresa, que presta serviços de desenvolvimento de projetos do setor automotivo em Minas Gerais, contratou Edwald quando ele cursava a pós-graduação em Gestão da Inovação. Ele afirma que as técnicas aprendidas durante o curso foram fundamentais para que pudesse realizar projetos com inovação: “O curso foi um diferencial marcante e presente a cada desenvolvimento, hoje consigo identificar o modo de inovação, se será radical, modular ou incremental. Busco um raciocínio para os desenvolvimentos, utilizando os dois hemisféricos do cérebro, utilizo SWOT (Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) para planejamento estratégico e matriz BCG (Boston Consulting Group) para participação de mercado, salientadas na disciplina de marketing.”

A qualificação ainda é um problema na área de inovação. De acordo com Fernanda Cançado, “Pelo fato da inovação não ser considerada como algo estabelecido (imprescindível) na maioria das empresas (áreas/atuações específicas e profissionais específicos para isso), a procura por cursos e especialização no tema ainda é pequena. Acredito que nos próximos anos devemos ter um crescimento considerável desse tipo de profissional no mercado.” E conclui: “A inovação passou de algo que fazia parte da empresa para algo hoje que é essencial para sua sobrevivência no mercado. Empresa que não inova, não se sustenta no mercado por muito tempo.”

O papel do líder no processo da inovação e da competitividade
De acordo com Diniz, profissionais com grandes habilidades de liderança e de gestão são essenciais em qualquer empresa. No aspecto da inovação, essa situação não é diferente. “O líder é fundamental no processo de inovação, é um dos seus pilares”, afirma o especialista. Para ele, esse profissional é o responsável por gerir não somente as ideias e ações de criatividade, mas também gerenciar as pessoas com quem trabalha. “O líder deve ser um agente de facilitação, ao mesmo tempo desafiador e capaz de assumir riscos, respaldado por uma estratégia consistente, por ferramentas adequadas e pelo poder decisório. Deve ser acima de tudo, capaz de transformar a empresa aumentando sua competitividade e potencializando seus resultados”, aponta o coordenador.
Além dessas atitudes, aquele que lidera deve motivar e capacitar seus funcionários, para que esses tenham interesse e desejo de criar para gerar boas ideias, contribuindo nas estratégias empresariais. De acordo com Diniz, esse é um ponto chave, visto que a criatividade é fator necessário para a inovação e pode surgir de qualquer pessoa, não necessariamente de um especialista. “Sendo assim, o líder deve estabelecer novas possibilidades e oportunidades, motivando seus agentes a participarem do processo criativo e o gerindo como tal,” esclarece. O coordenador afirma, ainda, que o mercado de trabalho oferta boas oportunidades a esses profissionais, pois está carente de mão de obra capacitada e que conheça os processos e as ferramentas da inovação.
 

“Inovação é o que distingue um líder de um seguidor”

Steve Jobs Fundador da Apple
Livro: “The Innovation Secrets of Steve Jobs” 2001.

 

 

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