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Tecnologias

Monitoramento ambiental

Davi Márcio Santos Rodrigues

Geógrafo, diretor de Movimento e Controle do IEF - Instituto Estadual de Florestas de MG

Dentro da atual estrutura política do Brasil percebo que estamos caminhando para uma linha que vai comandar qualquer perspectiva daqui para frente: o desenvolvimento endógeno, como dizia o ex-ministro Paulo Haddad. Isto significa que, em todos os aspectos, é preciso começar a desenvolver os municípios para, a partir daí, se trabalhar no âmbito regional, depois estadual, até chegarmos ao federal. Assim eu vejo a questão do gerenciamento ambiental.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF), do qual venho participando ativamente como diretor, vem desenvolvendo há dois anos, conforme a exigência legal, o mapeamento da cobertura vegetal de Minas Gerais. Nós temos hoje 249 cartas que vão propiciar ao corpo técnico do IEF, através de todos os seus escritórios locais e regionais, o monitoramento dessa vegetação. A partir desse trabalho, com a atualização através de satélites e fotografias aéreas, vai ser possível verificar quais são as áreas que estão sendo mais degradadas, quais as que estão sendo recuperadas, quais as que estão correndo risco de processos erosivos etc. Através do nosso banco de dados, é possível ver qual a proporção de cada tipo de vegetação neste ou naquele município. Por exemplo: se você buscar no computador informações sobre a cidade de Montes Claros, vai constatar que naquela região existe x% de mata seca, y% de mata ciliar, z% de florestas, w% de mata secundária, q% de cerrado e assim por diante.

Quando se fala em monitoramento ambiental, na verdade está se falando muito mais do que simplesmente da cobertura vegetal. No entanto, o monitoramento da vegetação é de extrema importância por permitir que se estabeleça um diagnóstico e parâmetros para outros recursos. Se um município tem uma boa reserva de matas ciliares terá melhores condições de manter o rio perene e conseqüentemente o rio será mais piscoso, já que os frutos das árvores vão cair dentro dele, alimentando os peixes. Daí a importância do manejo, ou seja, da utilização racional da vegetação natural. O manejo é muito mais útil e mais benéfico do que o reflorestamento. Neste último, você quebra o equilíbrio ecológico. Rompe tudo, porque são retiradas as espécies nativas e replantadas espécies exóticas que vieram de outros lugares. Numa mata de eucalipto, não vai haver a mesma quantidade de pássaros e animais silvestres que haveria numa vegetação mais rica e natural. O manejo então é isto: ao invés de deixar acabar as reservas naturais para depois recuperar (o que não é a mesma coisa como eu já disse), é não deixar esgotar estes recursos. É o aproveitamento racional do nosso potencial vegetal.

Este projeto do IEF começa então a abrir perspectivas, porque, através da cartografia temática, é possível identificar a medida correta de utilização do solo. Onde se pode explorar mais do que está sendo explorado, onde está sendo explorado mais do que deve, o tipo de recurso que ainda não foi descoberto etc.

É importante frisar que, se há interesse, é perfeitamente viável a utilização do solo de maneira correta, sem criar entraves para o crescimento econômico da região, muito antes pelo contrário. E o que é muito importante: existem hoje tecnologias que não são extremamente avançadas, porém úteis e acessíveis, a preços relativamente baixos. Além disso, com a cartografia em mãos é possível racionalizar e organizar a arrecadação de impostos, aumentando os recursos para serem investidos no gerenciamento ambiental. Ou seja, com vontade, conhecimento da realidade e das tecnologias disponíveis, o monitoramento é viável e proporciona maior retorno econômico ao município que o aplica.

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