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Startups: modelo de negócio em alta no Brasil expande mercado para profissionais de TI

Ana Carolina Pacheco

Jornalista do IETEC

O mercado das startups no Brasil está crescendo a passos largos. Esse modelo de negócio vem conquistando adeptos no país inteiro, principalmente no sudeste, onde se concentra grande parte delas. São Paulo é o estado com o maior número de startups, Minas Gerais aparece em seguida e o Rio de Janeiro ocupa o terceiro lugar.

Belo Horizonte conquistou uma posição privilegiada nesse mercado. Devido ao grande número de startups na região do bairro São Pedro, na capital, foi criada a comunidade San Pedro Valley, nome inspirado no maior polo mundial de tecnologia, o Vale do Silício na Califórnia, Estados Unidos, sede de grandes empresas como Google, Apple, Samsung, Intel, entre outras.

Hoje, a comunidade está espalhada em toda a cidade e uma de suas principais características é a abertura, a troca de informações entre as empresas que compõem o grupo.

Gustavo Caetano é presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e fundador da Sambatech, empresa que faz parte da San Pedro Valley. Premiada três vezes, internacionalmente, como uma das empresas mais inovadoras do mundo, conversou com a Revista IETEC e deu dicas para quem quer investir nesse mercado.

 

Qual a definição de uma startup?

Uma startup é uma empresa diferente de uma empresa tradicional porque ela utiliza, geralmente, tecnologia e modelos de negocio diferenciados, que fazem com que ela cresça numa velocidade muito acima de uma velocidade normal de mercado. Enquanto uma empresa tradicional cresce 10%, 20% ao ano, uma startup tem um crescimento de mais de 200% ao ano. Isso porque ela usa modelos inovadores para vender e comercializar esse produto.

Quais cuidados uma pessoa deve ter antes de abrir uma startup?

O cuidado que todos devem ter ao abrir um negócio é pensar se existe mesmo um negócio ali. Muita gente monta um negócio baseado numa ideia, mas no final ele não tem certeza se alguém quer comprar aquilo. A primeira etapa é a validação da ideia. Antes de começar a estrutura de uma startup, é necessário ver se alguém tem interesse na compra. Você deve testar seu produto no mercado, fazer um protótipo e tentar levar isso para alguém. Acho que esse é o primeiro passo e o mais importante, mas que muita gente pula.

Como montar uma startup com sucesso sem uma grande quantidade de capital?

Está cada vez mais barato conseguir capital no mercado, mas para quem não consegue também não é caro lançar uma startup. Hoje, uma startup não é questão de dinheiro, é mais uma questão de saber executar boas ideias. Mas também não é só ter uma boa ideia. Muita gente considera uma boa ideia como algo valioso, e não é. Isso uma commodity, todo mundo tem uma boa ideia. O que é valioso é conseguir colocar essa boa ideia em prática.

Tirar essa boa ideia do papel. Seja através de protótipo, ou de fazer um produto pequeno que o mercado precisa. Mas esse tipo de coisa começa a acontecer com mais freqüência e com menos necessidade de capital, principalmente quando estamos falando de produtos virtuais. Uma coisa era antigamente, quando você tinha produtos físicos e era muito mais caro e difícil produzir. Hoje em dia não, o produto digital é muito mais fácil de colocar para funcionar.

Profissionais em geral estão preparados ou necessitam de capacitação em gerenciamento de projetos e análise do negócio para atuarem nas startups?

Os empreendedores de startups hoje no Brasil estão muito mais qualificados que antigamente. Antes, os empreendedores eram pessoas sem opção no mercado, que tinham perdido o emprego e acabavam buscando um caminho no empreendedorismo.

Hoje o empreendedorismo passou a ser uma opção. Na maioria das universidades, uma grande parcela dos alunos está interessada em empreender. E realmente, a gestão de projetos é muito complexa de ser feita.

Numa startup, para que você consiga fazer coisas simples, você tem que gerenciar isso muito bem. E são necessários profissionais que entendam disso. Vem muito na lógica de saber operacionalizar.

As boas pessoas dentro de uma startup são aquelas que conseguem transformar a visão do empreendedor na operação. E para isso é necessário ter conhecimento avançado de gestão de projetos, porque nada mais é do que um grande projeto que você está começando. Dentro da Sambatech, por exemplo, uma das áreas mais importantes é a que cuida da gestão de projetos. Não só de projetos externos como projetos da própria companhia como um todo.

Qual dica você daria para quem tem interesse em abrir uma startup?

A primeira é: foco na execução. Busque um nicho de mercado, busque alguma coisa que ninguém faz, mesmo que seja pequena, e especialize-se nisso. Não tente ser um cara genérico que faz tudo pra todo mundo, é muito difícil crescer com uma startup assim. Foque no mercado e tente derrubar aquele pino de boliche primeiro, e depois esse pino vai derrubar outros pinos, que são outros mercados. Então, sempre use a estratégia de pinos de boliche. Derrube um mercado de cada vez. Não tente abraçar todos os pinos não, que é mais difícil.

E a segunda dica é uma frase do exército canadense, que diz: entre o mapa e o terreno, fique com o terreno. Fique sempre com o terreno. O que isso quer dizer? Imagina que um soldado, antes da Segunda Guerra Mundial, está com um mapa na mão e vê que tem um rio na frente dele. Quando ele olha no chão, não existe aquele rio. Então, ele não começa a nadar na areia, ele acredita no que ele está vendo. Ele acredita no terreno, ele não fica acreditando no mapa, e o empreendedor tende a acreditar muito no papel. Ele acredita muito no planejamento, no plano de negócio.

O plano de negócio é importante para guiar as pessoas, para dar um direcionamento para o empreendedor. Mas não fique preso no plano de negócio. Na maioria das histórias de empreendedores de sucesso, o plano de negócios inicial é totalmente diferente do plano de negócio final, de quando a empresa foi vendida ou abriu ação na bolsa.

Porque o mundo muda, os cenários mudam o tempo todo e se você não souber se adaptar a essas mudanças, dificilmente vai conseguir ser uma empresa de sucesso. É muito difícil acertar de cara. E uma outra dica, pra finalizar, é parar de falar e começar a fazer. O mais importante hoje é realmente ter menos ideias e ter mais execução. Quem conseguir fazer isso tem um passo a mais de diferenciação dos outros empreendedores.

Alta demanda por profissionais de Tecnologia da Informação

De acordo com um levantamento feito pelo site de empregos Adzuna, a área mais demandada pelas startups é a Tecnologia da Informação. Ocupando a primeira posição, as vagas para desenvolvedor web e móbile (Android e iOS), e outras profissões na área, como analista de sistemas e administradores de rede, ficam em segundo lugar. O Brasil é um dos mais importantes mercados na área de Tecnologia da Informação.

O mercado de TI emprega 1,3 milhão de profissionais de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), com um faturamento em torno de 123 bilhões, o que corresponde a 4,5 % do PIB nacional. Todos esses números indicam que a área está aquecida e a demanda por esses profissionais cresce em níveis elevados, mas a capacitação na área não acompanha o mesmo ritmo. O déficit de profissionais na área de TI pode chegar a 140 mil, ainda neste ano.

Para Gustavo, os profissionais de TI são o coração de uma startup: “A maioria das startups no Brasil e no mundo são, ou fundadas por um profissional de TI, ou tem alguém como sócio, ou é o coração da empresa. É muito difícil uma startup que não tem uma área de tecnologia forte. Nós temos demandado muito esse tipo de profissional e é preciso entender, até para quem está estudando, se formando em áreas de tecnologia, que esse profissional hoje não tem que ser apenas técnico. A demanda é por um profissional que entenda de tecnologia mas também entenda de negócios.

Um profissional de tecnologia hoje que é demandado pelas startups é aquele profissional que tem uma visão mais ampla do mundo, não é um profissional que só entende de programação. É alguém que realmente consegue entender o posicionamento de produtos, e como ajudar a empresa a criar diferencial competitivo através da tecnologia. Modelos de negocio, tipos de venda. Então, a demanda hoje não é só por um profissional que saiba programar bem mas um profissional que saiba também entender as dificuldades e os desafios dos mercados.”

De acordo com a coordenadora de Análise de Negócios e da Informação do Ietec, Alexandra Hutner, a procura por esse profissional é crescente, assim como os salários e os investimentos em TI: “Uma pesquisa da Society for Information Management (SIM) mostrou que os jovens profissionais de TI receberão de duas a três ofertas de empregos já com altos salários aos 22 ou 23 anos. É um ótimo momento para se estar no mercado e galgar boas oportunidades.”

Mas o investimento em qualificação é imprescindível: “No Brasil, é preocupante a falta de qualificação dos profissionais de TI. É possível observar uma grande parcela dos orçamentos de TI serem investidos em treinamentos dos seus colaboradores. As empresas buscam diminuir esse vácuo de competências profissionais através de qualificação diferenciada. Em contrapartida, aqueles profissionais mais preparados, que investem na sua própria carreira, ganham uma vantagem competitiva e aumentam o leque de oportunidades alinhadas aos seus próprios objetivos.”

 

 

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