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Tecnologias

Biondicação em ecossistemas terrestres

Aluísio Pimenta

Membro da Academia Mineira de Letras, ex-ministro da cultura e ex-reitor da UFMG e da UEMG

Diário da Tarde - 26 a 27/08/2000

A biodiversidade, ou seja, todas as diferentes características da vida vegetal e animal espalhadas pelo Planeta, é uma das maiores preocupações mundiais. São estas diferenças de vida que estabelecem o equilíbio constante na Natureza, permitindo a sobrevivência dos seres vivos, inclusive do homem. Nosso país é responsável por 20% da biodiversidade de todo o globo terrestre, por isso os países desenvolvidos estão sempre de olhos voltados para nós. Temos uma fauna e flora riquíssimas e não nos damos conta dessa verdade. O brasileiro, de uma maneira geral, não conhece a importância atual e futura do Brasil para a sobrevivência e para a qualidade de vida da própria Humanidade. Os governos brasileiros, em todos os níveis, só agora despertam para o valor de nossa biodiversidade.

Recentemente, técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) divulgaram alguns dados de um levantamento sobre o valor econômico de nossa biodiversidade, que estaria na casa dos R$4 trilhões. Julgo a cifra baixíssima, mesmo se levando em conta um valor estático e, portanto, não considerando o potencial dos principais ativos já conhecidos em determinadas plantas e, especialmente, dos que iremos conhecer a partir de novas pesquisas no setor. Aqui posso falar com conhecimento de causa. Minha esposa e eu participamos ativamente na Itália, no Instituto Superiore di Sanitá, das pesquisas que identificaram os alcóides dos curares utilizados pelos indígenas sul-americanos. A partir de plantas do gênero sirienos, eles produzem o veneno que é colocado nas flechas para imobilizar os animais durante a caça. Este tipo de planta é encontrado inclusive em nosso país.

O Brasil ainda possui milhares de plantas aguardando estudos fitoquímicos, especialmente na Amazônia. Levanta-se, então, o problema da participação de entidades estrangeiras nestas pesquisas. Não nos opomos à colaboração de laboratórios e especialistas de outros países. Mas é indispensável que tais pesquisas se façam com ativa participação de técnicos brasileiros e que se estabeleçam normas para o compartilhamento dos resultados alcançados, assim como das patentes, que devem pertencer a brasileiros e cientistas estrangeiros, neste caso, em conjunto. Creio que existe, no momento, a determinação do governo brasileiro de incentivar e também controlar de perto os convênios entre universidades e instituições brasileiras de pesquisa com entidades de ensino superior e laboratórios estrangeiros. No entanto, repito, é necessário que se defina previamente o compartilhamento dos resultados alcançados.

Sabe-se que seria muito difícil para o Brasil, isoladamente, assumir o custo das pesquisas tão caras. De acordo com as informações obtidas, as que estão em andamento, neste setor, demandam cerca de R$10 milhões por ano, ou seja, uma quantia irrisória. Para se ter uma idéia, um dado recente publicado pela imprensa demonstra que o laboratório farmacêutico Glaxo gasta cerca de R$2 bilhões anuais apenas em pesquisas.

O Ibama tentando minimizar a situação, está planejando um amplo estudo que inclui diferentes regiões do Brasil em colaboração com Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e centros de pesquisas de diferentes universidades. O plano é estender estas pesquisas a sete áreas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatingas, Zonas Costeiras, Manguesais e Campos Sulinos. Este projeto é de suma importância para conhecermos nossa biodiversidade, podendo, assim, utilizá-la e preservá-la como patrimônio do Brasil e da Humanidade.

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