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Tecnologias

Sistema de ecoeficiência empresarial

Adriano Breguncci Pontello

Geográfo, pós-graduado em Gestão Ambiental Empresarial pelo IETEC.

A alta administração de várias empresas procura adotar uma postura ambientalista, fato associado ao agravamento da questão ambiental pertinente a concentração das atividades dos diversos setores: indústria, comércio e serviço. Estes usufruem de matérias brutas advindas da natureza e tendem a gerar resíduos em proporção distinta, segundo o potencial poluidor dos empreendimentos.

Durante um longo período o alerta ambiental não foi acionado, e quando foi perceptível a atuação comumente era pontual. Hoje o que se vê são os reflexos da ação mal planejada representada por assoreamentos de cursos d’água; poluição do solo, água e ar; redução da biodiversidade; dentre outros impactos que afetam diretamente a qualidade de vida do homem, ser que durante um longo tempo foi posto a frente do meio, sendo movido pelo saber moderno, que prioriza o ter em detrimento ao ser. Tem-se a alienação, a permissividade e a conseqüente perda da identidade com o espaço vivido e assim a necessidade de mudança.

A partir da Conferência de Estocolmo, na Suécia é posto aos países participantes, dentre eles ao Brasil, uma nova concepção de desenvolvimento que se associa à preservação e conservação ambiental. As mudanças não tardaram no país e assim em 1973 foi criada a Secretaria Especial de Meio Ambiente – Sema – e Conselhos Estaduais de Proteção Ambiental – Cepram – dentre outras Instituições que contaram com o apoio de ONG,s na resolução dos problemas ambientais. A partir de 1975 entram em vigor legislações, regulamentações e resoluções em âmbito nacional, estadual e municipal.

Visando atender a legislação vigente e a melhoria da imagem frente ao mercado as empresas passam a adotar medidas de proteção ambiental. No decorrer dos anos tornam-se freqüentes as auditorias ambientais, sendo inicialmente realizadas por auditores de origem estrangeira, já que em países como a Inglaterra, Itália, Alemanha essas já eram comuns. A prática permite ao auditor a investigação sistêmica dos programas; a identificação de situações potenciais de risco; verificar se a empresa em questão segue as conformidades legais e padrões definidos pela alta administração empresarial; enfim, diagnosticar o empreendimento. A medida em que as empresas passam a atuar através da gestão ambiental, exercendo a garantia do cumprimento de políticas e objetivos ambientais definidos e declarados, foram verificadas inúmeras vantagens: redução do desperdício de recursos e dos custos de investimento; melhoria da imagem da empresa e do produto que ganha competitividade frente outros ao se inserir no mercado; lucratividade e possibilidades de financiamentos para investimentos futuros. Ao atuar deste modo às empresas exercem a política ecoeficiênte.

A política da ecoeficiência associa-se a necessidade de uma nova postura, que vise mitigar possíveis apagões de energia e produção exacerbada de lixo, que ao ser mal manejado pode ocasionar impactos internos que ao atingirem o cenário externo são capazes de adotar uma dimensão sistêmica, por vezes irreversível desencadeando assim, problemas não só ao homem, mas a toda biodiversidade.

Propor sugestões ecoeficiêntes a política administrativa de empresas estatais e privadas como a adoção dos a 4R’s – rever, reduzir, reutilizar, reciclar; programa de coleta seletiva interna e a mudança atitudinal dos funcionários, parceiros e visitantes, são exemplos que visam à melhoria da qualidade do trabalho e vida, assim, são aspectos que deve ser enfocados.

A implementação dos processos ecoeficientes dentro de uma Instituição justifica-se pela ineficácia dos diversos programas operacionais comumente aplicados pela administração das empresas ou mesmo ao não envolvimento desta com as questões ambientais. Ressalta-se que o papel da administração é essencial para a eficácia dos processos empresariais. Investir em tecnologias de ultima geração e conhecimentos humanos acabam gerando desperdícios se a administração, representada por grupos organizadores, não souber colocar em prática os objetivos propostos. A gerência administrativa da Empresa deve possuir inúmeros projetos internos: imprescindíveis a qualidade de seus serviços. Contudo o interesse pelos mesmos deve ser visto por igual, para que nenhum seja deixado ao esquecimento.Cabe a esta planejar dentro de um desenvolvimento organizacional, no qual se propõe mudanças e o envolvimento de todos visando uma meta comum.

O desenvolvimento organizacional propõe o aperfeiçoamento de inúmeros modelos gerenciais dentre eles o da ecoeficiência. Neste contexto os funcionários devem ter uma maior envoltura, sem esta tem-se a ruptura, não há coerção e assim a política interna tende a não ter continuidade. Visando a maior mobilização quanto importância da implementação de uma cultura ecoeficiênte na Instituição torna-se imprescindível à adoção do processo de educação ambiental interno com a pretensão de estimular os indivíduos à mudança de seus hábitos com relação à utilização de seus recursos.

As empresas cuja alta administração não se dispõe a planejar precisamente, na atualidade tendem a cometer falhas diversas no processo em questão, o que a torna ineficaz. Para uma melhor visualização seguem as falhas comumente perceptíveis nos setores empresariais onde são implantados coletores seletivos de resíduos (corredores, cantinas, salas, quadras...). Nestes locais adotam-se dentro do sistema de ecoeficiência o procedimento da segregação de materiais para posterior reciclagem, contudo, sem que aja um estudo prévio que atendesse as demandas locais, o que desencadeia conseqüências negativas: erros no padrão de cores da coleta seletiva, segundo a legislação vigente; falta de cartazes referente à importância da coleta seletiva e limpeza nos espaços onde são vistos os coletores de resíduos; coletores mal distribuídos no espaço físico; utilização de lixeiras junto a coletores, o que deixa de reforçar a coleta seletiva proposta pelas instituições; coletores com resíduos variados misturados, o que é indicativo da falta de envolvimento da administração, dos funcionários e freqüentadores.

Nas empresas que planejam são verificados resultados positivos quanto à coleta seletiva: existência de funcionário para instruir e verificar se os resíduos estão sendo corretamente dispostos nos coletores; disposição dos coletores juntos e de modo paralelo sendo cada um referente a um determinado tipo de resíduo, tornando-se mais prático para seus freqüentadores a realização da disposição correta dos materiais recicláveis; utilização de coletores criativos e coloridos, que atraem a atenção do público frente à coleta seletiva; existência de cartazes chamativos fixados nas paredes, acima dos coletores de resíduos contendo informações sobre a coleta seletiva; realização de parcerias com cooperativas que recolhem os resíduos e os encaminham para reciclagem; realização de palestras e cursos de sensibilização em turnos distintos para os funcionários das empresas explanando a importância da coleta seletiva no dia a dia e na empresa, tendo esses uma atualização e reforço mensal.

É comum as empresas que adotam políticas ecoeficientes realizarem inúmeras palestras de Educação Ambiental junto a parceiros. Estas são fundamentais, possuem caráter educativo com temáticas ambientais, contudo devem ser direcionadas ao público interno e externo. Direcioná-las somente ao externo podem gerar questionamentos quanto a veracidade do que é falado. A empresa ao adotar uma determinada concepção deve trazer consigo esse ideal posto em prática, pois caso contrário podem surgir dúvidas de sua eficácia frente o parecer de terceiros e público que usufruí de seus serviços.

A ecoeficiência empresarial trás consigo o desenvolvimento econômico e ambiental, de maneira sustentável, fazendo com que as atividades diárias sejam modificadas e consumam menos recursos e gerem menos poluição. Proposta que se bem gerenciada tende a ocasionar benefícios a empresa e ao meio natural. Nesta é comum à capacitação contínua de funcionários quanto ao tema ecoeficiência, o que os tornam aptos a ministrar cursos na empresa possibilitando a promoção da auto-estima dos mesmos; a elaboração de relatórios mensais internos nos quais são traçadas metas de minimização dos resíduos, isso possibilita o maior envolvimento dos empregados; a utilização de papéis reciclados nos setores de comunicação interna; estímulo a reutilização de materiais distintos; a disponibilização de coletores especiais para o descarte de papéis, vidros, metais e plásticos para que cada um separe seu lixo, cabendo aos funcionários já capacitados instruir os usuários dos diferentes setores a prática da coleta seletiva; a distribuição de cartilhas, posteriormente a realização de palestras e cursos, que forneçam dicas sobre como implementar a ecoeficiência no ambiente de trabalho, em casa ou no condomínio.

Atualmente muitos resíduos que poderiam ser reciclados tem como destino os lixões. Diminuir essa quantidade de detritos é hoje um dos maiores desafios de muitas empresas.

Através da conscientização dos indivíduos, tanto em relação ao descarte do lixo, quanto à utilização dos recursos, podemos minimizar este problema. É necessário a adoção urgente de atitudes ecoeficiêntes. Se este for o interesse retornos maiores virão. Recursos como a água, energia, madeira, petróleo dentre outros estão cada vez mais escassos.

Esses são imprescindíveis ao atendimento das necessidades materiais da população principalmente dos habitantes das grandes metrópoles, que requerem a cada dia uma maior demanda de serviços e bens de consumos diretos e indiretos. Para agravar esse fator muitos locais não têm investido na promoção de novos aterros controlados, algo que requer grandes financiamentos. Têm-se hoje as conseqüências do descaso empresarial: a produção exacerbada de lixo, o esgotamento de aterros sanitários e as inúmeras doenças graves devido à disposição inadequada dos resíduos, vistos por muitos como lixo. A melhor saída será a mudança de postura seja ela pessoal ou coletiva. Torna-se necessária à revisão de valores em prol da melhoria gradativa da qualidade de vida. Neste contexto é indispensável o apoio das instituições públicas e privadas para que esse quadro possa se reverter. Não se pode negar que já existem empresas que tem uma preocupação com a questão das medidas de manejo de resíduos líquidos e sólidos – revisão de valores, redução do consumo, reutilização e reciclagem de materiais – contudo, muito ainda deve ser feito. Devemos nos unir e abraçar a causa ambiental seja através da legislação vigente seja sob a mudança de postura/ hábitos, pois caso contrário, cairíamos na barbárie e o resultado disto se refletirá nos diferentes ecossistemas, em nos mesmos e nas futuras gerações.

Referências Bibliográficas:

ANDRADE, Rui Otávio Berbades; TACHIZANA, Takeshy; CARVALHO, Ana Barreiros de. Gestão Ambiental e desenvolvimento no Brasil. In: Gestão Ambiental: enfoque estratégico aplicado ao desenvolvimento sustentável.2ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2002, p.5-20.

BRASIL, Marielle. Projeto Manuelzão: Manuelzão Vai à Escola - Oficina Meu Meio Ambiente. In: Caravanas Ambientais. . Belo Horizonte, 2°semestre de 2002.30p.

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SENAC. Gestão Ambiental: ISO 14001. Belo Horizonte, 2° Semestre de 2003.

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