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Aprendizado contínuo: Caminho para o desenvolvimento

Comunicação Ietec

 

Julian Eguren, presidente da Usiminas, um dos maiores grupos siderúrgicos brasileiros, é o entrevistado da 54ª edição da Revista Ietec. Julian falou sobre os desafios, investimentos e, principalmente, no valor que a formação contínua de seus profissionais tem para o desenvolvimento da empresa.

Quais são os principais investimentos da Usiminas para 2014 e para os próximos anos?

Julián: A Usiminas está em fase de conclusão de um forte ciclo de investimentos, iniciado em 2008, de mais de R$ 12 bilhões na modernização de suas unidades e no aumento da produção de aços de alto valor agregado, principalmente chapas grossas, laminados a quente e galvanizados. Também concluímos a expansão de nossa unidade de mineração. Com esse conjunto de projetos, criamos tecnologia com conteúdo local, fortalecemos o nosso parque industrial e nos capacitamos ainda mais para participar dos grandes desafios industriais do país, atendendo a mercados altamente exigentes como o automotivo e a cadeia de óleo e gás. Temos uma forte vocação para a pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores. E isso, certamente, é um diferencial. Agora, estamos focados em fazer com que esses investimentos possam dar o melhor retorno possível. Mas estamos sempre identificando e realizando oportunidades de melhoria de nossa configuração industrial, tendo a produtividade e o desenvolvimento de talentos como principais alvos.

E os principais desafios para que esses investimentos alcancem os resultados esperados?

Julián: O consumo de aço no Brasil está diretamente ligado ao desempenho do PIB. Então, consideramos que há muito espaço para avançarmos, principalmente porque o país necessita desenvolver sua infraestrutura para se tornar mais competitivo. Há uma ociosidade de quase 600 milhões de toneladas de capacidade produtiva de aço no mundo e muitas vezes a indústria do aço no país tem que conviver com a falta de isonomia competitiva diante do mercado internacional. Mas acredito que, no Brasil, maiores do que os desafios, só mesmo as oportunidades. E para captá-las, estamos fazendo a nossa parte, investindo na qualificação do nosso pessoal, desenvolvendo produtos inovadores para aplicações mais complexas e buscando a máxima eficiência operacional. Não há mágica, é um processo de melhoria contínua e de disciplina de gestão. Em momentos complexos, você escolhe ser vítima ou protagonista da mudança. O time Usiminas escolheu ser protagonista.

Quais os maiores desafios da Usiminas no Brasil e no exterior na promoção do desenvolvimento sustentável?

Julián: Acredito que uma empresa verdadeiramente sustentável é aquela que é capaz de se relacionar com excelência com seus acionistas, clientes, empregados, comunidade e fornecedores. Cria-se um ciclo virtuoso, propício à geração de valor em suas múltiplas formas. Isso pode se materializar na prática por meio de alguns exemplos: a otimização no uso de matérias-primas, uma melhor configuração do sistema energético com aproveitamento de gases no processo, a comercialização de resíduos antes descartados, a produção de aços com alto grau de confiabilidade e segurança para usos críticos, como a exploração de petróleo etc. Na base disso estão as pessoas, a maneira como elas abordam suas atividades. Estamos criando um ambiente sustentável, em seu conceito mais amplo, quando aprofundamos nas pessoas um modelo de gestão baseado na busca por produtividade. E falar de produtividade inclui dois componentes: tecnologia e conhecimento, um binômio que está relacionado a um melhor sistema educativo. Se olharmos para os países que mais se desenvolvem, vamos perceber que são aqueles que tiveram uma reforma muito importante no sistema educacional. E não estou falando necessariamente em gastar mais com educação, mas em gastar melhor, com mais eficiência. Há pouco mais de um ano, saiu um ranking das cem empresas mais inovadoras do mundo. Somente duas eram brasileiras. Têm empresas chinesas, européias, americanas. Com todo o protagonismo que o Brasil e a América Latina têm no mundo, este resultado se mostra totalmente desbalanceado. Acredito que isso está relacionado a um ambiente de educação.

Quais são os projetos de inovação da empresa e quais são as estratégias para manter os profissionais engajados nestes projetos?

Julián: Nós temos um centro de pesquisa com 17 laboratórios, que é referência no Brasil, e que contribui para o desenvolvimento de melhores processos operacionais e também para o desenvolvimento de aços com tecnologia diferenciada. Por exemplo, aços de altíssima resistência para o setor automotivo ou aços próprios para o emprego em grandes profundidades marítimas, visando explorar a camada do pré-sal. Mas nada disso faz sentido se não tivermos como premissa a pergunta: o que esperam os clientes? Eu respondo: que a gente transforme tudo isso a serviço dele. Que a gente esteja trabalhando com as montadoras, por exemplo, dez anos antes do lançamento do carro. Não é apenas no fornecimento do aço, mas na composição e desenvolvimento do material. Nós temos que entender nosso cliente de modo bastante profundo. E acho que aí temos uma enorme oportunidade. Poucas indústrias na América Latina tem essa enorme “massa muscular” de pesquisa, tecnologia e pessoas com conhecimento para fazer a diferença, como é o caso da Usiminas. Eu acho que é essa oportunidade de liderança industrial que motiva a nossa equipe, dentro de um ambiente multicultural propiciado pela diversidade da própria equipe e pelos acionistas Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation e Techint.

Quais foram os resultados empresariais obtidos nos últimos anos com os investimentos em inovação?

Julián: No primeiro trimestre deste ano, registramos o maior Ebitda desde 2010. Aumentamos em duas vezes e meia o lucro bruto na comparação com o mesmo período de 2013, impactando positivamente no lucro líquido. Mesmo com um cenário econômico incerto e ao mesmo tempo desafiador, nosso volume de vendas no mercado interno permaneceu expressivo. Temos feito esse trabalho forte de integração com nossos clientes, de conhecimento, engenharia de aplicação e parceria. Cito um exemplo: desenvolvemos um tipo de aço especial para a fabricação de tubos de elevada espessura, fruto de uma parceria com a Petrobras e Tenaris. Com isso, a Usiminas se tornou uma das poucas siderúrgicas no mundo capacitada para esse tipo de atendimento. Novas tecnologias, parcerias mais fortes, processos operacionais mais eficientes expressam a nossa cultura empresarial. Eles refletem o trabalho integrado de toda a equipe, dos nossos empregados até nossos acionistas.

Qual o valor que a empresa dá para a formação contínua de seus funcionários?

Julián: Hoje temos uma visão muito clara da importância de desenvolver e capacitar nossa equipe para dar sustentabilidade aos nossos negócios nos próximos anos. Por isso, estamos investindo fortemente no crescimento profissional dos nossos talentos. Em 2014, o plano é aumentar em 50% as horas de treinamento em relação ao ano passado, com foco nas principiais áreas técnicas, de modo a reforçar o patamar de eficiência operacional do grupo e melhorar a base de conhecimento da força de trabalho.

Fala-se muito hoje em profissional multiespecialista. O que exatamente, na sua visão, define esse profissional e qual valor ele tem para o mercado de trabalho?

Julián: Falando diretamente sobre o movimento de modernização das unidades da Usiminas, entendemos que ele não constitui-se somente de aperfeiçoamento tecnológico. Para nós, este processo também passa por trazer pessoas que possam iniciar suas carreiras já com uma filosofia mais avançada quanto a fazer negócios. O profissional multidisciplinar se desenvolve de forma integrada ao modelo de gestão da empresa, passando por um processo de conhecimento mais profundo e diverso de todo o processo industrial, buscando garantir a continuidade sustentável das diversas atividades ligadas à siderurgia ao longo dos próximos anos. Por exemplo, estamos promovendo uma integração forte entre as equipes de Ipatinga e Cubatão. A ideia é adotarmos as melhores práticas de cada fábrica e compartilhá-las. Ainda lançamos neste ano o Programa Jovens Profissionais Usiminas. Queremos desenvolver profissionais de forma integrada ao modelo de gestão voltado para a produtividade, fortalecendo as expertises técnicas e gerenciais. Nossa objetivo é trazer e desenvolver talentos que transitem lateralmente por diversos setores, o que permite a visão dos principais processos da empresa. Acreditamos que estas rotações e o acompanhamento estruturado são uma real oportunidade de desenvolvimento e aprendizado para esses profissionais. Conhecedores do panorama global da empresa, eles desenvolverão habilidades nas áreas administrativa, industrial e comercial, o que vai lhes garantir uma ampla formação. Afinal, precisamos pensar não apenas na Usiminas de hoje, mas também na Usiminas do futuro.

Quais as diretrizes e premissas para quem deseja seguir carreira dentro de uma grande empresa como a Usiminas?

Julián: Temos refletido muito quando o assunto é a preparação de nosso pessoal. O mundo pós-crise determinou uma série de mudanças no ambiente produtivo e de trabalho. O setor industrial vive um momento de desafios que exigem um ambiente mais voltado para a inovação, para diferenciação tecnológica e para ganhos de produtividade. Isso exige das equipes um olhar constante para as diferentes formas de trabalhar e produzir. Nesse contexto, os jovens profissionais devem estar mais integrados à empresa, devem ter um outro tipo de ambição: a ambição pelo aprendizado contínuo. Jovens que tenham interesse em desenvolver uma carreira em que tenham primeiramente o desejo de usufruir de todas as possibilidades de uma grande indústria: produzir, vender, entregar, gerir... E, obviamente, que tenham o espírito da inovação, que anseiem por novos desafios, mas em um ambiente de partilha, de complementaridade de expertises.


Mini currículo: Julián Eguren

Formado em Administração de Empresas, com Mestrado em Direção de Empresas pelo Massachussets Institute of Tecnology (EUA), o argentino Julián Eguren possui uma experiência de mais de 25 anos de atividade no setor industrial. Desde 2012, é diretor-presidente da Usiminas. É também Vice-Presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil.

Eguren começou sua carreira em 1987 na Organização Techint, inicialmente como trainee da TenarisSiderca, na Argentina. Seis anos depois, iniciou sua carreira internacional. Ocupou diversas posições na TenarisTamsa no México e, em 1998, mudou-se para Venezuela para assumir a presidência da siderúrgica Sidor, quando teve a oportunidade de trabalhar com a Usiminas.

Em 2008, também na Organização Techint, assumiu a presidência da Ternium no México e na América Central, incluindo operações na Colômbia e na Guatemala. Atuou ainda como Diretor do ILAFA e Presidente da Junta Diretiva Tenigal, empresa que surgiu da parceria entre a Ternium e a Nippon Steel.

 

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