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O Brasil e a construção sustentável

Ana Carolina Pacheco

Jornalista do IETEC

A crescente urbanização, como todos sabem, trouxe como consequência danos ao meio ambiente que vêm se mostrando irreversíveis. As transformações estão presentes nas alterações no clima, níveis altíssimos de poluição nas principais metrópoles do mundo, falta de água e inúmeros problemas relacionados a essa questão.

Em um mundo onde os recursos naturais estão ficando escassos, a preocupação com o meio ambiente se tornou primordial para todas as atividades que geram algum tipo de impacto ambiental, e o setor de construção tem uma responsabilidade considerável em relação a esse tema. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, mais de 50% dos resíduos sólidos gerados por atividades humanas são provenientes da construção. Para mudar esse cenário, os empresários do setor estão investindo em construções que tenham como prioridade o respeito ao meio ambiente.

Um bom exemplo dessa preocupação é a criação da certificação LEED, que é considerada a principal certificação de construção sustentável internacionalmente, presente em mais de 140 países em todo o mundo, representado pelo Green Building Council. O Brasil ocupa uma posição de destaque no ranking mundial de construção sustentável: o país está na quarta colocação, atrás dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes. 850 empreendimentos estão registrados e 148 já foram certificados pelo selo LEED. Em Minas Gerais, são 18 empreendimentos registrados, entre eles o estádio de futebol Mineirão; e dois já certificados: o prédio WT - Águas Claras, em Nova Lima, e FeelGood, da Unilever, em Pouso Alegre.

De acordo com o diretor do GBC-Brasil, Felipe Faria, os números têm crescido anualmente: “Vemos um grande crescimento no número de projetos certificados, só no ano passado foram 54 certificações contra 43 em 2012. Em termos de edificações certificadas em 2014, os números tendem a ser semelhantes aos de 2013, em que tivemos ao menos 4 certificações por mês. A quantidade de novos projetos registrados em 2013 foi de 3 projetos a cada 2 dias úteis do ano.” Ele afirma que, para 2014, a quantidade de novos projetos registrados vai depender da atividade construtiva nos segmentos de edifícios corporativos: novas plantas industriais, centros de distribuição e logística, áreas em que os sistemas de certificação têm forte demanda.

O selo LEED possui 4 categorias:

Selo LEED, conferido a empreendimentos que tiveram mais de 40 pontos;

Selo LEED Silver, para edificações com mais de 50 pontos;

Selo LEED Gold, para empreendimentos com pontuação superior a 60 e
Selo LEED Platinum, para edificações que conquistaram mais de 80 pontos.

O valor das pontuações é definido de acordo com vários critérios estabelecidos pela certificação, como a eficiência e uso da água, inovação e processos, entre outros.

Apesar de estar bem colocado no ranking, o Brasil possui potencial para alcançar melhores resultados. Para Cristiane Silveira de Lacerda, engenheira civil, urbanista e professora do curso do IETEC sobre a Certificação LEED, é necessária uma mudança cultural forte. De acordo com ela, obter a certificação não é algo simples, demanda uma mudança de postura e investimento de mudança de comportamento, de planejamento, etc. “As obras públicas devem dar o exemplo, os editais devem contemplar exigências de sustentabilidade. Edifícios verdes contribuem para o aumento de produtividade e maior qualidade para os usuários. Começar pelas escolas públicas pode ser um bom lugar, as crianças aprenderão com a própria experiência do ambiente e das técnicas de eficiência incorporadas à edificação.A elaboração de um plano para a incorporação desses critérios de sustentabilidade e eficiência energética dentro das normas e legislações municipais, estaduais e federais, para que principalmente as cidades possam ser pensadas, projetadas, e adaptadas com esses critérios, faz-se essencial.”

De acordo com o coordenador da pós-graduação em Gestão de Projetos em Construção e Montagem do Ietec, Ítalo Coutinho: “Atualmente, o Brasil enfrenta grandes dificuldades em ter construções sustentáveis pelo seu alto preço inicial, mas nossa legislação está mudando e muito do que antigamente era sugestão, hoje em dia é obrigatório, e estamos evoluindo para o aumento de construções sustentáveis.” Ítalo também cita outro fator que também atrapalha a evolução do país nessa questão: “O desconhecimento do empreendedor, do construtor, dos operários e da própria sociedade em relação ao que pode ser feito para que uma construção agrida menos o meio ambiente é um fator que ainda precisa ser melhorado.” Ele enfatiza a importância do aperfeiçoamento, especialização e atualização contínua para os profissionais da área.

De acordo com Cristiane, o país tem todas as condições para ser a principal referência em sustentabilidade: “O Brasil, com suas reservas naturais, um povo extremamente criativo, e com recursos econômicos limitados, dados os inúmeros desafios que ainda se apresentam, possui todas as características para assumir uma postura mais determinante no desenvolvimento e no fortalecimento das construções sustentáveis.”




 

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