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Meio Ambiente

O lucro que vem dos resíduos

Comunicação Ietec

Um dos objetivos principais das empresas é, sem dúvida, o lucro. Sem atingir essa meta torna-se árdua a tarefa de investir em outras áreas importantes. No entanto, as empresas parecem fechar os olhos para uma oportunidade de lucrar e, ao mesmo tempo, minimizar as agressões ao meio ambiente. O setor de tratamento de resíduos industriais brasileiro tem potencial para gerar R$ 1 bilhão por ano. No entanto, atualmente, o setor gera aproximadamente ¼ desta soma, cerca de R$ 240 milhões/ano.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre) as empresas brasileiras produzem 2,9 milhões de toneladas de resíduos perigosos por ano. Desse montante, apenas 22% – o equivalente a 600 mil toneladas – recebem tratamento ou destino final correto, ou seja, outras 2,3 milhões de toneladas são depositadas incorretamente.

Porém, mais do que deixar de gerar uma nova renda, as empresas que não atendem às questões de tratamento de resíduos podem também não lucrar mais com sua atividade primeira. De acordo com o engenheiro Fernando Sodré da Motta, instrutor da área de Meio Ambiente do Ietec, a perspectiva de crescimento no mercado interno e externo para essas empresas é quase nulo. "Estas empresas em breve não poderão exportar seu produtos, pois é cada vez maior a exigência de adequação às normas de ISO 14.000", afirma.

Segundo a Abetre, dos rejeitos industriais tratados, 16% vão para aterros, 1% é incinerado e os 5% restantes são co-processados, ou seja, transformam-se, por meio de queima, em parte de matéria-prima para a fabricação de cimento. A indústria brasileira apresentou um passivo de R$5 bilhões na última década. O mais assustador é que esse passivo cresce meio milhão de reais a cada ano. A entidade calcula que o potencial do mercado de destinação de resíduo industrial perigoso é de R$1 bilhão por ano no Brasil.

O engenheiro Fernando Sodré destaca, portanto, a evidente importância do bom gerenciamento dos resíduos industriais. "É possível reduzir despesas com o tratamento e a disposição final desses resíduos", conta. Os tratamentos possíveis para os resíduos industriais perigosos são o aterro, a incineração e o co-processamento. Outros sistemas são a central de tratamento de resíduos industriais (que inclui reciclagem), o blending e a inertização.

Um dos grandes vilões apontado como um grande produtor de resíduos é o setor de construção civil. De acordo com dados divulgados pela Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Belo Horizonte, somente na Grande BH, são produzidas cerca de quatro mil toneladas de lixo. Deste montante de resíduos, 50% são compostos por materiais provenientes da construção civil. A estatística vale para todas as cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes. Nos países desenvolvidos, a média de resíduos produzidos em novas construções fica abaixo dos 100Kg/m, já no Brasil esse índice chega aos 300 Kg/m.

Em busca de tratamento

Atuando no mercado há 40 anos, a Cera Ingleza Industria e Comércio realiza trabalhos no intuito de minimizar a produção de resíduos. Líder nacional da categoria de ceras para assoalho, além de possuir uma linha de produtos de limpeza, a empresa mantém uma equipe de profissionais para gerenciar seus passivos. "Tomamos um cuidado muito especial para preservar o meio ambiente", conta Rogério Chaves Novaes, diretor de Meio Ambiente da Cera Inglesa e ex-aluno do Ietec.

Segundo Rogério Novaes, grande parte dos resíduos produzidos pela empresa se enquadra na classe II, ou seja, são plásticos, vidros, metais e papelão. Para tratar esses resíduos, a Cera Ingleza contrata serviços terceirizados. "Esses materiais são destinados a empresas que realizam a reciclagem", explica o gerente de meio ambiente. A empresa contratada recolhe os resíduos duas vezes por semana.

Além do cuidado ambiental, o Analista da Qualidade do Meio Ambiente da Cera Ingleza, o químico industrial Thales Rodrigues, destaca um diferencial em relação à concorrência. "Alguns países não aceitam importar produtos de empresas que não atendem a certos padrões de controle ambiental", explica. De acordo com ele, o tratamento de resíduos também gera receita para a empresa.

Outra ação realizada pela Cera Ingleza é a utilização de frascos reciclados. Segundo Rogério Novaes, os produtos chegam ao mercado em embalagens que utilizam até 70% de matéria-prima reciclada. "Firmamos parceria com uma empresa que recolhe plástico de outras indústrias, inclusive a nossa, para depois serem reciclados", explica.

A importância da cultura de reciclagem é amplamente defendida por Thales Rodrigues. O químico explica que o uso excessivo de matérias primas e a não promoção da reciclagem pode levar à escassez de produtos necessários à própria empresa. Como exemplo, Thales relembra a crise que o mercado passou com a falta de papelão ondulado. "Há cerca de quatro anos a celulose estava bastante escassa, levando empresas que fabricavam caixas de papelão a elevar enormemente os seus preços", conta.

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