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:: Editorial

O retorno dos investimenstos ao país

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

A partir do momento em que se vislumbra em um país o crescimento das empresas de projetos de engenharia e de consultoria, pode-se comemorar o início do crescimento sustentado, uma vez que o investimento em projeto e consultoria significa expansão, melhoria e modernização da indústria. Isso, além de corresponder, conseqüentemente, ao aumento da competitividade do volume de produção. Esta é uma realidade que desponta hoje no horizonte do Brasil.

Somente nos dois últimos anos, os negócios relativos a consultoria passaram de US$ 450 milhões para US$ 600 milhões. Em alguns casos, há empresas de consultoria que praticamente dobraram seu faturamento no ano passado e prevêem um acréscimo de 50% em 95. Este é um sinal mais que claro de que 95 se apresenta como o ano da consolidação do crescimento econômico brasileiro.

É fato que ainda há muito o que fazer. A "flexibilização" de alguns temas polêmicos da Constituição -como os monopólios de energia e telecomunicações- é um exemplo. Felizmente este processo está tomando rumos bastante satisfatórios. Outra iniciativa, ainda pouco discutida, é a abertura a empresas estrangeiras da administração de rodovias e de projetos de engenharia. Já está passando da hora dessas empresas brasileiras competirem internacionalmente. É preciso acabar de vez com essa diferenciação entre empresa nacional e estrangeira. Se uma empresa produz riquezas e gera empregos no Brasil, não há porque ser tratada com diferenciações. Acredito que somente quando esse entrave passar pela revisão constitucional é que vamos realmente ter um desenvolvimento sustentado.

No caso das telecomunicações, o país precisa de investimentos de cerca de US$ 30 bilhões nos próximos quatro anos. Na área de energia, pelos menos mais uns US$ 20 bilhões. Nesse ponto, é muito importante ressaltar que, apenas nesses dois setores, surge um mercado de, no mínimo, US$ 50 bilhões a ser explorado. Dessa maneira, como os projetos normalmente representam de 1% a 3% do total investido, vislumbra-se um novo mercado bastante atrativo.

Entretanto, também nesse caso, a reforma de alguns itens da Constituição se faz urgente. Principalmente os que dizem respeito a energia, telecomunicações e mineração. Neste último, existe um volume muito grande de capital a ser investido, mas que constantemente esbarra nos empecilhos da envelhecida Constituição de 88. No entanto, este investimento reprimido poderia muito bem já estar sendo canalizado para as indústrias de base (no caso, a mineração) e para as de infra-estrutura.

No caso específico das empresas de consultoria, após uma análise de seus balanços, constatamos que, até dois anos atrás, a maioria destas empresas operava no vermelho. Situação esta revertida a partir de 1993. Acredito que esse quadro vai ter uma repercussão muito boa na economia do país nos próximos anos.

Os lucros, resultantes da volta por cima das grandes corporações no ano passado, certamente se reverterão em investimentos no Brasil. Apesar de ainda apresentar certos riscos, o Brasil é hoje o melhor lugar para se investir, se comparado a outros países do Mercosul e aos Tigres Asiáticos.

Para que isso se concretize, é necessário que as empresas nacionais se modernizem e ganhem competitividade internacional, o que novamente esbarra em entraves da atual Constituição. Uma das áreas mais críticas, em termos de investimento no país, é a de telecomunicações. E ela está diretamente ligada à competitividade das empresas. Para uma empresa ser ágil, ela deve ter uma infra-estrutura de telecomunicações dinâmica e a um custo baixo. E é notório que, a partir do momento em que começarem as licitações para as empresas da área de telecomunicações, corporações do mundo inteiro não perderão tempo e investirão no Brasil.

 

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