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:: Gestão de Projetos

Praxes negativas na implantação de obras civis no Brasil: O caráter tradicionalista e as incompatibilizações com os projetos arquitetônicos

Luciana De Nardi Souza

 Arquiteta e Urbanista - Universidade Federal de Minas Gerais. Pós Graduação em Engenharia de Planejamento – IETEC MG

RESUMO


Este artigo apresenta alguns dos fatores contribuintes para manter o setor da construção civil com perfil conservador. Apontam-se algumas práticas negativas que geram redução da qualidade do produto final, elevação dos prazos e custos, desviando da baseline do empreendimento. Dentre os fatores que atrasam o desenvolvimento do setor, a incompatibilização e subestimação do projeto arquitetônico apresentam-se como uma falha grave para alcançar o sucesso e exatidão do empreendimento. O presente artigo foi produzido com suporte de material didático oferecido no curso de pós-graduação em Engenharia de Planejamento, pesquisas em artigos e livros que abordam o tema da construção civil no Brasil, além da experiência da autora em vivência em obras e projetos arquitetônicos.
Palavras-chave: tecnologia; conservador; tradicionalista; projeto arquitetônico.
ABSTRACT
This article presents some of factors contribuites to keep the building’s sector with profile conservative. It indicates some negatives practices that generate reduction of final product’s quality, lift of deadlines and costs, diverting of project’s baseline.
Among the factors which ocassion delay of development, the incompatibility and underestimate of architectural’s project presents as a serious failure to achieve the success and accuracy of Project. This article was produced with supporter didactical
materials offered by the IETEC on MBA planning engineering, researchs on others articles and books that approach the building’s sector theme, besides authoress’s experiences in works and architectural projects.
Keywords: technology; conservative; tradicionalist; architectural projects.
 

PARA O CONSERVADORISMO

2.1 O cenário atual


As inovações tecnológicas estão em crescimento notório na área industrial/civil. Nesses ramos, o aprimoramento de equipamentos, substituições de sistemas, técnicas, maquinarias, diversificação de materiais com desempenhos superiores aos convencionais, dentre outras inovações, são disponibilizados com cada vez mais frequência no mercado. Há também dissolvido no mercado mundial uma modernização crescente no que tange a metodologias de trabalho, organização, gestão das empresas em geral. Porém, há um abismo significativo entre um cenário que possui uma gama de condicionantes tecnológicas para desenvolvimento da construção civil e uma conjuntura também contemporânea, mas com impetuoso caráter tradicionalista. O cunho conservador do setor da construção impede, frequentemente, o estímulo de implementação de tecnologias nos projetos arquitetônicos, como também a adaptação destes na própria construção. O resultado disso, muitas vezes é a baixa produtividade na construção civil em relação às demais indústrias brasileiras, conforme pode ser observado no gráfico 1.

Gráfico 1: Comparações entre produtividade de indústrias brasileiras. Fonte: O subsetor de edificações da construção civil no Brasil: uma análise comparativa em relação à União Europeia e aos Estados Unidos.

2.2 Principais características do setor

O cunho conservador que mitiga a produtividade da construção civil deve-se a alguns fatores, destacados a seguir:
1. O ramo da construção é heterogêneo no sentido de englobar desde microempresas a empresas de grande porte. As empresas de pequeno porte, juntas, são responsáveis por agregar maior quantidade de empregos, e são justamente aquelas que não possuem condições financeiras ou até mesmo conhecimento e estrutura suficiente para dedicar-se as inovações tecnológicas. Por exemplo, 58% das empresas de edificações concentram-se na faixa de microempresas (até 9 empregados), seguidas do grupo de pequenas empresas (entre 10 e 99 empregados) com 33% (SENAI, 1999). O gráfico 2 explicíta a quantidade de empregos por tamanho das empresas no Brasil e o gráfico 3 o tipo de construção comparado com o tamanho das empresas no Brasil.

Gráfico 2: Saldo líquido de empregos no Brasil por tamanho de estabelecimento no setor da construção civil- anos 2009 a 1º semestre de 2012. Fonte: Sebrae.

No gráfico 2 é possível observar a diferença notória de saldo líquido de emprego nas empresas de micro e pequeno porte comparados com as de grande portes. Ao longo do tempo, até o ano de 2012, o número de empregos nas empresas de grande porte aumentou consideravelmente, no entanto as de pequeno porte permanecem responsáveis pelo maior número de empregos na construção civil.

Gráfico 3: Saldo líquido de empregos por setor da construção civil e tamanho das empresas. Brasil e regiões do estado de Rio de Janeiro- 1º semestre de 2012. Fonte: Adaptado de Sebrae.

Conforme o gráfico 3, as empresas de pequeno porte tamém são responsáveis pela maior parte de construção de edifícios no Brasil. Já Na tabela abaixo se observa, em números, a quantidade de trabalhadores por tamanho da empresa.
Tabela 1: Número de estabelecimentos e tamanho por empregados ativos na construção civil no Brasil.

Fonte:Adapatado de Análise das características de trabalhadores da construção no período de 2002 a 2008, Rosane Maria Kirchner et al.

2. O perfil de trabalhadores também contribui para o tradicionalismo na construção civil. A mão de obra do canteiro é pouco instruída e a formação dos cargos desempenhados pelos trabalhadores é realizada na maioria dos casos no próprio canteiro, com os operários mais antigos ensinando os mais novos, bem como pela prática de observação das técnicas, de modo informal, conforme Paiva e Salgado (2003)

“É muito comum a formação do trabalhador da construção civil ocorrer dentro da própria obra a partir da observação. O aperfeiçoamento é obtido de uma forma prática, executando a tarefa, até ganhar o conhecimento pela prática tal que passa a ser um profissional capaz de executar tarefas orientado pelos encarregados.
Essa prática para a transmissão do conhecimento através da observação pode conduzir a “vícios” e comprometer os padrões de qualidade e boas técnicas da empresa além de trazer uma série de problemas para o operariado: baixa auto estima, o analfabetismo e baixa escolaridade.”

Ainda na cultura da construção civil há pouco investimento em treinamentos aos profissionais que atuam no canteiro, e sem uma efetiva concentração de forças na capacitação da mão de obra a evolução tecnológica é quase intangível. A tabela 2 abaixo demonstra em números, as porcentagens de trabalhadores e seu consecutivo nível de instrução. Essa situação é uma barreira para utilização de
tecnologias na construção civil, visto a dificuldade de introduzir e capacitar os trabalhadores com menor nível de instrução aos novos equipamentos e técnicas, conforme Martin Paul Schwark (2006):

“A grande maioria dos profissionais do setor está acomodada e não planeja seu futuro, nem sua própria carreira. A evolução profissional ocorre de forma passiva, em função da experiência adquirida na prática e das oportunidades que se apresentam. Quem não busca ativamente seu próprio aprimoramento, dificilmente perseguirá inovação e melhoria nas tecnologias que usa.”

Tabela 2: Escolaridade do trabalhador da Construção Civil.

Fonte:Adaptado de BRASIL 2010b.

3. Outro fator importante que interfere negativamente na produtividade da construção civil, é a falta de planejamento da construção e consequentemente seu controle. Conforme Mattos (2006):

“[...] deficiências no planejamento e no controle estão entre as principais causas da baixa produtividade do setor, de suas elevadas perdas e da baixa qualidade dos seus produtos”.

Portanto, a construção civil permanece como um setor tradicionalista, confrontando com uma esfera complementar de traço inovador: projetos arquitetônicos. Esses dois campos, construção civil e projetos de arquitetura, ciências complementares por natureza, configuram um cenário de conflitos.

3 A INCOMPATIBILIZAÇÃO DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS

A formação do arquiteto em si, considerando o desenvolvimento intelectual e artístico no período da graduação, consolida a criatividade e a inovação como princípios delineadores desses profissionais. Por outro lado os gerenciadores de obras, em sua maioria engenheiros civis ou técnicos, possuem grande senso prático e racional, com habilidades para desenvolvimento de raciocínio lógico e ágil na resolução de obstáculos. A criatividade do arquiteto e o pragmatismo em contrapartida dos engenheiros civis entram em constante conflito no desenvolvimento de uma obra civil. Em diversas ocasiões, os critérios adotados no projeto arquitetônico são ignorados até o momento da compra dos materiais e na implantação da obra. Nesse sentido, é comum um gap entre a finalização dos projetos, como Engenharia Detalhada, e as etapas seguintes em que é realizada a análise de execução e construção da obra consecutivamente. Na etapa de engenharia, em que se presume como produtos finais Plano de Compras, Planos de Execução do Projeto, Escopo do trabalho detalhado e Análise do cronograma, iniciam-se as fases
seguintes de detalhamento e construção sem as definições acima. Em um projeto arquitetônico constituído por materiais e técnicas construtivas convencionais, o gap mencionado não culmina em grandes empecilhos no desenvolver do empreendimento, vez que custos desses produtos e serviços tendem a se manter em uma mesma faixa de preço. No entanto, quando há implantação de elementos inovadores no projeto arquitetônico, o deslize na compreensão do projeto finda em conflitos de proporções maiores, tanto na fase de desenvolvimento da engenharia quanto fase de construção. No caso de um projeto arquitetônico ser constituído de elementos inovadores, geralmente os conflitos durante a gestão do projeto até a implantação da construção é significativo devido a alguns fatores: os custos dos projetos convencionais são mais elevados, há menor número de fornecedores de mão de obra especializada no ou um novo material implementado em um projeto arquitetônico, comunentemente altera toda a cadeia de processos de seu planejamento, execução e aplicação na construção civil. Nesse sentido, todos esses fatores que englobam as novas tecnologias e técnicas de aplicação, afetam diretamente a gestão do projeto, ou seja, quando não há ciência com exatidão de todos os elementos do projeto arquitetônico na etapa de Construção e Montagem, os prazos, os custos, a qualidade e demais áreas envolvidas são negativamente alteradas. No entanto, o que acontece na maioria dos casos em que há um descuido da interpretação do projeto arquitetônico na etapa planejamento e as seguintes, é a adoção de solução mais prática de troca dos elementos inovadores para soluções convencionais. Essa decisão motivada principalmente pela praticidade de introdução de materiais corriqueiros e pela facilidade de utilização de técnicas habituais para aniquilar o conflito, mantem possivelmente inalterado os prazos e custos previstos no projeto, atributos estes, privilegiados nos empreendimentos. No entanto, a qualidade do produto final é certamente comprometida, além do descumprimento do escopo arquitetônico contratado com o cliente. As incompreensões, incompatibilizações e incertezas dos materiais, equipamentos e técnicas estipuladas nos projetos arquitetônicos, geram freqüentemente improvisações no canteiro de obra, suscitando custos maiores, dilatação de prazos e desvios de qualidade e escopo. Segundo Mendes et AL (2006): 

“Para que a execução de uma obra seja economicamente viável e ocorra sem falhas técnicas, devem ser evitadas improvisações no canteiro de obras”.

No entanto, os projetos arquitetônicos possuem grande destaque no ramo da construção civil, principalmente por parte dos consumidores de edifícios de uso residenciais como apresentado no gráfico 7.

Esse fato consagra-se pela necessidade de soluções espaciais e estéticas que atendam a demanda imobiliária, que cada vez mais esforçam na produção de padronização de plantas e processos, ocultando os anseios latentes de criação dos profissionais de arquitetura. É por esse motivo que, apesar das tentativas de soluções e inovações por parte dos arquitetos em questões espaciais, revestimentos, materiais, soluções volumétricas e espaços verdes, dentre outros, os profissionais envolvidos no ramo imobiliário e na construção civil tendem a converter soluções inovadoras em recursos padronizados e conservadores, desconsiderandoas no planejamento e nas fases da engenharia, e modificando-as na fase de execução. Segundo o Arquiteto e Prof. Dr. Nuno de Azevedo Fonseca, em “O Processo Capitalista de Produção da Arquitetura para o Mercado Imobiliário”:

“Esses sistemas construtivos e tentativas de padronização dos processos e dos materiais envolvidos na construção, criaram esquemas bastante rígidos de apresentação e controle dos projetos.”

As soluções espaciais, no quesito distribuição de espaço, quantidade de ambientes e de unidades permanecem categoricamente inalterados na etapa de construção, pois é esse conjunto de definições que movem os investimentos e o mercado imobiliário. Exemplificando, em empreendimentos de médio a baixo padrão, as imobiliárias em geral, atenta-se em projetos que gerem o máximo de aproveitamento possível do espaço edificável, disponibilizando, assim, maior quantidade de unidades a venda. Nesse sentido, os projetos arquitetônicos, na medida do possível, atendem os padrões “impostos” pelo mercado imobiliário, enquanto os arquitetos, salientando o seu perfil iventivo delineado pela sua formação, esforçam-se em injetar criatividade nos projetos (tanto em inovações de planta com aperfeiçoamentos acústicos, ambientais e distribuição de ambientes quanto na utilização de novos materiais). Vale ressaltar que não são todos os profissionais que esforçam para reinventar decisões arquitetônicas. As plantas e soluções volumétricas engessadas que compõem os cenários repetitivos das cidades devem se também aos arquitetos que se calam diante de padrões arquitetônicos, afrontando os princípios da boa arquitetura disseminada na graduação. No entanto, apesar de, em um primeiro momento na fase projetual, os respingos de criatividade do arquiteto distribuídos em materiais e na planta serem aprovados, nos momentos seguintes, principalmente nas fases de análise dos projetos, confecção de orçamentos e cronogramas, grande parte do conjunto de elementos criativos do projeto são ignorados ou ofuscados por outras questões. O projeto arquitetônico que introduz inovações nos quesitos de materiais, técnicas de execução, organizações de plantas, entre outros, clamam por qualidade e assertividade na fase de implantação da obra. Focando ao máximo nos quesitos básicos do projeto arquitetônico, existem frequentes falhas na coleta de dados e consolidação de informações na etapa de planejamento de uma obra em paralelo a compreensão dos projetos. O que ocorre constantemente é a elaboração de um orçamento equívoco de materiais, que subestima as técnicas, equipamentos e mão de obra necessária para atender as exigências singulares do projeto, aquelas definições arquitetônicas que esquivam do padrão. Os cronogramas também são subestimados, os erros de interpretações e reconhecimento das informações arquitetônicas impactam nos prazos das demandas de materiais, equipamentos, técnicas e mão de obra. Esse conjunto de elementos (materiais, equipamentos, técnicas e mão de obras), não são fragmentos isolados no projeto, de fato, são interdependentes e influenciam diretamente em todos os aspectos de cada parte desse conjunto e do projeto como todo. O cronograma e o orçamento elaborados na fase de planejamento da obra servem de parâmetros para os controles de prazos e custos durante a execução de uma obra. O planejamento para a fase da engenharia e posteriormente para a obra inclui o exame, a análise, a ordenação e a conferência de serviços e informações de todos os projetos complementares, principalmente o arquitetônico (este responsável por definir materiais e técnicas), portanto é crucial, que seja realizado de forma precisa e com exatidão, para zelar a qualidade, o tempo e os preços do empreendimento. Segundo GEHBAUER (2002), existem algumas condicionantes para a execução correta de uma obra. As mais significativas são classificadas da seguinte forma:
· Definições básicas para a execução;
· Definição preliminar de prazos;
· Condições físicas locais;
· Condições contratuais.
As falhas, no que tange ao âmbito de interpretação correto de projetos, mas fundamentalmente de projetos arquitetônicos, foco dessa discussão, estão diretamente ligadas a condicionante de “Definições básicas para a execução”. As descrições da edificação e de todas as atividades e serviços, bem como a quantidade e tipo de serviços que realmente serão realizados (comparação entre lista de serviços e projeto executivo final), normas de qualidade e normas de execução, ou são negligenciadas na fase de planejamento ou realizadas com desmazelo. Parte desse problema deve-se ao unilateralismo da equipe de coordenação de canteiro, composta em suma, unicamente por engenheiros civis e técnicos. Já a figura do arquiteto no canteiro de obras é pouco comum, e quando existe, o seu potencial é pouco explorado.

4 CONCLUSÕES

A produtividade e a qualidade são pontos fracos no setor da construção civil. Para um desempenho superior nesse sentido, é fundamental que alguns aspectos sejam aprimorados. Em primeiro lugar, é necessário que as empresas de pequeno e médio porte, responsáveis pela maior parte de produção na construção civil, sejam munidas de tecnologias de produção no canteiro e também de TI nos escritórios. Apesar da implementação de alguns mecanismos para motivar o desenvolvimento das micro e pequenas empresas por parte de órgãos governamentais, como os incentivos fiscais e parcerias com instituições privadas, a acessibilidade financeira aos equipamentos de melhor qualidade ainda é restrita para esse perfil de empresa. Além do aspecto financeiro, a cultura tradicionalista da construção civil resistente e distante das inovações tecnológicas é um fator decisivo para manter essa realidade. Nesse contexto cultural, as soluções para inverter esse cenário são mais difusas, pois envolvem aspectos históricos de informalidade no início do setor da construção civil no Brasil enraizados na metodologia de trabalho, porém um bom começo é a prática de investimento em treinamentos e cursos de atualizações dos funcionários, desde o servente até os engenheiros . A falta de qualificação da mão de obra civil, também reduz a produtividade e qualidade do produto final da construção civil. Como esse problema inicia-se desde a fase do ensino básico, uma solução pontual é a introdução de cursos rápidos que possam capacitar os funcionários para os serviços que desempenham, aprimorando habilidades que já possuem e desmitificando certos vícios adquiridos no canteiro. A falta ou a má elaboração do planejamento e do controle das obras, também se apresentam como deficiências culturais, e, portanto as soluções para essa situação são basicamente introdução de profissionais capacitados para executar o planejamento e controle, e, sobretudo, a compreensão da importância de analisar, programar e controlar as obras ao invés de tocá-las com improvisação e informalidade. E o ponto principal dessa discussão, é a falta de compatibilização, integração e compreensão dos projetos arquitetônicos nas obras civis. Estigmas de que projetos área compreendam o que cada projeto representa no
empreendimento, a sua importância e que tratem com zelo as decisões apresentadas. As soluções de conforto acústico, conforto ambiental, qualidade de materiais, qualidade de espaços, inclusive de espaços individuais e de convivências são princípios subestimados na compreensão do projeto arquitetônico e na implantação da obra. Portanto, todos os profissionais envolvidos em um empreendimento civil, devem compreender cada disciplina do projeto, respeitar as áreas envolvidas, estar respectivo para as inovações e as escolhas das melhores soluções propostas.
Além disso, o arquiteto deve ter uma posição mais dinâmica no empreendimento. Pelas atribuições do arquiteto, a Lei n° 12.378, de 2010, artigo 2º cláusulas, define a fiscalização e administração de obra como atributos desse profissional:
· V- direção de obras e de serviço técnico;
· XI - execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico.
No entanto, pela força de hábito, as atividades desses profissionais se resumem somente na parte de escritório, deixando a cargo dos demais profissionais a condução da implantação do projeto. O responsável do projeto arquitetônico é o profissional que está absolutamente envolvido no trabalho, que tem o completo conhecimento de todos os detalhes e elementos projetuais, e por essa razão deve ter uma postura mais ativa no processo de elaboração do cronograma, orçamento, Vendor List e especialmente no canteiro de obras para garantir e zelar a assertividade e exatidão do projeto arquitetônico em execução. Portanto, a posição do arquiteto deveria ser complementar ao do gerente de obras, que atualmente é exercido somente pelos engenheiros e técnicos.

Nesse sentido, unindo as características de apelo pelo detalhe e cuidado, foque na qualidade e inovação do arquiteto, com a agilidade, racionalidade, praticidade e engenhosidade dos profissionais que atualmente conduzem o canteiro, a possibilidade de uma obra ser desenvolvida e finalizada com êxito aumenta significativamente. De fato, os dois profissionais são complementares e devem atuar em conjunto. O setor da construção civil está ainda estagnado em um cenário obsoleto, tanto no âmbito tecnológico como nos engessados cargos profissionais. O dinamismo é um elemento propulsor no desenvolvimento e aperfeiçoamento de qualquer trabalho na atualidade. Não é mais cabível que um setor fundamental como a construção civil, permaneça nos moldes de um tempo em que todas as decisões e processos eram mantidos centralizados em um só profissional, ou classe de profissional. As necessidades do mercado mudaram e as exigências por parte dos consumidores são maiores, bem como a compreensão do sucesso do projeto (que depende além de cumprimento de prazos, custos e qualidade, como também da subjetividade do projeto e os impactos que são realizados na cidade e na população). A reprodução dos padrões arquitetônicos (resoluções de plantas e materiais) em uma sociedade com perfil cada vez mais singular e inquietante, em que se busca identidade e individualidade, não é mais encarada como a melhor solução. Para tanto, é necessário que todos os profissionais colaboradores da construção, principalmente engenheiros civis e arquitetos, estejam aptos a abraçar as inovações tecnológicas e compreenderem a importância das contribuições dos seus profissionais complementares.

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