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Inteligência Emocional na Gestão de Projetos

Ana Carolina Godinho de Lacerda / Mariana de Castro Costa

Arquiteta / Fisioterapeuta, pós graduadas em gestão de projetos pelo IETEC.

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo investigar a influência da inteligência emocional e do bem-estar no desempenho da Gestão de Projetos. Empregados mais capacitados, satisfeitos e envolvidos com seu trabalho são também aqueles que têm maior comprometimento afetivo com a organização. Para a empresa, isto pode significar um aumento da produtividade, o rebaixamento do número de absenteísmo e turnover. Tendo em vista que o sucesso do projeto depende de um bom relacionamento com as partes interessadas, é nítida a importância de domínios, por parte do gestor de projetos, de habilidades interpessoais e intrapessoais.

Palavras Chaves: Bem-estar no trabalho; satisfação no trabalho; envolvimento com o trabalho, comprometimento organizacional; inteligência emocional; gerente de projetos; habilidades pessoais.

 

1 Introdução

Estudos em ambientes de trabalho com relação ao comportamento humano e bem estar vêm ganhando maior corpo devido à crescente busca por melhores resultados organizacionais. A fim de se manter inserido no mercado, o profissional tem que qualificarse cada vez mais aprimorando suas competências e habilidades para cumprir os objetivos das grandes empresas. Com o aumento da competitividade no mercado e a necessidade dessas organizações de atingir melhor desempenho de suas equipes, gestores dos recursos humanos procuram por inovações e sinergia dos trabalhadores para que seja possível alcançar as metas organizacionais com eficácia. Entretanto, é o trabalhador quem sofre a maior pressão; é quando a inteligência emocional entra em cena. A inteligência emocional é a ".capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos." (Goleman, 1998). Segundo Goleman, a inteligência emocional se divide em duas:

- Inteligência intrapessoal: capacidade de formar um modelo preciso, verídico, de si mesmo, se conectar com as próprias emoções e usá-las de forma eficaz;

- Inteligência interpessoal: capacidade de compreender outras pessoas, o que as motiva, o que sentem, como se portam com os outros, como trabalhar com elas de forma cooperativa.

Sendo assim, gerentes de projetos que dominam a inteligência emocional se destacam de outros gerentes. Eles são capazes de conseguir mais com a mesma equipe, se sobressaem em suas carreiras e se sentem mais satisfeitos consigo mesmos e em seus relacionamentos com outras pessoas.

Quanto mais complexo o projeto, mais significativas tornam-se as habilidades interpessoais do líder para atingir um resultado de sucesso.

 

2 Desenvolvimento

Inteligência Emocional

Na última década houve uma explosão inédita de estudos científicos sobre a emoção, com isso muitas respostas surgiram a respeito das pessoas que possuem um alto QI, mas não vingam na vida e aquelas que tem um QI mediano e surpreendentemente se saem bem.Isso remete a um modelo ampliado do que significa ser “inteligente”. O que diferencia essas pessoas de acordo com Daniel Goleman são aptidões chamadas de inteligência emocional, as quais incluem autocontrole, zelo, persistência e a capacidade de automotivação. É através da inteligência emocional que controlamos momentos de impulsos destruidores, ira, medo, paixão, entre outros sentimentos que esmagam toda nossa racionalidade.

Segundo Goleman, a inteligência emocional pode ser categorizada em cinco habilidades: autoconhecimento emocional; controle emocional; automotivação; reconhecimento de emoções em outras pessoas; e habilidade em relacionamentos interpessoais - interação com outros indivíduos utilizando competências sociais. As três primeiras são habilidades intrapessoais, habilidades e comunicações que ocorrem na mente de uma pessoa e iniciam uma reação e atitude adequada devido ao diálogo interno positivo, que ocorre dentro da mente. A consciência de seu diálogo interno pessoal é o primeiro passo para melhorar suas habilidades interpessoais – que remetem as duas últimas habilidades.

Portanto, a inteligência emocional envolve não apenas o gerenciamento das próprias emoções, mas também as dos outros, na medida em que é possível perceber como as outras pessoas estão se sentindo, avaliar inteligentemente o momento, o ambiente e a situação, e assim, utilizar como subsídio para ações a serem tomadas. Em outras palavra é possível influenciar, orientar decisões, ações e reações alheias ao agir-se de forma emocionalmente inteligente com elas.

A inteligência emocional pode ser em grande parte, aprendida e pode continuar a se desenvolver no transcorrer da vida da pessoa, a partir de experiências acumuladas.

 

Inteligência emocional na Gestão de Projetos

O ambiente organizacional inserido em uma sociedade competitiva é cada vez mais globalizada com constantes e rápidas mudanças de ordens econômica, ambiental, política e social, e isso colabora para abalar a estabilidade emocional das pessoas. Dessa forma, exigi-se dos gestores de projetos uma maior competência profissional para lidar adequadamente com os desafios dos negócios e, especialmente, o desenvolvimento das competências emocionais que irão contribuir para a possibilidade de contornar com sabedoria, os dilemas dos fornecedores, clientes, supervisores e subordinados.

O ambiente singular dos projetos torna de vital importância a aplicação da IE para os GPs por três motivos. Primeiro, é que em virtude da cada projeto ser único, os GPs passam de um projeto para outro vivenciando mudanças de equipes e outros steakholders, o que os pressiona a avaliar, entender e administrar as emoções deles para construir relacionamentos. Segundo, pelo fato dos projetos serem temporários, com começo e fim, diferente da gerência geral, os GPs precisam mudar rapidamente, não dispondo de tempo, em geral, para desenvolver relacionamentos sólidos e criar um ambiente positivo para equipe. Assim, é necessário trabalhar os relacionamentos desde o inicio dos projetos para que não desandem. Terceiro, é que, na maioria dos casos, dada a limitação de poder e autoridade do GP sobre a equipe de projeto, sem poder ordenar os outros a fazerem o que é preciso, os GPs necessitam de usar estratégias , como princípios de IE, para que os membros da equipe alcancem os resultados desejados.

No presente estudo iremos destacar dois tipos de habilidades interpessoais: Comunicação e Liderança.

 

3.1 Comunicação

Segundo o Guia PMBOK (p. 411) “A comunicação foi identificada como a maior razão do sucesso ou fracasso de um projeto”.

Em uma situação de comunicação interpessoal em um projeto, fatores não verbais geralmente possuem maior influência no impacto total da mensagem do que fatores verbais, uma vez que a interpretação de uma mensagem pelo receptor não se baseia somente nas palavras expressas na mensagem, mas também, e principalmente, no comportamento não verbal do emissor. Goleman (2007, p. 118-119) aborda bem esse ponto ao dizer que a chave para entendermos os sentimentos dos outros está em nossa capacidade de interpretar os canais não verbais da comunicação, como o tom de voz, gestos, expressão facial e outros, pois as emoções raramente são postas em palavras.

Segundo Albert Meharabian apud Verma ( 1996), o impacto total de uma mensagem é composto por:

Palavras (7%) + Tons vocais (38%) + Expressões faciais (55%)

Segundo Flannes (2005), a escuta ativa nos permite deixar claro para nosso interlocutor o que estamos ouvindo (sem necessariamente concordar com o que ele diz). Algumas orientações úteis para a prática da escuta ativa: olhe atentamente para o outro, ocasionalmente estabelecendo contato visual; balance a cabeça de tempos em tempos, demonstrando entendimento ( mas não concordância); não interrompa o outro, e caso ele relute incentive-o a continuar; faça perguntas pertinentes, dando preferência a perguntas abertas ( que não podem ser respondidas com “sim” ou “não”); de tempos em tempos resuma o que ouviu, assim pode confirmar o seu entendimento.

 

3.2 Liderança

Segundo o Guia PMBOK (P.409), “Liderança envolve a concentração dos esforços de um grupo de pessoas em direção a um objetivo comum, habilitando-as a trabalhar como equipe”.

Maxweell (2008, p. 47) fala que “liderança é influência, nada mais, nada menos”. Para Maximiano (2006), “Liderança é a realização de metas por meio da direção de colaboradores. A pessoa que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades específicas é líder. Um grande líder tem essa capacidade dia após dia, ano após ano, em uma grande variedade de situações”.

O GP precisa ter um caráter firma, inabalável, alguém que inspire confiança, para que seu comportamento e reações com sua equipe, ou com os demais stakeholders, não venham comprometer a sua liderança e, consequentemente, o gerenciamento de seus projetos.

Para Goleman (1998, p. 201) o líder é uma fonte- chave do tom emocional da organização e o entusiasmo que emana dele pode guiar todo o grupo na direção que deseja.

Há um consenso geral de que projetos geralmente precisam de mais liderança diretiva na fase inicial, – dizer aos outros o que fazer- enquanto que na fase de execução um estilo de liderança mais facilitador , que coordena os insumos dos outros, apoiador, aquele que dá assistência ao longo do caminho e treinador, que instrui os outros, tende a ser mais efetivo.

Por ser uma habilidade interpessoal, a liderança pode ser aprendida e desenvolvida.

 

4 Conclusões

De acordo com Goleman fomos longe demais quando enfatizamos o valor da importância do puramente racional na vida. Afinal, quando as emoções nos dominam o intelecto não pode nos conduzir a lugar algum. As pessoas que não conseguem exercer nenhum controle sobre sua vida emocional travam batalhas internas que sabotam sua capacidade de concentração e de pensar com clareza. Na vida e no mercado de trabalho, hoje, a mente racional e a mente emocional devem caminhar lado a lado para uma melhor gestão de relações e de nossos interiores.

Dessa forma, além da competência técnica, o Gerente de Projetos precisa possuir excelentes habilidades intrapessoais e interpessoais a fim de obter resultados de sucesso no seu gerenciamento.

Neste contexto, a utilização da Inteligência Emocional (IE) na gestão de projetos, em outras palavras, a aplicação daquelas habilidades, torna-se o grande diferencial para que o GP seja um líder extraordinário, comunique-se de modo mais eficaz, desenvolva o relacionamento com os stakeholders do projeto que apoiem o sucesso deste, mantenha motivada a sua equipe, utilize as informações emocionais para a tomada de melhores decisões e, assim, obtenha mais das pessoas com as quais trabalha e atinja melhores resultados com menos esforço.

Para um gerenciamento bem sucedido, o GP deve saber ser flexível e proativo; estimular a equipe e motivar a si próprio; influenciar as pessoas em prol do projeto; buscar o melhor de cada membro da equipe; entender as mensagens transmitidas por clientes, parceiros, equipe, acionistas e demais partes interessadas; incentivar a contribuição de todos; delegar; não entrar em pânico em momentos de dificuldade do projeto.

 

5 Referências

GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

SIQUEIRA, M.M.M; PADOVAM, V.A.R. Bases teóricas de bem-estar subjetivo, bem-estar psicológico e bem-estar no trabalho. Universidade Metodista de São Paulo, 2004.

GARDNER, H. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

IETEC. Gestão de Projetos no Brasil: conceitos e técnicas. IETEC, 2013 - 3º edição.

MERSINO, Anthony C. Inteligência emocional para gerenciamento de projetos. São Paulo: M.Books do Brasil, 2009.

Batista, Samuel. Inteligência Emocional na Gestão de Projetos. Disponível em:
http://www.cronosquality.com/artigos/samuel.pdf. Acesso em:12 de janeiro. 2015.

 

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