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:: Gestão e Tecn. da Informação

Ambiente de mudanças em Software-Houses e integração de sistemas

Jaime Batista Morais

Tecnólogo em Processamento de Dados, pós-graduado em Analise de Negócios e Informação, pelo IETEC.

Caminhos para a organização do ambiente e integração de sistemas

Todo o processo constante de mudanças com o qual nos deparamos hoje em dia leva a alguns acontecimentos no mercado que com freqüência podemos observar, sendo que um deles é a constante fusão de empresas e aquisição de empresas menor porte que atuam no mesmo nicho de mercado, e que geralmente vêm agregar valor a produtos já desenvolvidos. No mercado de informática e entre as software-houses e empresas de serviços existem vários casos de aquisições como esses. Neste artigo estarei principalmente enfocando estas compras de empresas menores e demonstrando as dificuldades e soluções encontradas neste processo principalmente em relação à integração e a padronização dos processos entre as empresas que efetuam a compra e as empresas que são adquiridas.

Nestre processo, normalmente as empresas adquiridas inicialmente tendem a ficar meio perdidas em relação aos métodos e processos de desenvolvimento a serem seguidos. Mesmo porque o que geralmente se observa é que as empresas menores não possuem uma metodologia de desenvolvimento bem definida. Mas a questão da área de desenvolvimento ficar meio "perdida" pode ser considerada normal devido ao fato de que geralmente as áreas administrativas são as mais focadas no início dos trabalhos de integração entre as empresas.

Em alguns casos, embora a empresa adquirida se torne parte integrante de uma organização maior, mantém uma certa independência da "matriz", sendo que isto pode acontecer em casos onde a empresa adquirida desenvolve determinado produto que venha a complementar o produto da matriz. Geralmente neste caso, a empresa adquirida mantém seus processos de desenvolvimento da mesma forma que sempre esteve trabalhando.

No mercado de informática, principalmente em relação à empresas de menor porte que são alvos da compra por empresas maiores, é muito comum de se verificar que estas empresas são geralmente compostas por um reduzido grupo de funcionários e desenvolvedores de software. Normalmente nestas empresas a grande maioria dos processos são informais, ou seja, não há uma padronização de processos do ambiente de desenvolvimento escrita e modelada e que é seguida por todos os funcionários à risca. O que existe, dependendo da equipe, é um grande comprometimento e cumplicidade na execução das tarefas o que garante uma relativa padronização nos processos realizados diarimente. Estes padrões "informais" geralmente ficam definidos em reuniões rápidas e passam então a serem seguidos por todos.

A partir do momento em que este tipo de empresa é adquirida por uma empresa maior e geralmente mais organizada e com padrões definidos, é verificada a necessidade de se organizar melhor para permitir uma maior sintonia com a matriz. Uma boa alternativa é começar pelo mapeamento dos processos realizados pela empresa, para verificar com mais exatidão os pontos fracos e onde os processos devam ser revistos e então redesenhados. A partir do momento que os processos estejam revistos e corrigidos uma boa opção é remodelar a intranet da empresa, disponibilizando a todos os documentos e diagramas desenvolvidos para que a equipe entre em sintonia.

Logo as empresas estejam com seus processos revistos e em sintonia, deve então começar o trabalho da integração dos sistemas. As empresas então devem realizar reuniões e visitas uma à outra para verificar quais ferramentas/tecnologias utilizar, sendo que normalmente pode acontecer que a empresa adquirida trabalhe com tecnologia até superior a empresa compradora. Caso esta seja uma realidade ou não, o certo é que devam ser levadas em consideração as melhores soluções que permitam uma melhor integração entre os sistemas das empresas.

A partir do momento em que as empresas se conhecam e tenham as ferramentas e tecnologias definidas, começa o trabalho de integração dos sistemas a nível de desenvolvimento e programação. Existem no mercado algumas metodologias para a integração, umas são mais voltadas para a integração à nível de dados, outras a nível de aplicação, e outras a nível de métodos e interfaces. A metodologia que software-houses geralmente seguem é a integração a nível de aplicação.

Definindo o caminho da integração a nível de aplicação, o passo seguinte é implementar uma API (application program interface) a ser utilizada pelos desenvolvedores. As APIs são pontos de entrada que uma aplicação pode disponibilizar para outras aplicações. Os desenvolvedores colocam estas interfaces em suas aplicações tanto para acessar processos de negócios quanto para apenas acessar determinada informação. Usando estas interfaces, é possível para as aplicações usarem características disponíveis em outras, permitindo a elas compartilharem sua lógica.

Uma boa alternativa é escolher a melhor framework (base na qual os sistemas são construídos) que esteja sendo usada entre as duas empresas e a partir daí desenvolver todos os programas e APIs necessárias à integração.

Para melhor utilizar este tipo de implementação, o ideal é que os sistemas já existentes estejam trabalhando com o conceito de packages e componentes, como por exemplo é feito no SAP e Baan. Daí para integrar as aplicações basta usar a API que é disponibilizada, extrair a informação, colocar no formato da aplicação de destino, e transmitir esta informação. Uma tendência para o futuro, como por exemplo a estratégia .NET da Microsoft, é que diversos serviços comuns entre as aplicações sejam serviços web, utilizando o padrão SOAP (Simple Object Access Protocol) para realizar as chamadas aos serviços.

Seguindo estes exemplos, o que pode ser desenvolvido normalmente é um package comum entre os sistemas, e este package faça acesso à tabelas de parâmetros específicos de cada sistema. Desta forma ambos sistemas podem chamar rotinas necessárias à integração do outro sistema através de uma mesma interface.

Seguindo este caminho, o processo de integração entre os sistemas de ambas empresas pode ser realizado com tranquilidade pois não interrompe o processo natural de evolução de cada sistema. Por exemplo, o cliente que possua o sistema da empresa compradora instalado em seu parque e não possua o sistema da empresa adquirida não sofrerá nenhum tipo de impacto relativo a essa nova característica de integração do sistema. O ganho principal fica por parte da software-house que possui um novo produto para oferecer com total integração com o software já implantado, bastando para isso apenas implantar também o outro sistema e disponibilizar o package de integração dos sistemas.

Com isso, a nova software-house pode conseguir atingir seu objetivo maior que é complementar o sistema com novas características e oferecer um melhor e mais completo produto para seus clientes, utilizando-se de tecnologia já desenvolvida e com aceitação de mercado.

Tudo isso permite oferecer um produto relativamente diferenciado, devido ao fato de que no mercado competitivo de hoje as empresas sempre optem por soluções que já apresentem produtos integrados, o que a nova software-house já estará disponibilizando. Isso permitirá, caso acompanhada de uma boa prestação de suporte e consultoria, uma melhor apresentação do produto no mercado e a conseqüente obtenção de novos clientes, levando a software-house a conseguir o retorno de seu investimento e os futuros lucros objetivados.

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