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:: Editorial

A nova ordem econômica

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

A questão da quebra dos monopólios no Brasil, com a flexibilização, significa que o país está indo ao encontro da globalização da economia. A componente principal da integração dos países deixa de ser o capital e passa a ser a tecnologia. Isso, porque hoje o capital está tão volátil --tão disponível no mundo inteiro--, que a tecnologia se tornou o ponto mais importante no processo de globalização .No Brasil, novas tecnologias vão surgir a partir do investimento de empresas estrangeiras.

A razão pela qual o país inteiro está a favor da quebra dos monopólios é que a mentalidade mundial está mudando. O mundo está mais ágil. Os investimentos e as decisões empresariais também devem seguir esta tendência. No caso das grandes empresas --como as "Teles", a Petrobrás e a Vale do Rio Doce--, a ingerência política resulta em uma lastimável lentidão no próprio sistema. Foi esta ingerência a causadora da "desprofissionalização" destas empresas.

Principalmente as "Teles" e a Petrobrás foram "desprofissionalizadas" nas últimas décadas. A própria característica estatal, além de estarem amarradas a licitações --e não a regras de mercado-- impedem que estas empresas tenham agilidade e mobilidade de investimentos em tecnologias e recursos humanos. Assim, se tornam vulneráveis à ação das empresas privadas, principalmente das multinacionais. A questão do emprego também será beneficiada com a flexibilização. Os profissionais terão mais opções de escolha e serão disputados pelas empresas. Setores, como o de telecomunicações, carecem de pessoal altamente qualificados.

O Congresso aprovou a quebra do monopólio. Agora, na seqüência, as estatais devem ser preparadas para uma privatização gradual. Não é conceptível uma privatização no simples sentido de vender as empresas. Um modelo ideal seria o baseado no mexicano, que consiste em vender o controle acionário das empresas, mas o governo continuar no controle financeiro. Dessa maneira, quando as estatais estiverem saneadas pela gestão da iniciativa privada, vão valer muito mais. É o caso da Usiminas e da Acesita, que depois de privatizadas passaram a dar lucro. O governo agora pode e deve recuperar todo o dinheiro que investiu.

O setor de telecomunicações --até muito mais do que o de energia-- é um ponto crucial para o desenvolvimento de toda infra-estrutura de novas empresas no país. Como hoje o mundo está ligado on-line, não se concebe mais uma indústria que não esteja ligada com o mundo, seja essa ligação via satélite, fibra ótica ou outras tecnologias.

Além de tudo isso, a quebra do monopólio chega em um momento em que o Estado não tem mais capital de investimento. O Estado falido e todas estas áreas precisam de investimentos maciços. Os investimentos não devem mais ser feitos apenas pelo Estado, uma vez que o capital privado está interessado em fazer este investimento. O Estado deve se ater a educação, saneamento, transporte, saúde e segurança. O restante --relativo a produção de bens de capitais e bens de serviço-- tem que ser investido pela iniciativa privada, sempre que possível. Do ponto-de-vista de investimentos, é importante ressaltar que, ao invés investir nas estatais, o Estado vai passar a investir nas prioridades inerentes ao próprio Estado.

 

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