Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Editorial

Investindo no homem

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

Como não poderia deixar de ser, educação é um dever incontestável do Estado. Com a falência do modelo educacional praticado pelo Estado, entretanto, a luta por melhores níveis de educação no país passa a ser um dever de todos --principalmente das empresas, cansadas de verem os impostos pagos serem mal aplicados pelos governantes.

Em conseqüência da abertura dos portos brasileiros, a competitividade passou a significar sobrevivência empresarial e, até mesmo, profissional. Neste sentido, as empresas começaram a implementar programas de qualidade total, melhoria contínua e qualidade ambiental, entre outras. No entanto, no decorrer destes processos, perceberam que parcela considerável de seus funcionários era analfabeta, o que inviabilizava qualquer tentativa de melhorias. Descobriram, assim, a real distância entre o Brasil e o Primeiro Mundo.

Mas muitos empresários não se abateram e estão investindo maciçamente em programas de formação básica. Há empresas que montaram verdadeiras escolas dentro de suas instalações para reverter a caótica situação em que se encontram seus empregados. A empreitada se torna mais árdua porque hoje o conceito de analfabetismo vai além do simples saber ler e escrever. O analfabeto atual --dentro de um quadro acirrado de competição-- é aquele que não sabe interpretar um texto ou uma norma, que não sabe ler um manual ou preencher um gráfico. Uma pessoa para ser considerada alfabetizada atualmente deve, além de ler e escrever, ter poder elaborativo.

O programa da Finep (Proeduc) --avaliado em R$ 100 milhões para financiamento de empresas que investirem em educação básica-- é de louvor e deve ser imitado por outras instituições.

Iniciativas como a da Fiemg em criar um Conselho de Educação com o objetivo de aproximar as empresas mineiras das escolas também merecem nossos aplausos. Hoje esta aproximação se torna essencial pelo fato de os empresários dominarem o que de mais importante as escolas precisam: o gerenciamento. Acreditamos que os empresários devem levar este conhecimento para as escolas, de uma forma mais objetiva e em pequenas doses. A partir do momento em que as escolas tiverem maior autonomia gerencial poderão ser mais regionalizadas e atender aos anseios da população local e também das empresas da região.

O empresário que investir conscientemente em educação de empregados estará cumprindo seu papel social, pois esta iniciativa não se restringirá ao universo da empresa. Será difundida por toda comunidade, iniciando pela família. Nisso tudo, o mais importante não é simplesmente o "investir em educação". É o investimento no homem, na formação do homem. Aí sim teremos um país constituído de cidadãos.

 

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo