Logomarca IETEC

Buscar no TecHoje

Preencha o campo abaixo para realizar sua busca

:: Gestão e Tecn. da Informação

Competência da indústria de software nacional começa a ser reconhecida

Rodrigo Mascarenhas

Presidente da RM Sistemas e presidente da SUCESU-MG.

 Nos contatos com empresários e executivos das mais diversas áreas e portes que mantenho com freqüência todos, sem exceção, perguntam como vejo a situação do Brasil e os caminhos para o futuro. Minha resposta muitas vezes surpreende, até choca, uma vez que como otimista formado pela escola da vida, estou sempre buscando o melhor e esperando o melhor. Isto apesar de todas as notícias negativas que vemos, ouvimos e lemos diariamente, e que acabam afetando praticamente todo mundo.

Abri este artigo falando disso porque este acreditar no Brasil também está relacionado à confiança nas empresas e profissionais brasileiros. Tenho certeza de que o País apresenta bons exemplos que podem ser referência para todo o mundo e a área de software é um caso muito interessante.

Durante anos, ouvi-se que o Brasil não seria jamais representativo em termos de software, que o mercado seria dominado pelas companhias internacionais que produziam seus produtos em outros países, isto é, nas grandes potências que dominam a tecnologia e tem muito dinheiro para investir.

Mas como muita coisa que é dada como certa acaba não acontecendo, este também foi o caso da propalada inanição e falta de representatividade da indústria brasileira de software, que, ao contrário das previsões que se faziam há 10 ou 15 anos atrás, vem se desenvolvendo ano a ano e hoje tem entre seus expoentes grandes, médias e pequenas companhias que empregam milhares de profissionais, produzindo produtos Made in Brazil com qualidade.

No final de janeiro, o Ministério de Ciência e Tecnologia ratificou essa percepção ao apresentar os resultados da quinta edição da pesquisa "Qualidade e Produtividade no Setor de Software", que mostra um mercado em processo de crescimento e de amadurecimento, com as companhias buscando soluções para as mais diversas demandas de TI. Atualmente, várias empresas brasileiras de software já exportam seus produtos para os Estados Unidos e para a Europa, isso sem falar dos países de toda América Latina. Algumas até já abriram unidades no exterior, fruto do sucesso de seus programas nos mercados locais.

Certamente não somos e nunca seremos grandes criadores de sistemas operacionais, de rede e softwares voltados para usuários finais, como planilhas, processadores de texto etc. Para isso, existe a IBM, a Microsoft e a Novell. Mas na área de gestão empresarial - o chamado Back Office, como os sistemas de folha de pagamento, contabilidade, vendas, faturamento, estoque, chão de fábrica etc -, nos quais o conhecimento das particularidades do Brasil é fundamental, apresentamos grande know how e desenvoltura, fruto do talento dos empreendedores e dos profissionais brasileiros.

Entretanto, não podemos esquecer dos problemas, afinal de contas, não tenho vocação para ser a Velhinha de Taubaté, personagem de Luis Fernando Veríssimo, que só vê coisas positivas. Os problemas existem, mas como dizia meu pai, existem para ser resolvidos. O Brasil ainda necessita de uma política de software mais clara e definida, que incentive não apenas a criação de novas empresas nacionais na área e fomentem o desenvolvimento das companhias já existentes, mas também incorporem este espírito empreendedor tão característico ao brasileiro, para trazer para o País grandes produtores mundiais de software, que passariam a ter localmente centros de desenvolvimento. E o melhor, empregando mão de obra local.

Isso não custa muito e pode gerar divisas para o País, além, é claro, de ajudar na resolução do grave problema de desemprego que temos, e que anda tão falado nas campanhas políticas.

Indique este artigo a um amigo

Indique o artigo