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:: Editorial

O computador como ferramenta de competitividade

Ronaldo Gusmão

Diretor executivo do Ietec e coordenador geral da Ecolatina - Conferência Latino Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social.

O desenvolvimento econômico e tecnológico passa necessariamente pelo desenvolvimento da engenharia e do engenheiro, como afirma o ex-ministro Camilo Penna na entrevista desta edição. É preciso revalorizar a profissão e o profissional, até então relegados a segundo plano pela falta de investimentos em desenvolvimento de tecnologia no país. Há uma visão equivocada de que se pode comprar tecnologias. Na verdade, o que se compra são os produtos da tecnologia: máquinas e equipamentos. A verdadeira tecnologia está nas equipes que a desenvolveu.

Na época em que o Brasil praticou a política de substituições de importações --entre as décadas de 60 e 90--, na realidade, não houve desenvolvimento de tecnologias no país. Foram comprados equipamentos e máquinas e desenvolvidas técnicas de produção. Com isso, a engenharia tomou novo rumo. Deixamos de ter engenheiros de concepção --engenheiros projetistas-- e passamos a ter engenheiros basicamente de produção.

Com a abertura da economia brasileira, a competição acirrada que se iniciou entre as empresas nacionais e as do exterior torna necessário o desenvolvimento de tecnologias próprias. Para isso, precisamos revalorizar a engenharia e o engenheiro, aparelhando-o para que produza melhor. A ferramenta mais eficiente, sem dúvida, para o aparelhamento deste profissional é o computador, que deve passar a ser um escritório de trabalho portátil. Em um laptop, o engenheiro pode carregar todas as informações de engenharia e, de onde estiver, imediatamente conectar-se, via telefone celular ou telefone comum, à sua central e acessar os dados da empresa para tomar uma decisão.

Esta já é uma realidade para algumas empresas. Mas está longe do ideal. É preciso que se popularize ao máximo o computador. Até pouco tempo atrás, o engenheiro se formava totalmente fora da realidade de mercado. Neste sentido, os engenheiros formados a mais de cinco anos têm que tomar consciência --por conta própria-- da importância dessa ferramenta de trabalho e procurar se atualizar tecnologicamente. Deve ficar bem claro que a informática não é só um instrumento de competitividade das empresas, mas principalmente do profissional.

Pela pesquisa realizada pelo Ietec e publicada neste número de Tecnologia Hoje, nota-se que, referente às empresas de construção civil filiadas ao Sinduscon, o número de computadores por empresa aumentou em 50% (tomando por base as pesquisas realizadas em janeiro de 94 e em agosto de 95). O número de computadores por engenheiro também aumentou. Passou de 0,7 para 0,82 (17%). No entanto, um ponto negativo notado é que a produtividade do engenheiro não cresceu na mesma proporção que a das empresas.

Quanto aos dados das empresas de consultoria e projetos filiadas à Amec, verifica-se que o número de computadores por empresa é bastante superior ao da construção civil (8,55 contra 4,47). Mas aqui percebemos um grande contra-senso: o número de computadores por engenheiro é baixíssimo (0,72), principalmente se considerarmos a natureza destas empresas.

A partir da pesquisa podemos concluir que o que falta aos engenheiros é a tecnologia de uso que otimize o computador em seu trabalho diário. Cabe às entidades de classe e outras instituições fazer um levantamento da real situação de seus associados e propor programas intensivos de educação e treinamento tecnológicos.

 

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