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:: Gestão e Tecn. da Informação

A chave da transparência

Francisco F. Sanz Esteban

Ex-presidente do conselho de administração da ABNT, é sócio do IBGC, diretor do departamento de tecnologia da Ciesp e conselheiro da e-Trust, empresa especializada em segurança da informação.

Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3 - 01/11/05

Governança e segurança da informação andam juntas

Em todo o mundo, o mercado, a alta competitividade e os lucros, além de normas, regras e legislações, exigem das empresas total transparência e ética nos processos fiscais e contábeis. Esse tipo de postura fortalece a imagem da empresa aos olhos do mercado, pois sinaliza credibilidade, seriedade e a relevância da corporação. Um exemplo é a Sarbanes-Oxley, que, dentre outras funções, obriga as empresas a documentarem toda a comunicação existente com auditores por um período de cinco anos. Além disso, esses documentos devem ser originados de e arquivados por um servidor central para garantir sua segurança.

Entretanto, ao se posicionarem de forma transparente, as empresas expõem informações estratégicas e delicadas, como investimentos, contratos e balanços financeiros, muitas vezes sem nenhum procedimento preventivo que impossibilite desde adulteração de seu conteúdo até o direcionamento desses dados a terceiros. Com isso, as informações da empresa ficam disponíveis a qualquer pessoa, que pode utilizá-las de diversas formas e, por vezes, em detrimento dos interesses da corporação.

Nesse sentido, a governança corporativa e a segurança da informação caminham juntas e surgem como alternativas eficazes, pois possibilitam o controle dos processos internos, facilitando o acesso a todos os dados que, por lei, ou por adoção às boas práticas, são requeridos. É nesse ponto que entra a base de todo o sistema: a segurança da informação é a chave da governança objetiva, pois possibilita que os dados cheguem ao seu real destino com transparência, eqüidade e responsabilidade corporativa, social e ambiental. Com isso, a empresa presta contas e preserva interesses confidenciais, estratégicos ou sigilosos.

Segundo recente estudo da International Shareholder Services (EUA), as empresas cujos procedimentos correspondem ao mais alto grau de governança conquistaram margens líquidas de lucro 21,66% acima da média de seu segmento. As de grau mais baixo tiveram margens líquidas de lucro 6,38% inferiores à média. A relação melhores práticas de governança versus maiores lucros foi medida por pesquisa realizada nos EUA e já pode ser observada também no Brasil.

A segurança da informação está extremamente relacionada ao tema, já que se torna fundamental a aplicação de soluções nesse sentido para que a governança corporativa atue favoravelmente aos interesses de uma corporação, eliminando ou reduzindo a um nível de risco aceitável o vazamento de informações confidenciais. Essas soluções atuam como uma espécie de filtro através do qual os dados são disponibilizados ou direcionados somente aos realmente interessados, sem possibilidade de desvio ou adulteração de seu conteúdo. Assim, a segurança da informação torna o processo de transparência mais eficiente e objetivo. Quanto mais eficaz for a solução de segurança, maior é a possibilidade de oferecer transparência sem riscos desconhecidos e de forma mais objetiva.

Para que essas medidas se tornem viáveis no mercado corporativo nacional existem normas, métricas, procedimentos e políticas de segurança que podem ser adotadas pelas empresas e orientadas para cada negócio, fornecendo informações detalhadas para gerenciar processos baseados em objetivos de negócios.

A governança corporativa deixou de ser uma tendência e hoje já se consolida como uma realidade no mercado nacional. Porém, todos os responsáveis pelos sistemas de informações devem analisar cuidadosamente os riscos de cada ação no processo de comunicação, adotando soluções de governança corporativa com base na segurança da informação.

Levando em consideração que ética e transparência não são mais diferenciais morais para o mercado, e sim uma obrigação legal, é hora de as corporações serem cautelosas e objetivas em seus processos de comunicação.

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