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Pesquisa aponta que 73% das empresas brasileiras pretendem adotar soluções de tecnologia sob demanda, segmento que deverá ter um salto de 25%, em 2007

Em recente pesquisa realizada pela SuperCom, constatou-se que 73% das empresas brasileiras pretendem adotar soluções de tecnologia sob demanda, segmento que deverá ter um salto de 25%, em 2007. E esse crescimento não deve parar. Ainda segundo a pesquisa, o uso desses serviços deve chegar a 60%, em 2008, e de 78%, em 2009. Foram entrevistadas 300 companhias de pequeno (42%), médio (38%) e grande (19%) porte.

De acordo com o diretor de serviços da RM Sistemas, o administrador e tecnólogo da informação Cleber Augusto Piçarro, a área de TI está condicionada à natureza das estruturas de informática. "Computadores e softwares, via de regra, precisam ser muito bem dimensionados antes de serem contratados, pois não há possibilidade de devolução em caso de ociosidade. Isso é o que o modelo "on demand" - como é conhecido o termo em inglês - se propõe a corrigir", explica.

Para o engenheiro e executivo Stéfano Angioletti, instrutor de Gestão e Tecnologia da Informação do IETEC, a TI sob demanda passou a ganhar fôlego quando as empresas usuárias de informática perceberam que estavam investindo muito em TI e obtendo retornos muito baixos, alguns até mesmo negativos. "Uma das formas de corrigir estas distorções é desenvolver soluções de TI que estejam alinhadas com bons processos de gestão de negócios, afinal, TI não faz milagres", pondera Angioletti.

Segundo o engenheiro, existem opções cada vez mais seguras para se contratar soluções sob demanda, por meio de empresas dedicadas e especializadas. "Já existem casos de sucesso na contratação de demanda nas áreas de telecomunicações, redes corporativas, transações comerciais via Internet e mesmo na utilização de sistemas integrados de gestão (ERPs)", conta Angioletti. Ele ainda explica que o amadurecimento nesta área tem sido rápido devido às boas práticas de terceirização ocorridas nos últimos 10 anos.

O crescimento da prática de terceirização pode ser comprovado, por exemplo, no caso dos serviços prestados pela RM Sistemas. Segundo Cléber Piçarro, todos os clientes da empresa que contratam pela manutenção de seus softwares pagam apenas pela licença efetivamente utilizada. "Havendo redução de uso, eles buscam a adaptação do contrato. Havendo ampliação, idem", conta. A forma contratual para o pagamento desse tipo de serviço acontece, na maioria das vezes, por meio de uma conta mensal estipulada de acordo com o uso que o cliente faz da solução no período. Exatamente como acontece com água, eletricidade e outros serviços.

Flexibilidade é essencial

Para entender melhor esse novo conceito, a palavra mágica que deve ser tomada como fio condutor é flexibilidade. TI sob demanda exige pensar em novos modelos de negócios que permitam às empresas trabalhar com estruturas "mais elásticas", que acompanhem as rápidas expansões e contrações do mercado.

Basicamente, esse tipo de serviço funciona tendo uma área de TI flexível, que contrata toda a infra-estrutura e os serviços sob demanda. Após utilização, havendo ociosidade, ela tem a opção de reduzir os contratos. "Tecnologicamente isso exige muito esforço, pois nem todos os segmentos de TI têm uma flexibilidade natural, seja do ponto de vista tecnológico ou contratual-comercial", conta Piçarro.

No entanto, poder atender picos de trabalho sem a necessidade de se estocar tecnologia é um dos principais benefícios que essa flexibilidade, advinda da TI sob demanda, pode proporcionar às empresas. Cleber Piçarro faz lembrar que a vantagem em não se estocar tecnologia está relacionada à obsolescência acelerada intrínseca ao setor de tecnologia.

Outro ponto fundamental que influencia nos cortes de gastos nesta área, é a possibilidade do Gestor de TI trabalhar com uma margem de segurança significativa para manter os sistemas em funcionamento em caso de crescimento imediato da demanda. "A economia dos custos em TI se dá exatamente no fato de não ser necessário contratar além do necessário para a empresa", explica Piçarro.

Os modelos tecnológicos

De acordo com Cleber Piçarro, um dos modelos que buscam justamente a TI sob demanda é o conhecido como ASP (Application Service Provider). Outro conceito computacional chamado Grid-computing (computação em "grade") preconiza o modelo on demand. Computadores conectados via rede permitem que se aproveite a capacidade ociosa de um conjunto de máquinas (grid) aumentando muito a capacidade de processamento. "Esses dois conceitos (ASP e GRID) estão à frente do seu tempo em termos tecnológicos, mas impulsionaram um conceito comercial muito adequado ao mundo real, o on Demand", conta.

Já o mercado de software trata o conceito sob demanda com mais naturalidade, por meio do aluguel e contratos de manutenção. Segundo Piçarro, a venda de licenças na verdade subsidia boa parte dos serviços de instalação. Contudo, praticamente todo fornecedor de software trabalha com contratos de manutenção que possuem natureza "on demand". "A industria de software já busca se adaptar a este modelo há algum tempo", conta.

O outro lado da moeda

Devido ao fato de ainda ser uma ferramenta muito nova e às empresas de maior porte possuírem uma estrutura organizacional menos flexível, ainda existem dificuldades na implementação da TI sob demanda. Segundo o gestor de infra-estrutura de tecnologia da informação da Companhia Vale do Rio Doce, o tecnólogo em processamento de dados Gilson Geraldo de Carvalho Júnior, o serviço sob demanda é o ideal, mas ainda levará tempo para estar presente em todas as corporações.

De acordo com Gilson Júnior, um dos principais empecilhos é a falta de projeção orçamentária. "É difícil estimar os gasto quando o atendimento é sob demanda", conta Gilson, que também é pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC. Por isso, no caso da CVRD, os softwares ainda são comprados e os contratos com as empresas que prestam serviço na área de TI ainda são firmados com valores fixos mensais.

É certo que o negócio on demand não acontecerá da noite para o dia, no entanto, como acredita Gilson Júnior, em um futuro muito próximo, todas as empresas terão que se adequar a este tipo de serviços. As empresas de grande porte, que hoje destinam milhões de dólares a TI, vão incrementar ao máximo a utilização de toda a tecnologia adquirida, sem necessidade de novos equipamentos e poderão até mesmo oferecer este arsenal para uso de terceiros com segurança. Esta nova concepção de fazer negócios será uma revolução para as pequenas e médias empresas, pois permitirá que elas tenham acesso à tecnologia de ponta sem que tenham que fazer pesados investimentos.

As empresas podem se transformar em on demand a partir da definição dos processos de negócio. Para auxiliar as empresas nesse aspecto, a IBM adquiriu no final de 2002 a Pricewaterhouse Coopers Consulting, hoje a divisão BCS - Business Consulting Services. Com esta aquisição, a empresa acrescentou ao seu conhecimento tecnológico a
visão de negócios que fecha o ciclo on demand.

Mas a IBM afirma que os benefícios do negócio on demand passam necessariamente por uma nova arquitetura de computação denominada Ambiente Operacional On Demand. Segundo levantamento realizado pela empresa, a infra-estrutura de computação de hoje não está totalmente preparada para dar suporte a esse tipo de ambiente de negócios de grande dinamismo, capacidade de resposta e integração.

O fato é que os últimos 40 anos da evolução da tecnologia deixaram a maioria das empresas com uma infra-estrutura de computação heterogênea, amplamente distribuída e cada vez mais complexa. Esse novo ambiente operacional possui algumas características essenciais:

Integração - Este novo ambiente deve habilitar a integração dos processos de negócios e sistemas centrais para que o negócio do cliente possa fluir não apenas internamente, mas também entre a empresa e o mercado. Atualmente, 40% de tudo o que as empresas gastam em TI é destinado à integração.

Virtualização - Quase todas as empresas possuem uma capacidade de computação excessiva e não utilizada, embora distribuída por todas partes. A era on demand busca virtualizar todo o centro computacional das empresas, com uma tecnologia emergente chamada Grid Computing. Assim como a Internet, a tecnologia Grid se baseia em padrões e protocolos técnicos abertos. Uma vez implementada, esta tecnologia permite compartilhar e administrar um conjunto de recursos de computação distribuídos como se fosse um único grande computador virtual. As grids (grades) já estão construídas em laboratórios de governo e universidades. Em breve, serão implementadas em ambientes corporativos.

O modelo on demand pode redefinir a forma pela qual as empresas compram e administram computação. À medida que o modelo de computação se aproximar do Ambiente Operacional On Demand, surgirão opções mais flexíveis e economicamente atraentes para os clientes, que além disso serão viáveis para a indústria de TI.

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