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Logística

Supply Chain Management - III

Jailson Fernandes Ferreira / Fabrício Borges

Jailson Fernandes Ferreira - Técnico de controle da qualidade; pós-graduado em Gestão da Logística pelo IETEC

Fabrício Borges - Contador; pós-graduado em Gestão da Logística pelo IETEC

1. INTRODUÇÃO

1.1 - DEFINIÇÃO DA LOGÍSTICA:

Segundo o CML (Conselho de Gestão da Logística - USA), logística "É o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamente eficaz de matérias primas, estoque em processo, produtos acabados, bem como serviços e informações associadas, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as necessidades e expectativas do cliente e/ou consumidor".

1.2 - EVOLÇÃO DA LOGÍSTICA MODERNA:

Nas três primeiras fases da evolução da logística moderna a integração entre os vários agentes da cadeia de suprimentos se dava basicamente em termos puramente físicos e operacionais. Na quarta fase (SCM) as empresas da cadeia de suprimento passaram a tratar a questão da logística de forma estratégica e propiciaram um grande salto de qualidade, ou seja, em vez de otimizar as operações individualmente elas passaram a buscar soluções novas usando a logística para ganhar competitividade, induzindo novos negócios, trabalhando mais próximos, trocando informações e formando parcerias.

2. DESENVOLVIMENTO

O Supply Chan Management - ou Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos - é a ciência que visa unir todas as fases do processo de Supply Chain (cadeia de suprimentos), visando otimizar os métodos e etapas de produção, compras e suprimentos, inventário, administração, previsões, armazenagem, transporte e entrega dos produtos. Baseia-se na parceria de empresas de diversos setores de cada uma das etapas do Supply Chain como fornecedores, indústria, armazéns, varejistas, distribuidores, empresas de logística, etc...

O processo se inicia com o pedido do cliente, depois vem a produção, o armazenamento e a distribuição dos produtos e suprimentos para o site do cliente. Este tipo de processo reduz o tempo, proporciona o compartilhamento de previsões de vendas, diminuição de custos, agiliza as entregas e otimiza a produtividade. Tudo visando a satisfação do cliente.

No final da década de 60 foram desenvolvidos sistemas para 'Controle de Estoque', cuja função básica era controlar os consumos de materiais e, baseado nestes históricos, prever as necessidades para os próximos períodos. A primeira grande evolução ocorreu na década de 70: a previsão de consumo passou a ser afetada diretamente pelas necessidades da área de produção da empresa e considerava as compras em andamento para atender parte destas necessidades. Esta ferramenta foi chamada de MRP - Material Requirement Planning - ou Planejamento das Necessidades de Materiais.

No início da década de 80 o conceito foi novamente ampliado, sendo chamado de MRP II. Nesta etapa, além de surgir o conceito de planejamento mestre - MPS, Master Plan Scheduling - as áreas produtivas e estoque foram integradas a compras, vendas e algumas funções financeiras. Enfim, no final da década de 80 surge o conceito ERP e, nos softwares, foram desenvolvidas ferramentas para controlar com abrangência todas as áreas críticas de uma empresa.

Após o advento do ERP, a necessidade observada era que o software deveria acompanhar a evolução de um ambiente empresarial. Com este intuito, surgiu o conceito SCM - Supply Chain Management - sigla para Gerenciamento da cadeia logística. Esta solução veio a complementar o ERP, gerenciando toda a cadeia logística do cliente até o fornecedor, passando pelo planejamento finito de produção, planejamento da logística de distribuição, transportes, etc. Em resumo, planejando e controlando as entidades internas e externas da companhia.

Segundo Slack, a cadeia logística é como o fluxo de água de um rio, onde seus extremos, nascentes e foz, correspondem, respectivamente, a matéria prima (fornecimento) e cliente final (demanda). Entre estes extremos existe uma infinidade de empresas que podem ser vistas como afluentes e subafluentes que significam os diversos fornecedores de materiais e serviços que alimentam o "rio" condutor da cadeia.

De acordo com o pensamento de Silva,

Um primeiro passo para que as empresas possam atuar no ambiente Suply Chain é a identificação precisa da posição relativa na cadeia. Empresas mais a montante (mais próximas do fornecimento) devem fortalecer suas competências nas compras e suprimentos de materiais, enquanto que aquelas mais à jusante (mais próximas do cliente final) devem buscar máxima eficiência nos seus mecanismos de estocagem e distribuição. Isso não deve ser feito com tanta rigidez, porque, na realidade, os interesses da organização transitam, com maior ou menor densidade, por toda cadeia que agrega valor ao seu produto.

Existem processos de negócios consideradas chaves para o sucesso de implementação do SCM, os quais podem ser considerados como premissas básicas para a empresa dar início ao processo de implantação, segundo Fleury estes negócios chaves são os seguintes:

- Relacionamento com os clientes: deve visar o desenvolvimento de equipes focadas nos clientes estratégicos, que busquem um entendimento comum sobre características de produtos e serviços, a fim de torna-los atrativos para aquela classe de clientes;
- Serviço aos clientes: deve fornecer um ponto de contato único para todos os clientes, atendendo de forma eficiente a suas consultas e requisições;
- Administração da demanda: visa aditar, compilar e continuamente atualizar dados de demanda, com o objetivo de equilibrar a oferta com a demanda;
- Atendimento de pedidos: objetiva atender aos pedidos dos clientes sem erros e dentro do prazo de entrega combinado;
- Administração do Fluxo de produção: o foco é desenvolver sistemas flexíveis de produção que sejam capazes de responder rapidamente às mudanças nas condições do mercado;
- Compras/Suprimento: deve objetivar as relações de parceria com fornecedores para garantir respostas rápidas e a contínua melhoria de desempenho;
- Desenvolvimento de novos produtos: a organização tem que buscar o mais cedo possível o envolvimento dos fornecedores no desenvolvimento de novos produtos.

As dificuldades para implantação do SCM são várias. Segundo Fleury,

A primeira deriva da relativa novidade do conceito, ainda em formação e pouco difundido entre os profissionais; e a segunda com a complexidade e dificuldade de implementação do conceito. SCM é uma abordagem que exige mudanças profundas em práticas arraigadas, tanto ao nível dos procedimentos internos, quanto a nível externo, no que diz respeito ao relacionamento entre os diversos participantes da cadeia.

A nível interno, torna-se necessário quebrar as barreiras organizacionais resultantes da prática do gerenciamento por silos, que se caracteriza pela perseguição simultânea de diversos objetivos funcionais conflitantes, em detrimento de uma visão sistêmica onde o resultado do conjunto é mais importante que o resultado das partes. Quebrar esta cultura arraigada e convencer os gerentes de que deverão estar preparados para sacrificar seus objetivos funcionais individuais em benefício do conjunto, tem se mostrado uma tarefa desafiante. Alcançá-la implica em abandonar o gerenciamento de funções individuais e buscar a integração das atividades através da estruturação de processos-chave na cadeia de suprimentos.

Estudos registrados por Fleury indicam as grandes oportunidades de ganho com a implantação do SCM, dentre os quais podemos destacar estudo recente realizado pelo MIT que identificou como principais benefícios do SCM à redução de custos de estoque, transporte e armazenagem, melhoria dos serviços em termos de entregas mais rápidas e produção personalizada, e crescimento da receita devido à maior disponibilidade e personalização. As empresas que foram analisadas no estudo indicaram os ganhos citados a seguir:

- Redução de 50% nos estoques;
- Aumento de 40% nas entregas no prazo;
- Redução de 27% nos prazos de entrega;
- Redução de 80% na falta de estoques;
- Aumento de 17% na receita.

Além disto, pesquisa citada por Arozo feita em cerca de 120 empresas do setor de bens de consumo, abrangendo fabricantes, varejistas, atacadistas e distribuidores que utilizam o CPFR (Collaborative Planning, Forecasting and Replenishment - é a mais recente iniciativa do SCM com foco específico no planejamento colaborativo entre as empresas participantes da cadeia de suprimentos) apresentou que cerca de 79% das empresas pesquisadas estão envolvidas, em algum grau, com iniciativas de gerenciamento da cadeia de suprimentos. Ainda com relação à pesquisa, as empresas envolvidas com o processo CPFR já estão obtendo benefícios concretos, muitos dos quais já previstos. Os principais resultados apontados foram os seguintes:

- Aumento nas vendas dos produtos com planejamento colaborativo;
- Redução no erro de previsão;
- Redução no ciclo de ressuprimento;
- Redução nos níveis de estoque com conseqüente aumento no giro dos mesmos;
- Suavização da demanda para os fornecedores;
- Aumento da disponibilidade de produto para os varejistas;
- Visibilidade para melhor determinar os parâmetros de reposição por loja;
- Aumentos no nível de serviço dos fornecedores;
- Redução dos custos de planejamento de produção.

2.1 - ECR - RESPOSTA EFICIENTE AO CONSUMIDOR:

O ECR - Resposta Eficiente ao Consumidor - É a tentativa de integração da cadeia de abastecimento visando à redução de custos e perdas com satisfação do cliente final.

Pesquisa realizada internacionalmente pela Procter & Gamble (atuante nas categorias de detergentes, fraldas descartáveis, saúde, beleza e alimentos) acerca de perdas de vendas nas lojas mostrou que se consumidor não encontrar sua marca preferida, ele: comprará outra marca na mesma loja (61%); esperará até que a preferida chegue (8%); ou comprará sua marca preferida em outra loja (31%). Com isso, a loja deixou de vender para 39% dos consumidores. O fabricante dono da marca, por sua vez, perdeu não só a venda, mas todos os esforços de marketing e logística para ter o produto na prateleira.

O movimento ECR (Efficient Consumer Response, ou Resposta Eficiente ao Consumidor) surgiu nos Estados Unidos, em 1992, o primeiro no sentido de promover integração entre os elos da cadeia de abastecimento. O movimento partiu da grande indústria, mas hoje já ganha força em todo o mundo e também começa a ser adotado por empresas de pequeno e médio porte.

Trata-se de uma aliança estratégica entre indústria e comércio na qual todos buscam agilidade e eficiência por meio das melhores práticas comerciais, financeiras, logísticas e tecnológicas, eliminando custos excedentes e desperdícios, com o objetivo de agregar valor ao consumidor final. Os capacitadores do ECR são o intercâmbio eletrônico de dados via EDI, ou Internet, a padronização desses dados e estrutura organizacional interna adequada a essas práticas. As ferramentas de ação são a reposição contínua de mercadorias e o gerenciamento por categorias de produtos.

Na reposição contínua e automática, o fluxo de informações de estoques entre comércio e indústria passa a transitar por meio eletrônico quando o estoque do comércio atingir determinado limite. Isso acaba com a concentração das negociações no final do mês. Para a indústria, reduz produtos em falta, aumenta a integridade da marca e otimiza programas de produção. Para os varejistas, ajuda a promover a lealdade dos consumidores e um maior conhecimento do consumidor, e melhora a relação com o fornecedor e os serviços prestados na loja. Para atacadistas, proporcionam redução dos índices de redução de produtos devolvidos, diminuição de estoques e fortalecimento do relacionamento com fornecedores.

2.2 - ECR x SCM

Atualmente, a Logística têm recomendado fortemente a redução de custos e o aumento da qualidade do nível de serviços prestados ao cliente. A exemplo da industria que vem desenvolvendo estudos e aplicando as estratégias de SCM - Supply Chain Management ou "Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos", o varejo (local onde o ECR é mais utilizado) liderado pelos grandes representantes do segmento, também busca reduzir seus custos utilizando a Logística para agregar valor ao cliente.

Um dos conceitos aplicados é o ECR é a grande estrutura onde se encaixam diferentes lógicas, com base na Plataforma de Tecnologia de Informação e nivelada pelo Pensamento Logístico como um núcleo de competência, na estratégia empresarial.

Portanto, existe uma forte inter-relação entre o ECR e o SCM, pois atinge diretamente a cadeia de distribuição do ECR que tem a mesma base conceitual da cadeia de logística integrada, o Supply Chain. Envolve todos os integrantes por meio de processos interligados e compartilhados. O relacionamento da empresa com o cliente evoluiu de um modelo de parceria para um modelo simbiótico (associação de dois indivíduos de espécie diferente, com benefício mútuo).

2.3 - IMPORTANCIA DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO SCM:

A implantação de softwares especializados de gestão do Supply Chain proporciona o aumento da competitividade da cadeia logística.

Idealmente a integração cliente fornecedor pode ir até a integração total de sistemas. Seria possível ao cliente fazer uma solicitação qualquer ao fornecedor e conseguir saber, diretamente no seu sistema, a viabilidade do atendimento da sua solicitação. Seu sistema de informações se comunicaria com o sistema de informações de seu fornecedor, e este eventualmente poderia se comunicar com os sistemas de seus fornecedores, e assim sucessivamente.

Todas as conseqüências trazidas por essa alteração seriam analisadas automaticamente e os pontos de exceção seriam ressaltados para que fossem tomadas as providências adequadas.

Porém, estamos bem distantes desse ideal. A questão já seria bastante complexa se todos os elementos da cadeia logística utilizassem os mesmos sistemas informatizados. O que dizer quando cada empresa tem sistemas diferentes, alguns desenvolvidos internamente? Além disso, as cadeias logísticas não são isoladas. Diversos elos da cadeia podem pertencer a mais de uma cadeia simultaneamente.

Apesar disso, muito progresso tem sido obtido ultimamente na tecnologia de gestão do Supply Chain. Novos sistemas, chamados APS - Advanced Planning Systems ou Sistema de Planejamento Avançado - estão disponíveis no mercado há alguns anos. Não se trata de um produto específico, mas de uma nova categoria de softwares especializados em planejamento e programação. Utilizam algoritmos sofisticados para o cálculo da solução de programação e otimização da utilização dos recursos da cadeia logística.

Essa tecnologia é nova porque só recentemente o poder computacional exigido para esse tipo de aplicação está disponível a preços acessíveis.

Esses softwares complementam a funcionalidade dos softwares ERP - Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais. É uma função de nível estratégico através da qual o sistema apoia a tomada do seguinte tipo de decisões:

- Localização de plantas e centros de distribuição
- Tipos de transporte a serem utilizados entre os diversos nós da rede logística
- Distribuição dos itens a serem produzidos em cada planta
- Níveis de estoques adequados para o nível de serviço requerido em cada local.

Através de algoritmos avançados, permite a otimização da rede logística, visando a diminuição dos custos totais de produção, armazenagem e transportes, mantendo o nível de atendimento requerido.

SAP e People Soft, que são respectivamente o primeiro e o terceiro maiores fornecedores de ERP do mercado mundial, também presentes no mercado nacional, também têm funcionalidade de gestão do Supply Chain.

Apesar disso, são poucas ainda as implementações no Brasil e a tecnologia ainda é pouco divulgada e utilizada.

Atualmente, os primeiros usuários são empresas multinacionais que já utilizam esse tipo de tecnologia no exterior.

Essa é uma área muito dinâmica. Os softwares têm enfoques e funcionalidades bastante distintos o que torna o processo de seleção bastante complexo. Mais complexo do que o correspondente processo de seleção de um software ERP.

3 - CONCLUSÃO:

Concluímos que as empresas, depois de incorporar os avanços da informática e de reduzir seus custos, se voltaram novamente à operação da logística, que passou a ter um importante papel. Papel esse que buscou melhorar a relação com fornecedores e com clientes, envolvendo todos os processos.

A medida que as empresas integram seus esforços e oferecem aos clientes a entrega em tempo hábil, estas estão praticando o Supply Chain Management, pois se trata de uma ferramenta que afeta todas as atividades de produção, reduzindo os custos e aumentando a qualidade e a rapidez até o cliente final. Constatou-se então, que não basta o fabricante e os distribuidores continuarem com suas condições precárias. É necessário investir.

Para isso, várias ferramentas disponíveis no mercado facilitam este avanço (ECR, EDI, MRP II e outras), mas no mundo globalizado em que vivemos, outras novas técnicas surgirão, pois o tempo todo estaremos com desafios que nos trarão serviços mais eficientes e de melhor qualidade.

E se as empresas quiserem ganhar competitividade, terão que adotar as praticas da camada Logística Integrada, que envolve parcerias com fornecedores, sincronização da produção, redução de estoque, revisão dos sistemas de distribuição e melhoria nos sistemas de informações. Isso para ficarem no mercado competitivo, que esta em constantes mudanças e inovações.

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