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Processos

Supply Chain Management - I

Moacir Bozzi Filho / Patrícia Beaumord Gomes Liva

Engenheiro Eletricista, Pós Graduado em Gestão da Logística pelo IETEC / Administradora de Empresas, Pós Graduada em Gestão da Logística pelo IETEC

1 – INTRODUÇÃO

Embora muito se tenha falado, pouco ainda se conhece sobre o verdadeiro significado deste novo conceito, e principalmente sobre as barreiras e oportunidades para sua implementação. O objetivo deste texto é contribuir para um melhor entendimento desta poderosa, mas ainda pouco conhecida, ferramenta gerencial.

2 – DESENVOLVIMENTO

2.1 – SCM – SUPPLY CHAIN MANAGEMENT

O conceito de Supply Chain Management surgiu como uma evolução natural do conceito da Logística Integrada. Enquanto a logística Integrada representa uma integração interna de atividades, o Supply Chain Management representa uma integração externa, pois estende a coordenação dos fluxos de materiais e de informações aos fornecedores e ao cliente final.. cujo pano de fundo é a globalização e o avanço na tecnologia da informação.

Na verdade o campo da logística evoluiu de um tratamento mais restrito, voltado para a distribuição física de matérias e bens, para um escopo mais abrangente, em que se considera a cadeia de suprimentos como um todo e as atividades de compras, administração de matérias e distribuição. Assim, não se limita a uma única função como o Marketing ou as operações, mas representa, de fato, uma área de integração desses distintos enfoques. Essa trajetória registrou uma mutação radical na década de 90 com a intensificação articulada dos fenômenos da liberação comercial, da globalização produtiva e financeira em escala mundial.

O objetivo principal do Supply Chain Management é criar valor para o consumidor final com variedades de produtos, qualidade, bons serviços e custos adequados com ganhos para os clientes e acionistas.

Para que isso aconteça é preciso integrar os processos-chave em toda a cadeia. Do consumidor final até os fornecedores de insumos.

" Dentre os processos considerados chave para o sucesso da implementação, os mais citados são:

1. Relacionamento com os clientes – desenvolver equipes focadas nos clientes estratégicos buscando um entendimento comum sobre características de produtos e serviços a fim de torna-los atrativos para o cliente;
2. Serviço aos clientes – fornecer um ponto de contato único para todos os clientes, atendendo de forma eficiente a suas consultas e requisições;
3. Administração da demanda – captar, compilar e continuamente atualizar dados de demanda com o objetivo de equilibrar a oferta com a demanda;
4. Atendimento de pedidos – atender aos pedidos dos clientes sem erros e dentro do prazo de entrega combinado;
5. Administração do Fluxo de produção – desenvolver sistemas flexíveis de produção que sejam capazes de responder rapidamente às mudanças nas condições do mercado;
6. Compras / Suprimentos – gerenciar relações de parceria com fornecedores para garantir respostas rápidas e a contínua melhoria de desempenho;
7. Desenvolvimento de novos produtos – buscar o mais cedo possível o envolvimento dos fornecedores no desenvolvimento de novos produtos"

As dificuldades encontradas neste processo estão nas barreiras de ordem Cultural, Tecnológica e Financeira. As barreiras culturais, gerentes com objetivos funcionais individuais, pode ser vencidas através do gerenciamento de mudanças, gerentes com visões de benefício em conjunto, ou seja, abandonar o gerenciamento de funções individuais, e buscar a integração das atividades através da estruturação de processos-chave na cadeia de suprimentos.

As barreiras Tecnológicas podem existir devido a barreiras culturais. Essas barreiras devem ser vencidas com pesquisa de melhores práticas, participação em eventos especializados, treinamento, atração de fornecedores de soluções – consultoria especializada é de importância fundamental. Estas barreiras provocam tanto a obsolescência das empresas, como também o gasto exagerado em soluções por desconhecimento das necessidades.

As barreiras Financeiras podem ocorrer devido às anteriores, ou pela própria capacidade das empresas. Neste caso recomenda-se analisar com profundidade as capacidades dos integrantes, de forma a permitir que os mesmos possam sustentar as demandas das cadeias, sem descontinuidade de atendimento.

A internet tem contribuído muito para a aceleração do alinhamento da cadeias de suprimento, principalmente devido à padronização de procedimentos, à facilidade de acesso a informações e a agilização nas tomadas de decisão.

Os primeiros benefícios procurados pelas empresas ao implementar os programas de gerenciamento da cadeia de suprimentos são:

1.Satisfação do cliente;
2.Redução de custos;
3.Aumento da lucratividade;
4.Melhoria da colaboração com fornecedores e clientes;
5.Controle de estoque.

Os resultados são:

1.Redução do número de fornecedores e clientes;
2.Intensificação das relações com grupos de empresas escolhidos para uma articulação cooperativa e sinérgica;
3.Integração e compartilhamento de informações entre clientes e supridores, permitindo o maior equilíbrio das variáveis relacionadas aos patamares de demanda, capacidade de produção e estoques, inclusive através de entrega just-in-time;
4.Encaminhamento coletivo de soluções para os problemas; e
5.Presença e participação dos diferentes elos nas várias etapas do processo, desde a concepção até a fabricação dos produtos.

2.2 – ECR – EFFICIENT CONSUMER RESPONSE

No conceito ECR as informações geradas pelos hábitos de compras dos consumidores comandam a cadeia para um resultado mais satisfatório para todos os componentes. A cadeia de distribuição moderna do segmento de produtos de consumo de massa é uma cadeia na movimentação do fluxo de mercadorias e eficiente na transmissão de informações entre os integrantes. O segmento de supermercados vem tradicionalmente operando com margens operacionais muito pequenas e tem estado sob intensa pressão de várias fontes. De um lado, consumidores esperam maior variedade, qualidade e atratividade em preços baixos. De outro lado, novos canais de distribuição de produtos alimentares e não alimentares como lojas de conveniência, depósitos de descontos e outros tipos de varejos mistos, têm aumentado as pressões competitivas, impactando dessa forma nas margens. Ao mesmo tempo, o custo de fazer negócios e gerir a empresa continua a crescer, apesar de várias iniciativas contrárias.

Como resultado destas pressões, o segmento de supermercados encontra-se em uma encruzilhada. Como pode esse segmento agregar valor ao consumidor, enquanto mantém lucrativos seus negócios?

Valor ao consumidor é criado por meio de melhores produtos, preços baixos, maior variedade e conveniência, melhor disposição e produtos mais frescos. Para oferecer isso aos consumidores, a indústria precisa conseguir economias por meio de melhorias de eficiência, giros mais rápidos de estoque, melhor nível de inventário e perda de produtos reduzida.

A resposta que a indústria tem para a pergunta anterior é: o ECR - originado nos EUA na década de 80, chegando ao Brasil em meados da década de 90 é uma iniciativa em que os fabricantes de produtos alimentares e não alimentares, varejo, atacado e demais facilitadores trabalham em conjunto para reduzir custos dessa cadeia de logística integrada e trazer maior
valor ao consumidor de supermercado (elo final desta cadeia).

Esta iniciativa que está transformando relações de negócio entre os integrantes dessa cadeia logística,utiliza ferramentas e adota estratégias que permitem responder às necessidades crescentes e variadas dos consumidores, à saber:

ESTRATÉGIAS:
1.Introduzir Produtos;
2.Sortir a loja;
3.Promover Produtos;
4.Repor produtos.

FERRAMENTAS: (de Suporte à estratégia):
1.Gerenciamento da Categoria;
2.Reposição Contínua;
3.Custeio Baseado em Atividade;
4.Benchmark das melhores práticas;
5.Pedido acompanhado por computador.

Poderemos considerar neste tema produtos alimentícios e não alimentícios, utilizando a estratégia ECR para demonstrar que a Logística vem sendo repensada e apresentando uma nova visão, que vai de encontro às necessidades do cliente. É um exemplo concreto que já está vigorando na Europa e nos USA e sendo introduzido no Brasil por meio de redes de supermercados estrangeiras e grandes empresas: (ex:Carrefour,Bompreço, Unilever e Coca-cola entre outras) com adaptação à realidade nacional.

Existe uma forte inter-relação entre o ECR e o SCM. A cadeia de distribuição do ECR tem a mesma base conceitual da cadeia de logística integrada, o Supply Chain. Envolve todos os integrantes por meio de processos interligados e compartilhados.O relacionamento da empresa com o cliente evoluiu de um modelo de parceria para um modelo simbiótico (associação de
dois indivíduos de espécie diferente, com benefício mútuo).

A gestão desta cadeia em sua totalidade pode proporcionar uma série de maneiras pelas quais é possível aumentar a produtividade, em conseqüência contribuir significativamente para baixar custos. No primeiro plano estariam a redução de estoques, as compras mais vantajosas, a racionalização de transportes e a eliminação de desperdícios. O valor por outro lado, pode ser criado mediante prazos confiáveis, atendimento nos casos de emergências, facilidade de colocação de pedidos, serviços pós-venda, e desenvolvimento mais rápido de produtos.

2.3 - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Uma importante característica do SCM / ECR é a prevalência da tecnologia de informações. Empresas são aconselhadas a investir pesadamente em tecnologia da informação que ajude a gerenciar os negócios ao longo da cadeia da cadeia e no controle dos seus serviços externos.

A gerencia do fluxo de bens através das cadeias de valor e de suprimentos das empresas, podem ser feitas através de diversos softwares fornecidos por terceiros, tais como SAP, BAAN, i2 e MAGNUGISTICS que ajudam as empresas planejar e alocar seus recursos, enquanto aumentam o controle e a visibilidade através da Cadeia de Suprimentos. Estas medidas servem para remover ineficiências dos sistemas e para otimizar as operações da cadeia. Isto é particularmente relevante para aquelas empresas que produzem uma grande quantidade de bens negociados por inúmeros vendedores no âmbito mundial, tem uma base de clientes global, utiliza diversos métodos de transporte tem um grande portofólio de produtos, incorpora uma serie de medidas promocionais e utiliza preços diferenciados. As implantações destes sistemas demandam altos custos e longos intervalos de tempo, porem tem alta probabilidade de sucesso e integração das atividades da empresa tornando as funções de negócios em níveis uniformes.

Internet é um Habilitador - A proliferação da Internet facilitado a gerencia e comunicação do fluxo de informações. O baixo custo da transmissão de informação, as facilidades de acesso, e a prevalência de arquitetura de sistemas abertos em relação aos fechados habilitam as empresas se comunicarem informações facilmente em tempo real através da Cadeia de Suprimentos. A Internet é o caminho das Empresas reduzirem os riscos da incompatibilidade de sistemas. A Internet é uma tecnologia que promove a ruptura dos padrões e paradigmas existentes, tornando-se um novo meio para promoção, compras, propagandas, distribuição,colocação de pedidos e na troca de informações.

3 – CONCLUSÃO

Concluímos que devido a um mercado global envolvente , onde o surgimento de tecnologias novas tais como globalização, abertura de mercados, internet levou as empresas a uma maior competitividade e as que não mudaram os seus conceitos quanto a cadeia de suprimentos saíram em desvantagem. O Supply Chain Manegement surgiu para atender esta nova realidade mercadológica. Facilitar o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição dos materiais até o ponto de consumo, através de um ágil fluxo de informação aumentando o elo de ligação entre os integrantes da cadeia com o objetivo de diminuir estoques , agregar valor, diminuir custos.

Em suma: observamos que para se conseguir os benefícios do SCM – redução de custo de estoques, transporte e armazenagem, melhoria de serviços em termos de entregas rápidas e produção personalizada, e crescimento da receita devido à maior disponibilidade e personalização – as empresas precisam mudar tanto nos procedimentos internos quanto nos externos, principalmente no que diz respeito a clientes e fornecedores. O ERC surgiu justamente para permitir um estabelecimento de um fluxo de informações (produtos e estoques) sincronizando com as informações de vendas obtidas em tempo real, melhorando assim o desempenho da cadeia de distribuição.

Ao que tudo indica o SCM é um conceito que como dizem " chegou para ficar", uma vez que as empresas que conseguiram implementa-lo com sucesso obtiveram reduções substanciais nos custos operacionais da cadeia de suprimentos. Também os movimentos setoriais organizados com o objetivo de tirar proveito do SCM , como o Efficient Consumer Response – ECR , têm mostrado o potencial de redução de custos e melhoria de serviços na cadeia.

4 – BIBLIOGRAFIA

ARKADER, Rebecca, FIGUEIREDO, Kleber. Da Distribuição Física ao Supply Chain Management: o Pensamento, o Ensino e as Necessidades de Capacitação em Logística. Disponível em www.cel.coppead.ufrj.br . Acesso em 22/08/2002.

FLEURY, Paulo Fernando. Supply Chain Management: Conceitos, Oportunidades e Desafios da Implementação. Disponível em www.cel.coppead.ufrj.br . Acesso em 22/08/2002.

LUZ, Nyssio Ferreira. O Alinhamento das Cadeias de Suprimento. Disponível em www.ibralog.com.br . Acesso em 15/08/2002.

Estudo Aponta os Resultados pelos Executivos com o Supply Chain. Gazeta Mercantil, Caderno Tecnologia da Informação, 20/11/2001. Disponível em www.ibralog.com.br . Acesso em 15/08/2002.

BALDIWALA, Quaraish.. Developing a Global Supply Chain. Logistics Spectrum. Versão adaptada por CLAUSSEN, Antonio – CVLog. Disponível em www.cvlog.net . Acesso em 20/08/2002.

ALVIM, Silvio. LADO Mercosur-Logistic and Distributuion. HP-Hewlett Packard Brasil, Disponível em www.cvlog.net . Acesso em 20/08/2002.

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