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:: RH

O gerente do amanhã

Silvia Lúcia Maia de Rezende

Psicóloga, com atuação gerencial e técnica nos diversos segmentos da área de recursos humanos.


Temos assistido, nos últimos anos, a uma série de revoluções na arte de gerenciar as empresas. Algumas apontam soluções em uma determinada direção, outras sugerem ações quase que contrárias, numa velocidade tal que mal temos tempo para assimilar os seus principais conceitos e fundamentos. Como exemplos desta situação podem ser consideradas a reengenharia e o downsizing, que chegaram com propostas de tornar as empresas mais enxutas e de repensar todos os seus processos e procedimentos operacionais. E agora, refutando - ou até mesmo complementando estas teorias - outros autores já apontam e sugerem novos caminhos.

As empresas devem retomar e ampliar o conceito da estratégia empresarial, incluindo nela a realidade competitiva. Além disso, mais importante do que eliminar postos de trabalho e reestruturar uma organização pode ser concentrar os esforços na criação de produtos e serviços, planejando o futuro da empresa e criando os mercados e os setores do amanhã.

Com tantas soluções sendo apresentadas às empresas, o papel do gerente, mais do que nunca, assume uma importância fundamental, pois dele pode ser exigida a capacitação para decidir entre reduzir e reestruturar ou incentivar o crescimento e o desenvolvimento da empresa. Acrescente-se a isso as mudanças e incertezas de um cenário econômico que dificultam prognósticos de futuro e um planejamento de longo prazo.

Neste contexto, como deve ser o perfil do gerente da empresa moderna ? Como ele pode se preparar para organizar (ou reorganizar) a empresa de forma a garantir a sua permanência no mercado? E o desafio maior - liderar pessoas, motivando-as a obter os resultados da empresa através da realização de seus próprios resultados? Estas são perguntas muitas vezes complexas, que conduzem empresários e profissionais de recursos humanos a buscar um líder pronto no mercado ou a encontrar soluções em programas de “adestramento/treinamento”, antes de pensar na educação continuada e no treinamento em serviço como forma de preparar o seu quadro de pessoal.

Programas e soluções de treinamento e desenvolvimento são importantes e necessários, principalmente quando ajudam a conscientizar os gerentes quanto ao seu papel na sua própria formação e de sua equipe. Mas é necessário que empresários e especialistas em RH compreendam que o gerente do amanhã, com tantos desafios pela frente, não será um produto raro no mercado. Ele pode ser construído dentro das empresas, a partir de um trabalho planejado e contínuo.

Nossas observações sobre treinamento e desenvolvimento gerencial nos mostram que para implantar e conduzir um trabalho deste tipo, as empresas poderiam se orientar a partir das seguintes etapas:

- Forte atuação do topo da empresa no sentido de criar estratégias e diretrizes para processos de educação e aprendizagem. Embora em alguns casos esse processo possa ser iniciado sem a participação da alta direção, na grande maioria das vezes a vontade claramente expressa pelos dirigentes gera expectativas, levando as pessoas a se motivarem e se interessarem pelo seu próprio desenvolvimento.

- Incentivar a manutenção de um ambiente de aprendizagem, que permita o aprender, o errar e o aprender a aprender. A empresa que enfatiza o desempenho das pessoas, permitindo que elas aprendam com seus próprios erros e incentivando o seu sucesso - através da prática do feedback e da premiação (remuneração) por resultados estará garantindo o processo de evolução das pessoas.

- Criar um sistema de comunicação que forneça e coloque as informações disponíveis a todos, principalmente àqueles de quem se espera uma posição de liderança. As pessoas tendem a se tornar mais autoconfiantes e independentes na medida em que possuam um número maior de dados e informações para a tomada de decisão. E, como conseqüência, tendem a crescer e a se desenvolver profissionalmente. Neste caso, devemos registrar também que o processo de comunicação flui de maneira mais rápida e eficaz quanto menor for a distância entre o topo e a base da empresa.

- Definir e promover uma divulgação constante da missão da empresa, seus princípios, valores e seus objetivos estratégicos, de forma que o gerente possa assimilá-los e repassá-los para os seus liderados. Através de metas claramente definidas, o líder do amanhã pode gerenciar os resultados de curto prazo, planejar o futuro e atender às expectativas do mercado.

- Criar e implantar programas específicos de desenvolvimento gerencial (indivíduais e coletivos), vinculados aos objetivos estratégicos da empresa e destinados a promover e desenvolver os conhecimentos, habilidades e os comportamentos necessários à prática gerencial.

Empresários, gerentes e especialistas em recursos humanos precisam estabelecer caminhos para a educação gerencial adequados à realidade de cada empresa e do mercado em que está inserida. Desta forma, ela estará se preparando e permitindo a transformação dos gerentes de hoje nos gerentes do amanhã.

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