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:: RH

O papel das pessoas nos processos de reengenharia

Ronald Dalésio

Engenheiro MBA pela Universidade de Pittsburgh, com mestrado no Virginia Polytechnic Institute e doutorado na Gannon University

No mundo inteiro, as organizações têm se posicionado para colocar em ação certas ferramentas gerenciais compostas por processos de qualidade total, reengenharia e outros tipos de reestruturação. No entanto, o que tem sido enfocado primariamente é o processo técnico do negócio. Assim, como resultado, percebe-se que 60% das tentativas de reengenharia, por exemplo, tendem a falhar. Apesar de se promover a reengenharia dos processos, não tem sido dada a devida atenção a quais devem ser e como devem ser realizadas as alterações em relação aos recursos humanos.

Na minha visão, torna-se necessário fazer o realinhamento total da estrutura de administração de recursos humanos (seleção de pessoal, treinamento, avaliação de desempenho e reconhecimento) dentro das organizações. Um dos fatores no qual as empresas geralmente falham é no tocante à condução de programas de qualidade total.

Trabalhei em uma empresa na Malásia, na qual estávamos implatando gerenciamento de qualidade total e a implementação não estava indo muito bem. Nós observamos que o gerente geral da fábrica era recompensado pelo seu trabalho apenas com base na produção. Assim, todo o tipo de esforço que fosse feito para melhorar a qualidade, mas que não resultasse em aumento da produção, não significaria recompensa para o gerente. Nesse caso, o certo seria descobrir qual o tipo de comportamento era esperado de todas as pessoas dentro da organização e selecionar aquelas que tivessem melhores habilidades, treiná-las e gerenciá-las. Além do treinamento específico, era imprescindível reconhecimento e recompensa.

Com certeza, todos os empresários já ouviram falar nas palavras empowerment, autonomia, capacitação. Em todos os pontos do mundo, as empresas em busca de produtividade e lucratividade estão caminhando para oferecer maior autonomia a seus funcionários. É preciso permitir ao indíviduo ter uma sensação de propriedade sobre o trabalho que faz. Quando o indivíduo percebe que tem alguma participação naquele processo de produção, procura realizá-lo da melhor maneira possível.

Todo o processo, desde a seleção até a recompensa, precisa estar alinhado com esse mesmo esforço. Não se deve tratar o trabalhador simplesmente como duas maõs que estão ali realizando uma tarefa, mas sim como uma pessoa completa, que tem uma mente e que pode utilizá-lo no trabalho. As empresas que estão obtendo maior sucesso, em qualquer país onde estive, são as que estão passando por um processo de reengenharia completa, permitindo aos seus empregados essa maior capacidade de tomada de decisão.

É verdade que aumentos de remuneração estimulam a participação dos trabalhadores. Porém, descobrimos --e a maioria das pessoas também descobriu-- que pode existir melhorias marcantes mesmo onde não há possibilidade de aumentos salariais. Nesse caso, uma maior autonomia do empregado leva ao sucesso. Tanto o governo norte-americano quanto o de Singapura --onde é impossível se mexer na parte de remuneração devido à condição de serem funcionários públicos-- conseguiram resultados maravilhosos com o aumento da participação na tomada de decisão. Pela própria natureza humana, nós contribuímos mais quando temos um sentimento de propriedade.

Infelizmente, a maioria das organizações hoje têm processos ineficientes. E estruturas ineficientes. Pessoas demais executando poucas tarefas. Aí entra a reengenharia, que geralmente resulta em cortes de pessoal. O meu conselho às empresas é, dentro de um processo de reengenharia, manter um diálogo aberto, franco e completo com todos os funcionários antes de iniciar qualquer esforço. O resultado desse processo vai depender completamente do grau de confiabilidade que houver entre os funcionários e a diretoria da empresa.

O essencial é, na hora de formular o processo, determinar onde se quer chegar e como ficará a situação depois do processo. A maioria das pessoas entende que a mudança é necessária para a própria sobrevivência da empresa. O importante é manter o compromisso daquelas pessoas que sobraram depois da reestruturação. No entanto, geralmente as empresas estão exagerando na dispensa dos trabalhadores. Existem muitos exemplos de firmas que tiveram grande corte de pessoal e depois de um certo período descobriram que têm que recontratar ou contratar novo pessoal.

Nos processos de reengenharia, portanto, o importante é aprimorar os processos e as habilidades das pessoas dentro da organização. Um dos aspectos é exatamente estabelecer quais serão as habilidades necessárias dentro da empresa depois do processo de reengenharia. Quase sempre, reengenharia quer dizer que a própria natureza do trabalho será mudada, mas a maioria das organizações acabam mantendo as mesmas pessoas com as mesmas habilidades. Aí há um desencontro. O que devemos fazer é elaborar um plano contendo quais as habilidades serão necessárias e planejar para que os profissionais com estas habilidades façam parte da empresa.

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