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:: Gestão e Tecn. da Informação

Planejamento estratégico de Tecnologia da Informação

Lúcia Helena de Magalhães / Teresinha Moreira de Magalhães,

Mestranda em Sistemas Computacionais – Computação de Auto-Desempenho pela Universidade Federal do Rio de Janeiro / Mestre em Engenharia da Produção com ênfase em Produção de Mídias pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutoranda em Sistemas Computacionais – Computação de Auto-Desempenho pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Resumo

Este artigo traz algumas contribuições sobre o planejamento de Tecnologia da Informação nas organizações. Leva a reflexão sobe as formas de aquisição de Tecnologia da Informação, ou seja, compra, aluguel ou desenvolvimento dos sistemas de Informação.

Comenta sobre o objetivo do planejamento de TI é da estruturação de todas as informações necessárias para o funcionamento harmônico da organização. Estruturação visa auxiliar a organização no apoio à tomada de decisões do negócio empresarial, sejam operacionais, táticas ou decisões estratégicas, no que diz respeito a sua qualidade, produtividade, efetividade, rentabilidade, modernidade inteligência competitiva e inteligência empresarial.

 

Planejamento Estratégico com a Tecnologia da Informação

As organizações para serem inteligentes precisam disponibilizar produtos de qualidade, praticar bom atendimento, adequar sua política de venda e preços aos clientes, cumprir prazos predefinidos e estar atenta às mutações do mercado. Essas exigências forçam as organizações reverem seus valores comerciais, humanos e tecnológicos, o que por si só, não garantem as principais metas organizacionais e a inteligência empresarial.

Esses valores merecem atenção especial com análise estratégica e planejamento efetivo, envolvendo toda a organização, principalmente no que tange a adoção da TI e respectivos recursos com o objetivo de alcançar estas metas organizacionais. Nesse sentido, dois fatores são vitais para as organizações no atual momento de competitividade e globalização: a definição de uma estratégia de posicionamento no mercado e a utilização da TI como valioso recurso para a definição e manutenção desse posicionamento estratégico. Juntamente com a TI, o capital intelectual e a gestão do conhecimento também aparecem como outros valiosos recursos estratégicos.

A necessidade que as organizações sejam inteligentes, frente às mudanças constantes da sociedade da informação, faz com que as mesmas também se modifiquem e requeiram planejamento das suas informações auxiliadas pelos recursos da TI (Turban, 2005).

A globalização ampliou significativamente os negócios mundiais, fazendo com que as empresas busquem as novidades e que seus negócios cresçam, porém as estruturas, as políticas, os processos e as culturas organizacionais devem ser consideradas nesse crescimento. Isto faz com que TI se apresente como um instrumento de coordenação de processos empresariais e como um mecanismo de coalizão dessas atividades empresariais globais. Dessa forma, a necessidade do planejamento da TI é fundamental e pode ajudar as organizações na formulação de estratégias transnacionais, atuando na configuração das atividades da cadeia de valor, nas alianças estratégicas e na integração do mercado.

Planejamentos de Implantação dos Recursos de TI

O planejamento de Sistemas de Informação e da Tecnologia da Informação é o processo de identificação das aplicações baseadas em computadores para apoiar a organização na execução do seu plano de negócios e na realização dos seus objetivos organizacionais (O´BRIEN, 2004). Alguns recursos são usados para auxiliar a organização, na identificação das oportunidades de SI para apoiar os negócios empresariais, no desenvolvimento de arquiteturas de informação baseadas nas necessidades dos usuários, e no desenvolvimento de planos de ação de curto e longo prazo.

1. Aquisição

Aquisição é um conjunto de atividades organizadas com medidas determinadas para um resultado (produto) específico para um cliente ou mercado. Para aquisição devemos levar em conta o processo de Informatização.

Neste processo, precisamos considerar:
• A definição das Necessidades de informação.
• Aquisição dos programas aplicativos (software) adequados.
• Aquisição dos equipamentos (hardwares) adequados.
• Implantação do sistema adquirido (hardware + software).
• Treinamento dos usuários.
• Operação e manutenção do sistema.

1.1. Modalidades de Aquisição de Software
• Pacote de software aplicativo flexível – Pacote com algum grau de adaptação aos objetivos e necessidades da empresa.
• Pacote de software aplicativo rígido – Devemos adaptar os objetivos e necessidades da empresa aos recursos oferecidos pelo software.

1.2. Vantagens de Aquisição
• Baixo custo do sistema e rapidez de implantação.
• Evita a manutenção de uma equipe de profissionais especializados na empresa.
• Garantia de que o sistema já foi suficientemente testado e funciona corretamente.
• Acompanhamento da evolução tecnológica da área por parte do fornecedor.

2. Aluguel

As empresas de grande, médio e pequeno porte têm seus motivos para alugar aplicativos de um provedor de serviços, em vez de comprá-los imediatamente. Alguns fatores devem ser considerados para alugar aplicativos. Alugar um software de um provedor de serviços pode ajudar as empresas a economizar dinheiro em licenças de software, hardware e instalação. Além de o modelo de software como um serviço liberar o departamento de TI para concentrarse em projetos essenciais ao setor ou que geram receita. Contudo, sem o software hospedado, deverá ter a atenção redobrada à segurança além de ter menos opções de personalização e integração.

2.1. Vantagens do Aluguel

Dentre as vantagens, podemos citar o preço que em geral, é previsivelmente mais baixo, principalmente nos dois primeiros anos bem como, a participação da maioria dos provedores para tornar o processo ativo e operacional rapidamente. Além dos fatores abaixo, que devem ser levados em conta:

• O departamento de tecnologia da informação (TI) pode concentrar-se em projetos mais estratégicos.
• Os custos mais baixos e os prazos menores resultam em menor risco de falha no projeto.
• As atualizações e correções ocorrem de forma transparente, de modo que o departamento de TI não precise gastar infinitas horas em manutenção e suporte.

Você pode trocar de aplicativo rapidamente. Se a sua empresa e o seu setor estiverem atravessando um período de rápido crescimento e transformação.

• O provedor de serviços pode oferecer um meio mais rápido de substituir aplicativos, caso isto se torne necessário.
• Não será necessário perder tempo com cópias de segurança

2.2. Desvantagens do Aluguel

Dentro as desvantagens existentes, podem citar o menor potencial para personalizar o aplicativo, já que com o provedor de Serviços, os processos comerciais devem se adequar ao modelo de software do provedor e a menor habilidade de integrar-se com dados de outros aplicativos. Se alugarmos um aplicativo de CRM (Customer Relationship Management), por exemplo, não será possível integrá-lo a dados internos de outros aplicativos da empresa, como o ERP (Enterprise Resource Planning), a não ser que seja empregado um grande esforço de integração.

Para as médias e pequenas empresas, que atualmente representam 87% aproximadamente do mercado nacional, o aluguel de software de empresas idôneas representa garantia, modernização e atualização no mercado, e o baixo custo, uma vez que não necessita de investimentos tecnológicos para o desenvolvimento de seu próprio software, possibilita a competitividade e o crescimento no mercado.

3. Desenvolvimento de Softwares

Apesar de muitos proprietários escolherem produtos ditos de prateleira, há vantagens em se construir um personalizado. Muitas vezes é interessante direcionar a operação dos softwares para que eles funcionem exatamente como o negócio é administrado. Neste caso o sistema adapta-se ao negócio.

3.1. Vantagens do Desenvolvimento

Um software customizado é totalmente desenvolvido de acordo com o processo e estrutura de seu negócio. Desta forma, há uma chance muito menor de haver necessidade de mudanças. Além disso, é interessante preservar as vantagens competitivas e o controle das mesmas da forma como se opera o negócio. A adaptabilidade deste tipo de solução é maior, visto que há o desenvolvimento gradativo e de acordo com o surgimento das necessidades. Apesar da personalização ser comumente mais cara, dependendo do foco da empresa de software a customização pode ter um melhor custo-benefício.

Os controles e projeções do software desenvolvido podem trazer um melhor posicionamento em relação à concorrência e agregar melhorias de qualidade e eficiência ao negócio. Uma solução personalizada tende a garantir diferenciais de acordo com o ramo empresarial. Existe também a possibilidade de comercialização do Software desenvolvido, gerando receitas que poderão ser destinadas ao desenvolvimento do mesmo.

3.2. Desvantagens no Desenvolvimento Próprio

Dentre as desvantagens, podem citar o alto custo dos serviços de profissionais especializados para o desenvolvimento de sistemas. As dificuldades no relacionamento com o desenvolvedor do sistema quanto à sua evolução e adaptação à dinâmica da empresa. Neste caso, vale observar a importância de fazer parcerias com Empresa e Desenvolvedor, no sentido de minimizar estas desvantagens.

4. Posicionamento estratégico

O ambiente competitivo e a globalização influenciam o posicionamento estratégico dos negócios da organização, concomitantemente exigindo esforço no posicionamento estratégico da área da TI. Esse posicionamento pode se comportar de três formas: a TI suportar as operações da organização, mas não estar estrategicamente integrada a ela; a TI suportar as estratégias, mas não participar da concepção e com seu potencial; e a TI fazer parte integral de todas as estratégias empresariais, inclusive as relacionadas a produtos, serviços, clientes, fornecedores, distribuidores, etc. (PARSONS, 1983; JOHNSTON; CARRICO, 1988). Essas questões relatadas que envolvem os fatores de sobrevivência e sucesso das organizações justificam que a TI seja planejada, adequada e adaptada com flexibilidade e efetividade (MARKUS; BENJAMIN, 1997).

O Planejamento estratégico de TI é o recurso usado para auxiliar o tomador de decisão da organização, na identificação das oportunidades de SI para apoiar os negócios empresariais, no desenvolvimento de arquiteturas de informação baseadas nas necessidades dos usuários, e no desenvolvimento de planos de ação dos SI a longo prazo. Complementando esse conceito, STRECHAY (2000) descreve o Planejamento de TI como um plano para suprir direção, esforço de concentração, consistência de propósito, flexibilidade e continuidade dos recursos da TI. Esse plano compreende a preparação, coleção, transporte, recuperação, armazenamento, acesso, apresentação e transformação de informações nas mais variadas formas, movimentadas entre humanos e máquinas.

No Planejamento de TI também se decide onde à organização quer chegar e quais os recursos da TI que serão necessários para suportar as decisões, representando o movimento de passagem da estratégia presente para a estratégia futura, através da apresentação de direções, concentrações de esforços, flexibilidade e continuidade dos negócios em áreas estratégicas. Apesar de tratar os recursos técnicos, o Planejamento de TI difere do antigo Plano Diretor de Informática (PDI) que tem seus esforços mais direcionados para o plano de informática e seus respectivos recursos tecnológicos (REZENDE, 2002).

Para Lederer e Mahaney (1996) o Planejamento de TI é o processo de identificação de software, de hardware e principalmente de banco de dados para suportar a clara definição e documentação do planejamento estratégico de negócios da organização.

Embora a metodologia de desenvolvimento seja a mesma, o Planejamento Estratégico de Informações (PEI) preocupa-se mais com as informações de toda a organização. Já o PDI tem seus esforços mais direcionados com a TI e seus respectivos recursos tecnológicos (REZENDE, 2003).

5. Conclusão

Concluindo, o planejamento de Tecnologia da Informação é um guia dinâmico para o planejamento estratégico, tático e operacional das informações organizacionais, da TI e seus recursos (hardware, software, sistemas de telecomunicações e gestão de dados e informações), dos SI, das pessoas envolvidas e a infra-estrutura necessária para o atendimento das decisões e ações da organização.

As organizações não podem adiar a necessidade de compreender e aprender a aproveitar os benefícios da TI. Para ser relevante nas organizações, o Planejamento de TI deve: alinhar os SI e a TI com as metas dos negócios empresariais; explorar a TI para vantagem competitiva; direcionar os seus recursos para uma gestão efetiva; desenvolver arquiteturas e políticas de tecnologia; e gerar um ambiente informacional que favorece a geração de estratégias organizacionais. Utilizar a TI sem planejamento é um risco que a organização não deve correr, pois o uso crescente da TI, ao mesmo tempo em que potencializa a capacidade das organizações em obter, manter ou combater vantagens competitivas, também eleva os riscos de gestão inerentes a qualquer tipo de decisão e ação (CARR, 1994).

 

6. Bibliografia

LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informação gerenciais: Administrando a empresa digital. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.

NETO, H. M. F. Artigo Plano Estratégico de Tecnologia de Informação – PETI. Disponível dia URL: www.designvirtual.com/?ids=Mc9j24v9m&cod_artigo=9 acesso em 06/10/2006

O´BRIEN, J. A. Sistemas de informação e as decisões gerenciais na era da Internet. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

PAUL, L. G. Adaptando-se ao modelo "software como um serviço" disponível via URL: http://www.microsoft.com/brasil/corporativo/businessvalue/adapting.mspx. Acesso em 06/10/2007.

REZENDE, Denis Alcides. Planejamento de Sistemas de Informação e Informática, São Paulo: Atlas, 2003.

REZENDE, Denis Alcides. Tecnologia da Informação Integrada à Inteligência Empresarial. São Paulo: Atlas, 2002.

REZENDE, Denis Alcides; Abreu, Aline França. Tecnologia da Aplicada a Sistemas de Informação Empresariais. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

TURBAN, E.; RAINER JR., R. K.; POTTER, R. E. Administração de tecnologia da informação: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

 

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