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Construção

A falta de planejamento nas micro e pequenas construtoras

Weslei Lopes Ferreira

Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Kenedy em dez/2001, pós-graduando em Gestão de Projetos. Atualmente na da Engebanc Engenharia e Serviços Ltda, gerenciando as obras e reformas de agências bancárias do Banco Bradesco S/A .
 

1. RESUMO

As pequenas empresas no ramo da construção civil não possuem o habito de elaborar os planos de gerenciamentos de suas obras e com isto passam a ter margens de lucros cada vez mais reduzidas e com menor probabilidade de sucesso.

Se estas pequenas construtoras elaborassem o plano de gerenciamento de suas obras tendo como orientação o Guia PMBOK e o seguissem de forma a adequar a sua realidade suas margens de lucros seriam cada vez maiores e teriam uma maior satisfação dos seus contratantes e ampliariam sua carteira de clientes. 


2. INTRODUÇÃO


As pequenas e micro-empresas da área de construção civil dificilmente possuem o hábito de elaborar o planejamento de suas obras. Este tipo de situação é facilmente observado no decorrer de suas obras, isto faz com que todos seus projetos sejam “tocados” como se diz no linguajar popular.


3. METODOLOGIA


Os projetos dessas pequenas empresas se iniciam sempre na primeira reunião com o cliente, é quando a construtora verificará as expectativas do contratante com relação ao projeto. As visitas técnicas realizadas junto com o contratante são fundamentais para elaboração do orçamento, pois durante a visita técnica é feito o primeiro levantamento das premissas e o orçamento é todo baseado nela, para que este seja o mais próximo possível da realidade e que atenda as necessidades do Contratante. 
 

Estas Construtoras geralmente tem como principal atividade à área de reforma, o que vêm a intensificar a necessidade da realização de um bom levantamento das premissas e de um planejamento bem elaborado de todos os serviços. Devido ao fato de que essas empresas não possuem nenhum tipo de planejamento, o termo de abertura e a declaração de escopo preliminar não são elaborados e suas obras se iniciam sempre na primeira reunião como havíamos mencionado anteriormente.

Depois da “invasão” quero dizer mobilização às construtoras entram na fase de execução, onde se começa a “tocar” as obras. As construtoras não fazem um plano de aquisição de materiais e muitos deles têm seus custos alterados ou suas margens de lucros reduzidas devido ao mau armazenamento e a falta de organização das suas entregas.

Este armazenamento inadequado gera a ocupação desnecessária dos condomínios e perdas de materiais, podendo até causar acidentes com afastamento de seus funcionários ou acidentes de terceiros gerando insatisfação dos clientes ou dos stakelholders. Como anteriormente não ocorreu nenhum tipo de levantamento dos possíveis riscos, tudo que venha a surgir durante o período de execução já é considerado um risco. Se durante este período surgir algum tipo de problema, este deve ser tratado de forma cuidadosa para não gerar outros no decorrer da obra.

Os problemas surgidos durante a execução dos serviços levam as construtoras a apresentarem soluções para as quais não estava preparada, gerando retrabalho, aquisição de material não previsto e alteração do escopo inicial, dessa maneira haverá um ônus não previsto em seu orçamento. Dependendo da dimensão do problema ou do seu grau de complexibilidade, fatalmente levará a construtora a finalizar a obra com atraso, uma margem de lucro reduzido e principalmente um desgaste desnecessário com o contratante.

Se o problema surgido for muito complexo a construtora deverá negociar um aditivo com o contratante e poderá ter seu pedido negado devido ao fato de não ter levantado anteriormente tais problemas durante a visita técnica.

Se as construtoras tivessem implantado uma filosofia de planejamento, com base no PMBOK, em seus projetos, eles transcorreriam de forma diferente.

Os projetos se iniciam sempre na primeira reunião com o cliente, como havíamos mencionado, porém o desenvolver de suas obras seriam de forma diferente com a elaboração do plano de gerenciamento.

Durante a visita técnica são feitos os principais levantamentos das premissas e o estudo de minimização dos riscos e a elaboração do orçamento, para que atenda as necessidades do contratante. Com o orçamento aprovado pelo contratante a Construtora emitiria o termo de abertura da obra e a declaração de escopo preliminar para oficialização da obra.

Os stakeholders seriam comunicados através de uma reunião de início de obra, onde seriam feitos os esclarecimentos das dúvidas e ao final desta receberiam uma copia da ata em seus domicílios oficializados por todos os presentes. As construtoras mostrariam o projeto aprovado através de slides durante a reunião para melhor visualização e entendimento dos serviços a serem prestados para os stakeholders.

Com o planejamento da obra já definido e aprovado, e o plano de aquisições elaborado, a construtora se mobilizaria de forma ordenada para não haver armazenamento inadequado e buscaria uma otimização do espaço para se obter a melhor disposição dos materiais adquiridos de forma a otimizar seus trabalhos e evitar os desperdícios dos materiais, já que na construção civil estes índices são superiores a 20%.

Durante a execução da obra o engenheiro responsável executaria suas atividades conforme seu cronograma funcional e controlaria seus processos de qualidade  para evitar não conformidades e retrabalhos e um acompanhamento sobre seus custos. Todas as atividades das obras seriam registrarias no diário de obra e enviado ao contratante um relatório quinzenal de todas as atividades ocorridas ou em andamento.

Como as obras de reforma tende a surgir problemas devidos a falta dos “As Builts” dos projetos as construtoras que atuam neste ramo teriam que ter um plano de combate para possíveis riscos (plano de minimização dos riscos mencionado anteriormente).  Se durante a execução do projeto ocorressem mudanças no escopo estas seriam registradas, avaliadas e orçadas. O estudo feito pela construtora seria enviado ao contratante para aprovação.

Caso a alteração do escopo não fosse aprovada, a construtora arquivaria o estudo e emitiria o termo de não aceite pelo contratante para sua devida oficialização. Caso fosse aprovado a construtora elaboraria o termo de aceite e reenviaria a declaração de escopo com os devidos acréscimos para oficialização do cliente.

Após a oficialização a construtora comunicaria aos stakeholders através de um ofício dando ciência a todos e se colocaria a disposição para esclarecer as dúvidas geradas pelo aumento dos serviços através dos responsáveis como o engenheiro e o mestre de obra.

Se julgasse necessário ou se a dúvida fosse generalizada à construtora emitiria um comunicado para conhecimento de todos. Com as alterações do escopo oficializadas as construtoras demonstrariam através do novo cronograma as alterações no prazo da obra para o contratante. O novo cronograma seria acompanhado pelo anterior para orientar a todos os stalkeholders sobre os impactos causados no prazo devido à alteração do escopo da obra.     

Com o término da obra dentro do prazo e principalmente dentro do preço orçado as construtoras emitiriam o termo de recebimento da obra que seria oficializado pelo contratante.

A construtora elaboraria um relatório com todas as lições aprendidas e as registrariam em seus bancos de dados, para que seus projetos futuros sejam confiáveis, possam melhorar seus orçamentos e obter preços cada vez mais competitivos. 


4. CONCLUSÃO


Com o mercado super competitivo e com a melhora dos métodos construtivos, cada vez mais otimizado, estas pequenas empresas terão que se organizar e procurar melhorar seus métodos de trabalho para que possam permanecer dentro do mercado.

Como o mercado dinâmico fica muito difícil para estas empresas aplicarem seu tempo e dinheiro para criação de processos para desenvolvimento de seus projetos. Com o PMBOK e suas práticas já validadas em todo mercado mundial, basta a essas pequenas empresas o utilizarem dentro sua realidade.   


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1) Livro

• NEFF, THOMAS J. & CITRIN, JAMES M. Lições de Sucesso. 1999. 448f.. 1ª ed. Editora Negócio. São Paulo
 

2) Meio Eletrônico

• CAMARA, H M. S. A Filosofia de PMI em Construtoras de Pequeno e Médio Porte. Belo Horizonte, Dezembro 2007. Disponível em <http://www.ietec.com.br > Acesso em: julho 2007.

• ALVES, F. J. Desperdícios na Construção Civil. Belo Horizonte, Dezembro 2007.Disponível em <http://www.ietec.com.br > Acesso em: julho 2007.

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