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Logística

Logística reversa: Modismo ou ferramenta indispensável?

Emerson Geraldo Camilo Gonçalves

Administrador de Empresas, Gerente de Operações da GRSA – grupo de solução em alimentação e pós-graduado em Gestão da Logísitca pelo Ietec.

RESUMO
 
Vivemos num mundo onde as empresas que buscam uma constante inovação, certamente terão uma vantagem em relação ao concorrente, isso seja no processo de criação, fabricação, no marketing do produto/empresa, etc. O presente trabalho busca apresentar a importância da integração da Logística Reversa na política logística das empresas, mostrando seus principais conceitos e importância para as empresas, bem como os benefícios que pode trazer ao meio ambiente. Tal processo busca uma produção sustentável, onde as empresas busquem utilizar produtos/matérias menos agressivos ao meio ambiente e que possam ser reutilizados no ciclo produtivo, gerando menor custo na produção.
 
Introdução

Sabemos que a Logística é a área responsável por prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as atividades de uma empresa, dentre elas o transporte, movimentação de materiais, armazenamento, processamento dos pedidos e o gerenciamento das informações. Resumindo, é a arte de comprar, receber, armazenar, separar, expedir, transportar e entregar o produto/serviço certo, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível.
 
A Associação Brasileira de Logística define Logística como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenagem eficientes e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do cliente.
 
Inversamente, a Logística Reversa é a área da logística que trata dos aspectos relacionados ao retorno dos produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. O principal objetivo é atender os princípios de sustentabilidade ambiental, buscando uma produção limpa, onde quem produz se responsabiliza pelo destino final dos produtos gerados, reduzindo assim o impacto ambiental causado por eles.
 
Para Rogers & Tibben-Lembke (1999), a Logística Reversa se define como o  processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou descarte apropriado para coleta e tratamento de lixo.
 
Importância da Logística Reversa
 
Em tempos de aquecimento global e tudo que envolve a preservação ambiental, uma novidade vem ganhando espaço no mercado. Trata-se da Logística Reversa, que é a área da Logística que trata dos aspectos de retorno dos produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. Seu principal objetivo é atender os princípios de sustentabilidade ambiental, buscando uma produção limpa, onde quem produz se responsabiliza pelo destino final dos produtos gerados, reduzindo assim o impacto ambiental causado por eles.
 
Como bons exemplos, podemos mencionar a iniciativa de grandes empresas como a Natura, que desde 1983 adotou a modalidade de refil dos produtos, utilizando menos recursos naturais e produzindo menos lixo, além da utilização do álcool orgânico, livre de queimadas e agrotóxicos e adoção em 2007 do carbono neutro, como forma de neutralizar os efeitos de sua produção no meio ambiente.
 
Também temos O Boticário, que acaba de lançar o programa Bioconsciência, no qual os consumidores são convidados a devolver nas lojas as embalagens vazias, para que sejam repassadas a empresas recicladoras, que as devolvem em forma de outros produtos no mercado, reduzindo assim a quantidade de resíduos dispostos incorretamente, além de adotar a coleta seletiva.
 
Destacamos ainda no Brasil, a utilização cada vez maior do PET (Poli Tereftalato de Etileno) reciclado, que teve inicio em 1988 na área têxtil e ganhou aliados em 1993 com as embalagens das indústrias de refrigerante, sendo também utilizado na produção de resinas químicas, tubos, chapas laminadas, fitas de arquear, além de ser exportado (1).
 
Segundo a Associação Brasileira de Embalagem – ABRE o Brasil, mesmo comparado a países desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem. Podemos citar a reciclagem do vidro, que corresponde a 46% de suas embalagens, sendo que em 2003, 45% do total do vidro que circulou no mercado nacional foi reciclado. Em 2004, 33% do papel que circulou no país retornou à produção através da reciclagem.
 
A embalagem longa vida tem uma taxa de reciclagem mundial pós-consumo de 16%, sendo que o Brasil em 2003 teve um índice de 20%. O Brasil também recicla cerca de 70% de todo o aço produzido anualmente e em 2003, 47% das latas de aço consumidas no Brasil passou pelo processo. Em 2005, o país reciclou aproximadamente 9,4 bilhões de latas de alumínio (127,60 mil toneladas), correspondendo a 96% da produção nacional. Quanto aos plásticos rígidos e filmes, no Brasil são reciclados 16,5%, sendo aproximadamente 200 mil toneladas/ano, sendo o 4º pais na reciclagem mecânica de plásticos.
 
A Logística Reversa engloba as operações relacionadas à reutilização de produtos e materiais, sendo a coleta, desmonte e processamento dos produtos/materiais e peças usados, bem como ao fluxo de materiais que voltam à empresa, seja por devoluções de clientes, atendimento à legislação, entre outros. Por ser uma área que a princípio não envolve lucro (pelo contrário, apenas custos) a maiorias das empresas não dão a mesma atenção dispensada ao fluxo de saída normal de produtos. Mas atualmente vemos a adesão de grandes empresas ao processo, bem como certa revolução em nossa literatura relacionada ao tema.
 
Para Lambert et al. (1998, p.13-19), dentre as atividades que compõem a administração logística de uma empresa, duas especialmente, dizem respeito à Logística Reversa: O reaproveitamento e remoção de refugo e a administração de devoluções. O reaproveitamento e remoção de refugos trata do estudo e gerenciamento do modo como os subprodutos do processo produtivo serão descartados ou reincorporados ao processo, o que vem ampliando a responsabilidade dos fabricantes sobre seus produtos, graças às legislações ambientais mais rígidas. O fabricante se responsabiliza pelo refugo gerado em seu próprio processo produtivo, além do produto até o final de sua vida útil.
 
 
Logística Reversa: Custos, motivos e causas
 
 
De acordo com a Associação Brasileira de Movimentação e Logística, embora não tenhamos dados precisos sobre o que representam em valores os custos da Logística Reversa no Brasil, mas considerando-se o mercado americano e comparando ao Brasil, supõe-se que seja de aproximadamente 4% dos custos totais de Logística, que foi de US$ 153 bilhões em 1998 (2).
 
RevLog (3), aponta como principais razões da adesão das empresas à Logística Reversa: a) A Legislação Ambiental, que cobra maior responsabilidade dos fornecedores     sobre seus produtos e subprodutos; b) Redução de custos com o retorno dos produtos/matérias ao centro de produção, evitando maiores gastos com o descarte correto do lixo; e c) A crescente conscientização ambiental dos consumidores.
 
Já Rogers & Tibben-Lembke (1999) vão além e apontam outros motivos estratégicos, tais como: a) Razões competitivas – Diferenciação do serviço; b) Limpeza do canal de distribuição; c) Proteção da margem de lucro; e d) Recaptura de valor e recuperação de ativos.
 
A verdade é que, independente dos motivos, se uma empresa que se preocupa com o retorno de seus produtos/matérias ao centro produtivo e com a administração desse fluxo, está praticando a Logística Reversa. Praticamente os mesmos elementos de um plano logístico convencional são utilizados no planejamento de Logística Reversa: nível de serviço, armazenagem, transporte, nível de estoques, fluxo de materiais e sistema de informações, mas não é tarefa fácil integrá-las na área logística de uma empresa, uma vez que o processo do fluxo reverso apresenta suas incertezas com relação à quantidade e qualidade. Por isso, a maioria dos autores acredita que as equipes responsáveis pela logística tradicional e pela Logística Reversa devem ser independentes, já que as características dos fluxos com os quais elas lidam são bastante diferentes.
 
Determinados o volume e as características do fluxo reverso, deve-se estabelecer os locais de armazenagem, os níveis de estoque, o tipo de transporte a ser utilizado e em que fase se dará o retorno no fluxo normal do produto. O sistema logístico da empresa deve estar preparado para esse fluxo reverso, pois qualquer falha pode aranhar a imagem da companhia.
 
Krikke (1998, p. 154), apresenta as quatro diferenças entre os sistemas de logística com fluxo normal e a Logística Reversa:
 
1) Na Logística Reversa, a quantidade de lixo produzido, bem como a distinção entre o que é reciclável do que é lixo indesejado, não pode ser influenciada pelo produtor e deverá ser igualada à demanda de produtos, uma vez que a quantidade de descarte já é limitada em muitos países;
 
2) Os fluxos tradicionais de logística são basicamente divergentes, enquanto que os fluxos reversos podem ser fortemente convergentes e divergentes ao mesmo tempo;
 
3) Os fluxos de retorno seguem um diagrama de processamento pré-definido, no qual produtos descartados são transformados em produtos secundários, componentes e materiais. No fluxo normal esta transformação acontece em uma unidade de produção, que serve como fornecedora da rede; e
 
4) Na Logística Reversa, os processos de transformação tendem a ser incorporados na rede de distribuição, cobrindo todo o processo de produção, da oferta (descarte) à demanda (reutilização).
 
Para Lacerda (2002), são seis os fatores críticos que influenciam na eficiência do processo de logística reversa: a) bons controles de entrada; b) processos mapeados e formalizados; c) tempo de ciclo reduzidos; d) sistemas de informação; e) rede logística planejada; e f) relações colaborativas entre clientes e fornecedores. Quanto mais ajustados esses fatores, melhor o desempenho do sistema logístico.

 
Considerações Finais
 
 
À medida que se eleva o consumo no país, aumenta-se a produção e a necessidade de integração entre empresa – consumidor – meio ambiente. Tais exigências podem vir em forma de legislações ambientais mais severas, maiores exigências do consumidor pelo produto, visão futurista dos empresários, entre outros e a implantação da logística reversa na pós-venda pode atender objetivos puramente comerciais, como competitividade dos serviços, fidelizaçao de clientes, bem como os relacionados às legislações ambientais e a própria preocupação com a imagem corporativa.
 
Como na Logística Reversa, as empresas têm responsabilidade pelo retorno do produto à empresa, seja para reciclagem ou para descarte, deverão ter um sistema que permita administrar os custos dos produtos desde a fabricação até o fim de sua vida útil, o que possibilitaria destacar as receitas e despesas de cada produto em cada estágio, levando em consideração também a forma de descarte ou reaproveitamento dos produtos/matérias.
 
Certamente, é apenas um questão de tempo até as empresas aderirem à pratica da Logística Reversa, que vem se firmando cada vez mais como uma ferramenta indispensável no dia a dia. Quantos antes tiverem essa consciência e buscarem melhor forma de produzir, tanto em quantidade como em qualidade e se responsabilizarem pela própria produção sob todos os aspectos, maiores serão sua vantagens sobre as concorrentes, a começar pelos custos menores e a conseqüente melhora no serviço ao consumidor.
 
 
Bibliografia

 
CALDWELL, B. Reverse Logistics. Information Week, 12 abr. 1999, In: http://www.informationweek.com/729/logistics.htm. Acesso em 14 jan. 2008.
KRIKKE, H.Recovy strategie and reverse logistics network design. Holanda: BETA – Institute for Business Engineering and Technology Application, 1998.
LACERDA. L. Logistica Reversa – uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. In: http://www.coppead.urjf.br/pesquisa/cel/new/fr-rev.htm. Acesso em 13 jan. 2008.
REVLOG. Grupo de Estudos de Logística Reversa. S.d, In: http://www.fbk.eur.nl/OZ/REVLOG/Introduction.htm. Acesso em 10 jan. 2008.
TIBBEN-LEMBKE, R. S. Life after death – reverse logistics and the product life cycle, International Journal of Physical Distribuition & Logistics Management, v. 32, n. 3, 2002, pp 223-244.
LAMBERT, D. M. et al. Administração estratégica da logística. São Paulo: Vantine Consultoria, 1998.
NATURA COSMÉTICOS. In http://www.natura.com.br/institucional.htm. Acesso em 12 jan. 2008.
O BOTICÁRIO. In http://www.natura.com.br/institucional.htm. Acesso em 12 jan. 2008.
ABRE - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGEM. In http://www.abre.org.br/meio_reci_brasil.php. Acesso em 16 jan. 2008.
 
_________
(1) Citado por Cempre/Tetra Park Américas/EPA/Nolam – ITU Pty (2002), in http://www.abre.org.br/meio_reci_brasil.php visitado em 16 jan. 2008.
 
(2) Citado por Guia de Logística, In:http//www.guialog.com.br/estatística-og.htm. Acessado em 16 abr. 2002
 
(3) Grupo de trabalho internacional para o estudo da Logística Reversa, envolvendo pesquisadores de várias Universidades em todo o mundo sob coordenação da Erasmus University Rotterdam, na Holanda.
LOGISTICA. In http://pt.wikipedia.org/wiki/Log%C3%ADstica_reversa. Acesso em 10 jan. 2008.

 

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