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:: Gestão de Negócios

Estudo de caso - Grupo Serra - A importância da informação como recurso gerencial de agregação de valor

Marcelo Batista Serra

Formado em Ciência da Computação, executivo do Grupo Serra pós-graduado em Gestão de Custos pelo Ietec

RESUMO:

O presente artigo se propõe a analisar as ações do Grupo Serra, constituído de empresas voltadas para o mercado de Turismo e Esporte Ecológico. Vislumbra-se abordar a questão da competitividade através da interligação destas empresas que atuam em setores distintos, observando suas características comerciais, o leque de produtos com os quais trabalham, suas situações financeiras e o plano de marketing utilizado por cada uma delas.

Os resultados da análise são apresentados através de um quadro comparativo da estrutura de cada empresa, usando sempre dos mesmos conceitos econômicos, e contemplando o mapeamento de suas principais metas e de uma análise financeira, sendo a presença no mercado observada em seguida.


Introdução


Com a globalização, o sucesso das empresas está cada vez mais dependente da sua capacidade de competir. Para que possa competir e vencer, é preciso conhecer seu campo de “jogo”, seu ambiente de atuação, seus adversários ou aliados e as melhores práticas de gestão, para que não haja surpresas.
 
Com este trabalho pretendemos apresentar a implantação do Sistema de Custos nas empresas do Grupo Serra: Minas Trekking, Serra Adventure e Mergulho Aventura. Esta implementação visa a agilidade das informações e a demonstração de resultados, no âmbito econômico, financeiro e contábil.
 
A estratégia deste grupo é atender a necessidade do seu cliente e ao mesmo tempo, integrar as atividades destas três empresas como uma única cadeia de valores. Proporciona-se, assim, uma competitividade diferenciada no mercado, com aumento do valor agregado.
 
O Administrador, assim como em outras profissões que exercem a gerência nesses novos tempos, deve estar preparado para tomar decisões. Não só de cunho mercadológico, mas decisões econômicas e humanas. É necessário entender os custos para se obter uma economia real nos processos. Excelência comercial somente se torna viável se for acompanhada de eficiência financeira.
          
Neste sentido, trataremos da questão da utilização da informação como recurso gerencial fundamental às empresas que se desenvolvem na atual sociedade de conhecimento. Visto que, a partir dos anos 80 um novo modelo organizacional foi delineado, onde houve diversos deslocamentos de paradigmas, tais como da sociedade industrial à sociedade de informação, da economia nacional à mundial, da centralização à descentralização.
 
Partindo do conceito de sociedade de conhecimento, onde a informação é a geradora de ação, segundo Borges, 1995, “o real valor dos produtos está no conhecimento neles embutido, em que a economia adota uma estrutura mais diversa, alterando-se contínua e rapidamente”(1). Agregar valor ao produto permite atender as necessidades do consumidor, tornando viável a individualização e diversificação deste produto.
          
A inovação constante faz com que a analise periódica que determinará a sobrevivência da organização seja uma ação difícil e sistemática. Segundo Drucker, 1989, devemos “aprender a inovar porque não podemos esperar que a competência, as habilidades, os conhecimentos, os produtos e serviços, as estruturas do presente serão adequadas por muito tempo” (2).


O cenário atual do grupo Serra
 

Para traduzirmos os diversos dados em informações e transformá-los em inteligência, primeiramente é necessário pintar um quadro do cenário atual das empresas do Grupo Serra. Neste sentido, iniciaremos a análise desse cenário a partir de 1993, fase de profundas transformações político-econômicas nacional.
 
Neste período presenciamos a efetiva abertura do mercado interno aos fornecedores externos, iniciada em 1990, bem como a eliminação de entraves burocráticos às importações e redução das tarifas aduaneiras dentre outras mudanças. Tais mudanças provocaram o fechamento de muitas empresas e as que sobreviveram foram obrigadas a se modernizar e a reduzir custos, a fim de competirem com os produtos importados.
 
O comércio, como diversos outros setores, passou a sobreviver diante de um mercado globalizado, mas sem as devidas ferramentas para ser um “player” competitivo, melhor dizendo, sem a inteligência competitiva necessária.
 
Em seguida, e acertando o momento de fazê-lo, o segmento tornou-se mais competitivo. As empresas que sobreviveram foram obrigadas a renovar quadros, implantar novas estratégias de gerenciamento e investir em ferramentas. Quem perdeu o bonde da mudança, hoje já não tem fôlego suficiente para se manter no mercado e, ainda, de prover mudanças substancias.
 
O mercado voltado para a área de Ecoturismo ainda é muito recente e pouco explorado. Aproveitando este cenário, o Grupo Serra resolveu investir neste segmento, conciliando as atividades de suas três empresas.
Além do foco voltado para a prática de Esportes, as atividades de Enduro a Pé e Mergulho incentivam o Turismo, gerando retorno para aqueles que investirem no atendimento deste público.
 
O mercado de Ecoturismo é novo, dinâmico, mas requer inovação para atender um público exigente. Existe uma oportunidade de crescimento, mas é necessário a correta correlação sistemática das informações em uma cadeira bem estruturada, a fim de prover ao término do processo análises rápidas bem como “feedbacks” construtivos.
 
A necessidade de decisões rápidas e consistentes tornou-se cada vez mais difícil, devido a flutuações do mercado brasileiro. Todas essas novas variáveis imputaram uma necessidade de lidar com um volume ainda maior de dados importantes e a tratá-los rapidamente para inferir em decisões da área comercial e logística, atingindo direta ou indiretamente toda a empresa.
 
Um conjunto de decisões ou mesmo uma única decisão pode provocar alterações drásticas na cadeia de vendas. Decisões estas, que ainda são pressionadas por crises energéticas, recessão econômica, desvalorização cambial e pelo próprio advento da Internet, que transformou informações em um produto banal.
 
A partir deste momento, apresentaremos uma demonstração simples do que seria uma administração de dados em informações e a correlação estratégica na visão de um panorama futuro, sinalizados no mercado presente. Podemos nos mover com antecedência e propiciar mudanças que levam tempo no processo produtivo da empresa e evitar depressões de vendas e participações de mercado.
 
Apresentaremos algumas formas de análise de mix de produtos e serviços, sempre sobre a ótica comparativa, sendo que ao final mostraremos sinalizações de mercado e possíveis direcionamentos competitivos. Fazemos salientar que este não é um relatório setorial, é a aplicação de uma técnica de gerência de custos, que após estudos, podemos dizer que pode ser aplicada para qualquer produto ou setor. Para tanto, é necessário um mínimo de conhecimento técnico.
 
Todos esses diversos dados são tratados e transformados em informações assimiláveis para que nossos executivos possam tomar decisões. Não podemos enviar informações de dados duvidosos ou, mesmo, enviá-las sem mostrar o grau de confiabilidade das mesmas. É importante a correlação de todos esse insumos em uma estrutura ágil, renovável e confiável, administrada sob os olhos de técnicos conscientes e devidamente treinados para tanto.
 
Portanto, nossos desafios são:

- Conectar eficientemente “aqueles que sabem” com aqueles que “necessitam saber”.
- Converter conhecimento pessoal em conhecimento da organização.
 

Composição do grupo Serra
 

O Grupo Serra é composto por três empresas, com as seguintes participações no mercado:
 
1.      Serra Adventure à empresa no ramo têxtil, especializada na moda surf e adventure. Especializada na venda de acessórios para esportes radicais e eco-aventura. As lojas estão localizadas nos grandes Shopping Centers da área metropolitana.

2.      Mergulho Aventura à escola de mergulho, com programação de viagens para atender o publico que pratica este esporte. A escola proporciona também um espaço para integração e confraternização de grupos.

3.      Minas Trekking à organizadora do esporte “enduro a pé” que viabiliza a prática de um esporte ecológico. Proporciona viagens para diferentes cidades onde são realizadas as provas mensais, incentivando o turismo regional.
 
A estratégia do grupo é assimilar estes três segmentos num só processo. As pessoas que buscam um lazer diferente, voltado para a natureza, têm no Minas Trekking, a chance de estar em contato com a natureza e praticar um esporte saudável.
 
A Mergulho Aventura proporciona a prática de mergulho e a oportunidade de viagens para lugares deslumbrantes, para atender os alunos que necessitam do contato com águas profundas, para aplicar os conhecimentos adquiridos no curso. A escola atende também o público que já tem experiência na técnica de mergulho, mas que busca a oportunidade da viagem para alugar o equipamento e praticar este esporte.
 
A Serra Adventure é a empresa que viabiliza o suporte aos clientes, que necessitam de roupas e acessórios fundamentais para a prática segura de esportes de aventura ou esportes ecológicos, como o Trekking e o Mergulho. Esta empresa tem um papel fundamental de apoio e marketing nas demais empresas.
 
E para uma confraternização do público envolvido nas atividades citadas acima, há um espaço dedicado para tal finalidade na Mergulho Aventura, que proporciona a integração dos grupos envolvidos.
 
O objetivo da consolidação destas três áreas é ter a fidelidade do cliente. As empresas possuem uma cadeia de valores voltada para a estratégia de vendas de serviços/produtos. Mantendo o cliente dentro deste elo, o retorno financeiro será maior para o Grupo.
 

A coleta de dados
 

Quando começamos a estudar as técnicas de gestão de custos, vislumbramos que em um primeiro momento é importante determinarmos qual o mercado em que estamos inseridos competitivamente e qual é, na realidade, o grau de competitividade entre os produtos e as empresas inseridas neste contexto.
 
Tal mapa não poderia ter somente a visão do cliente para atender a demanda da área de vendas. É necessário atender, também, às seguintes perguntas: “Como os serviços de uma das empresas são associados às demais empresas? Qual é o produto de uma das empresas que é utilizado nas outras?” Ou, ainda, questionamentos da equipe de marketing indagando se “O índice de qualidade de uma é compatível com o da outra? Ou da equipe de custos: Verificando a lucratividade.
 
Deveríamos construir um mapa que atendesse a todas as empresas do grupo genericamente e provesse informações suficientes para que todas as equipes destas empresas, munidas de suas ferramentas específicas, pudessem prospectar o que lhes fossem necessário.
 
Iniciamos a coleta de todos os dados que correlacionavam com o assunto. Coletamos pesquisas de satisfação, principais ansiedades dos representantes comerciais, informes produtivos e principalmente as opiniões dos clientes. Visto sua importância, estudamos a correta relação de algumas características mais específicas que influenciam diretamente na ligação entre as empresas. Construímos uma analogia dos dados envolvendo todas as equipes, tratamos os dados de forma que só armazenamos os confiáveis ou de utilização direta e produzimos uma informação palpável.
 
Este trabalho possui um campo de atuação e, para sua aplicação eficiente e efetiva, é necessário o desenvolvimento de um sistema de obtenção de informações corretas, que contemple o planejamento, a coleta da informação, a análise, a validação e o seu uso em processos decisórios da organização. Assim, o potencial de aplicação dos resultados deste estudo é bastante específico, podendo servir aos parceiros e clientes do Grupo Serra e, ainda, para a aplicação onde seja necessária a tomada de decisões estratégicas.
 

Resultados 
 

Analisando as informações coletadas podemos concluir vários aspectos do mercado, além da análise da necessidade do cliente. Há uma atenção voltada para o controle da contabilidade de custos para garantir que a estratégia do Grupo seja alcançada: redução dos custos e agregação de valor ao produto e serviço oferecido.
 
O Gerenciamento de Recursos é um dos pontos fortes desta organização. Existe um cuidado especial com os gastos e a tentativa de evitar o desperdício, que possa impactar nos processos da empresa. Passamos o quadro comparativo das empresas onde temos a oportunidade de confirmar as análises construídas por base nos dados levantados:
 
FIGURA1

De posse das informações do quadro acima, o Grupo Serra possui uma visibilidade dos pontos fracos a serem corrigidos e dos pontos fortes a serem realçados. Acreditamos que tais resultados são consequência de um bom mix de produtos/ serviços e de investimentos nestes setores. Podemos verificar também uma diminuição dos estoques, um acréscimo no valor unitário médio de venda do mix de produtos comercializados e um aumento dos serviços prestados.
 

Conclusão
 

Vimos que todas essas informações tratadas, podem sinalizar novos rumos de investimentos para o setor. É importante tratarmos os dados em informações palpáveis por todos e transformá-las em insumos produtivos na formulação de estratégias dos executivos de nossa empresa.
 
Para todas as vendas, procuramos correlacionar a devida ligação entre a necessidade do produto comprado, o serviço prestado e a melhor correlação produtiva para os mesmos.
 
O trabalho de vendas especializadas, vem da análise de oportunidades que em suma são provenientes do correto raciocínio comercial do segmento. Sabemos analisar nossos possíveis concorrentes se soubermos quais suas limitações técnicas e comerciais, abrimos novas oportunidades se mostramos com eficiência do que somos capazes de fazer.
 
Todo o processo, no momento da venda, passa a ter extrema importância para nos mantermos no mercado. Usamos o nosso histórico e o do concorrente, para tomadas de decisão, havendo nova oportunidade comercial e ou troca de mix ou formação de parcerias. Praticamos essa sistemática sempre como fosse pela primeira vez, pois as últimas decisões acertadas, ou não, passam a fazer parte do leque de informações anteriores e insumos para a próxima decisão.
 
De uma maneira simples gostaríamos de mostrar nesse trabalho que a vida do Administrador passa a ter um valor substancial em sua capacidade de organizar dados, validá-los em informações e ser capaz de direcionar os caminhos da empresa.

Tornou-se necessário a utilização de tantos conceitos em um mundo que a tecnologia tornou-se “comodities” e o conhecimento, ferramenta do ontem que tem valor somente se atualizado constantemente diante a tantas transformações. Devidamente organizadas para a congregação de inteligentes decisões, que agora envolvem a necessidade de saber o momento certo.
 
Nem sempre o melhor produto é o seu melhor lançamento. É necessária a melhor crítica para o momento, o melhor conjunto de informações seguras para a melhor decisão comercial ou a melhor saída técnica para contornar os melhores custos. Essa é a nossa proposta para uma nova fronteira de atuação dos Administradores, o uso do conhecimento da gestão de custos agregado com informações diversas, voltadas a estratégia de  crescimento de nossas empresas.
 
 
Referências  bibliográficas
 

COELHO, G. M., Fernandes, L.R., Lellis V.L. & Silva. C.H. Inteligência competitiva e tecnológica. Decidir, junho 1997.
 
STOLLENWERK, Maria de Fátima. Sistema de Inteligência Competitiva. Apostila, Instituto Nacional de Tecnologia, INT. Rio de janeiro, 1997.
 
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MIRANDA, Roberto Campos da Rocha. O uso da informação na formulação de ações estratégicas pelas empresas.Ci. Inf., Sept./Dec. 1999, vol.28, no.3, p.286-292. ISSN 0100-1965.
 
Borges, Mônica Erichsen Nassif. A informação como recurso gerencial das organizações na sociedade do conhecimento. Ciência da Informação, vol.4, numero 2, 1995.
 
Drucker, Peter. A organização fundamentada na informação. In, As novas realidades, 2a.ed. são Paulo, Pioneira, 1989, p.177-188.
 
VALENTIM, Marta Lígia Pomim (2003) O processo de inteligência competitiva em organizações. In DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, 4(3), IASI - Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da Informação.
 
JANNUZZI, Celeste Aída Sirotheau Corrêa and MONTALLI, Katia Maria Lemos. Informação tecnológica e para negócios no Brasil: introdução a uma discussão conceitual.Ci. Inf., Jan. 1999, vol.28, no.1, p.28-36. ISSN 0100-1965.
 
http://www.scielo.br/pdf/ci/v28n1/28n1a04.pdf Acessado dia 18/08/07, as 23:30h
 
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http://isdm.univ-tln.fr/PDF/isdm4/isdm4.pdf Acessado dia 18/08/07, as 23:50h
 
http://scholar.google.com/ Acessado dia 18/08/07, as 23:00h

__________
(1) Borges, Mônica Erichsen Nassif. A informação como recurso gerencial das organizações na sociedade do conhecimento. Ciência da Informação, vol.4, numero 2, 1995.
(2) Drucker, Peter. A organização fundamentada na informação. In, As novas realidades, 2a.ed. são Paulo, Pioneira, 1989, p.177-188.

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