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:: Mineração

Critérios utilizados por uma empresa mineradora ao optar por manter frota própria de veículos leves nas minas

Eliene Maria Vieira

Pós-graduada em Gestão de Custos pelo Ietec

RESUMO

Este trabalho se propôs identificar os critérios utilizados por empresas industriais de grande porte para decisão de se manter frota de veículos próprios e apresentar as ferramentas que podem ser utilizadas em uma análise de investimentos. Os resultados foram alcançados através das técnicas de análise de investimentos de capital que neste caso foi utilizado a VPL e a realização de pesquisas bibliográfica sobre administração financeira, com o objetivo de definir os conceitos e a importância das técnicas de análise de investimentos.

Como resultados da pesquisa foram identificados os custos das duas alternativas existentes, manutenção de frota própria e locação de veículos, tendo, a partir daí, sido foi possível saber a diferença da viabilidade financeira de cada uma delas, e também conhecer saber qual alternativa é mais viável e qual foi o critério utilizado pela CVRD para decidir-se pela opção escolhida.

 
1 INTRODUÇÃO

Tomar decisões pode ser entendido com um sinônimo para administrar (RASKIN, 2006). Ao se avaliar duas ou mais alternativas é importante usar o bom senso, racionalidade e consciência para que se escolha a opção que apresente o resultado desejado ou mais próximo dele.

Este trabalho aborda os critérios que uma empresa pode se valer para decidir-se entre manter uma frota de veículos leves próprios ou optar pela terceirização do serviço, através da locação destes veículos. O estudo destes critérios possibilitou aprofundar esse conhecimento dessa tomada de decisão gerando informações que poderão auxiliar na administração de outras empresas.

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) é hoje a segunda maior mineradora do mundo e, diante das adversidades do mercado, com o intuito de tornar-se mais competitivo, a empresa busca estruturas e medidas necessárias para constituir base sólida de crescimento sustentável. Para isso, a CVRD traça metas arrojadas para seus três níveis: o estratégico, o tático e operacional, de forma que todos os funcionários têm que cumpri-las ou, até mesmo, superá-las. O objetivo da empresa é conquistar novos mercados, tornando-se a primeira mineradora do mundo. 

Através deste trabalho, pretende-se mostrar qual o critério utilizado pela CVRD para manter veículos leves próprios, ao invés de locá-los para atender sua demanda e identificar as ferramentas que podem ser utilizadas para a análise de investimento e comparação de alternativas utilizada pela empresa pesquisada.                  


1.1  Objetivo Geral


Identificar os critérios utilizados por uma empresa mineradora de grande porte ao optar por manter frota própria de veículos leves nas minas.


1.2  Objetivo Específico


• Identificar as possibilidades de frotas de veículos leves e os fatores que são considerados na decisão de manter frotas próprias.

• Identificar as ferramentas que podem ser usadas para análise de investimentos.

• Apresentar a metodologia de análise de investimento e comparação de alternativas utilizada pela empresa pesquisada.


1.3 Justificativa


As decisões de investimentos são necessárias para o crescimento de uma organização e precisam ser fundamentadas em alguma ferramenta de análise de investimentos que demonstre sua viabilidade e auxilie na visualização de que haverá ou não o retorno esperado.

A qualidade da decisão depende em grande parte do processo de analise anterior e da aplicação das ferramentas disponíveis; embora não existam garantias de bom resultado, do ponto de vista lógico, as chances de conseguir alcançar os objetivos almejados são maiores quando se toma como base algum parâmetro de avaliação.

Geralmente, os parâmetros utilizados na avaliação de projetos de investimento são o Payback, o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR). Uma análise adequada de projetos de investimentos assume importância fundamental no processo decisório, convertendo-se num instrumento de apoio à tomada de decisões e à reformulação das estratégias empresariais.

Outro ponto igualmente importante é a maximização da efetividade dos equipamentos, ou seja, sua disponibilidade, utilização e produtividade. Com essa maximização obtém-se o maior aproveitamento da capacidade instalada, garantindo o cumprimento das metas estabelecidas.

Este projeto pretende mostrar os critérios utilizados pelas mineradoras de grande porte para se manter frota de veículos próprios para atendimento às minas. Para tanto, pretende-se mostrar as ferramentas que podem ser utilizadas em análise de investimentos, bem como as vantagens e desvantagens de cada uma delas.


2 REFERENCIAL TEORICO


2.1 Custo


Um dos fatores-chave de sucesso nas empresas é a gestão dos custos que identifica e analisa como estão sendo alocados os custos aos produtos. Essa gestão do processo de custeio se torna importante na identificação e controle desses custos como forma de crescimento da produtividade, melhoria na tomada de decisões sobre preços e investimentos, e ainda na melhoria contínua do processo produtivo.

De acordo com Dutra (1995, p. 27), “o custo está inserido na vida de todo indivíduo, desde o seu nascimento até sua morte, pois todos os bens necessários ao seu consumo ou sua utilização têm custo.”.


2.2  Fluxo de Caixa


O propósito primário do fluxo de caixa é prover informação sobre os recebimentos e pagamentos de caixa de uma entidade, durante um período. Um objetivo secundário é prover informação aproximada das atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento da entidade durante o período. (GITMAN, 2002)

O fluxo de caixa, segundo Dalbello (1999, p. 60), é

“um dos principais instrumentos de análise, propiciando identificar o processo de circulação de dinheiro através da variação das disponibilidades mais as aplicações financeiras, bem como do exame sobre a origem e aplicação do dinheiro que aparentemente transitou pela empresa”.

A demonstração de fluxo de caixa revela qual a capacidade de expansão da empresa utilizando-se de recursos próprios (gerados pelas operações), ou seja, qual o papel cumprido pelo autofinanciamento. Revela se a empresa tem capacidade de distribuição de lucros e/ou se a política de distribuição não compromete sua saúde financeira. (GITMAN, 2002)


2.3 Métodos para comparar Alternativas de Investimentos


De acordo com Gitman (1997, p.329) “as técnicas sofisticadas de investimento de capital consideram o fator tempo no valor do dinheiro.” De uma forma ou de outra, elas descontam os fluxos de caixa da empresa a uma taxa especificada. Por conseguinte, a taxa usada é conhecida por taxa de desconto, custo de oportunidade ou custo de capital da empresa e refere-se ao retorno mínimo que deve ser obtido por um projeto, de forma a manter inalterado o valor de mercado da empresa.

Segundo Gitman (2002, p. 297) em qualquer evento “o investimento inicial é a saída de caixa relevante ocorrida no instante zero do investimento proposto de longo prazo, que deve ser considerada ao se avaliar um possível dispêndio de capital”.


2.4 Valor Presente Líquido – VPL


O Valor Presente Líquido (VPL), é uma técnica que pode ser calculadas para todos os tipos de fluxo de caixa, não reservando empecilhos de ordem matemática. Pode ser entendido como método que
consiste em calcular o Valor Presente do fluxo de fundos do investimento, a certa taxa de juros. Os investimentos de maior valor presente são preferidos. O problema crucial é a escolha da taxa de juros, devendo ser usada à taxa mínima de referência da economia alternativa (NETTO, 1978, p.57).

VPL = Valor presente das entradas de caixa – Investimento inicial

FIGURA1

Onde:
K = custo de capital da empresa
FC = valor presente das entradas de caixa
II = investimento inicial

As principais vantagens do VPL são informar se o projeto de investimento aumentará o valor da empresa e considerar o valor do dinheiro no tempo; as desvantagens se resumem na necessidade de se conhecer o valor de K e ter resposta em valor monetário.


2.5 Taxa Interna de Retorno – TIR


Por definição a TIR é a taxa que anula o VPL de um investimento. Segundo Gitman (1997, p.330). “A taxa interna de retorno é definida como a taxa de desconto que iguala o valor presente das entradas de caixa ao investimento inicial referente a um projeto.”

Lima Netto (1978) diz que o valor presente de um investimento depende da taxa de juros considerada. Em quase todos os investimentos considerados na prática existe uma taxa de juros, em alguns casos mais que uma, o valor presente do investimento é zero. O processo mais simples para se calcular a taxa de retorno de um projeto é por tentativas.


2.6     Payback


O período de payback é o período de tempo exato necessário para a empresa recuperar seu investimento inicial em um projeto, a partir das entradas de caixa. No caso de uma anuidade, o período de payback pode ser encontrado dividindo-se o investimento inicial pelo valor da entrada de caixa anual. Para uma série mista, as entradas de caixas anuais devem ser acumuladas até que o investimento inicial seja recuperado. (GITMAN, 1997,p.327),

Para Gitman (1997), trata-se de um método precário de análise, mas largamente empregado nos meios empresariais. Consiste na determinação do número de períodos necessários para que o investimento inicial seja recuperado.


3  MÉTODO DA PESQUISA


Este trabalho adotou a abordagem da pesquisa qualitativa, que segundo Vergara (2004) destaca características não observadas por meio de um estudo quantitativo, descreve a complexidade de determinada situações e analisa a interação de certas variáveis.

Para a classificação da pesquisa, tomou-se como base o critério apresentado por Vergara (2004, p. 47) que a qualifica em relação a dois aspectos: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa foi descritiva; quanto aos meios, a pesquisa foi classificada como um estudo de caso e de campo.


4  RESULTADOS E DISCUSSÃO


Neste trabalho demonstram-se quais os critérios são utilizados pela CVRD para decidir manter uma frota própria de veículos leves. O estudo foi realizado na Gerência de manutenção de veículos convencionais, confirmando como a aplicação das ferramentas de análise econômico-financeira e a oportunidade de seu uso são condizentes com a estrutura interna dessas organizações e determinante para a estratégia dos negócios.

A empresa elabora planejamento operacional e orçamentário fixando e avaliando procedimentos operacionais além de metas e políticas que direcionam os recursos orçados, sendo o planejamento orçamentário elaborado para um período anual. Ocorre direcionamento dos recursos em busca do alcance das metas e políticas orçadas e avaliação dos procedimentos operacionais que influenciam na qualidade dos produtos e serviços internos e externos.

Foi verificado os aspectos, externos e internos, considerados pela empresa para a tomada de decisão quanto à manutenção de frota própria de veículos leves e como eles influenciam na realidade da organização. Como aspectos mais relevantes nesta decisão foram citados a localização das minas e a infra-estrutura da região; a legislação vigente e o mercado (aspectos externos), o período orçamentário, volume de aquisições, infra-estrutura local e vida útil do bem (aspectos internos).

Conforme estabelecido por Gitman (2004), a decisão precisa ser embasada em fatores quantitativos e qualitativos, incluindo o montante e a variabilidade potencial de seus fluxos de caixa, a duração do projeto, o seu tamanho e sua abrangência.

Percebe-se que a empresa, para decisões de investimentos desta natureza, tende ao perfil de aversão ao risco, pois, geralmente prefere os investimentos que apresentam menor risco ou aqueles que vêem o risco com uma possibilidade de um retorno maior, versão esta amparada por Gitman (2002).

Quanto ao critério teórico utilizado pela CVRD na decisão em relação à manutenção de frotas de veículos leves, constatou-se que a decisão está baseada na análise de risco e viabilidade do projeto, buscando avaliar os riscos existentes e seus impactos, além dos custos e receitas proporcionados pela execução do projeto, através das técnicas de VPL e fluxo de caixa para a confirmação de viabilidade do projeto.

Como critério financeiro a empresa avalia o período orçamentário, disponibilidade de recursos e fluxo de caixa.

Através dos documentos internos CVRD foi possível identificar os custos para comparação entre as propostas apresentadas (manutenção de frotas próprias ou locação de veículos). Para esta avaliação, foram coletados também dados junto a uma locadora de veículos, que permitiram estabelecer os valores e a realização do cálculo do VPL.

A aplicação da TIR não é utilizada, em decorrência de ser uma técnica utilizada para obter valores de taxa de retorno e não valores monetários, que é o foco maior da gerencia. O Payback também foi descartado porque não é o foco saber o período necessário para que o investimento inicial fosse recuperado.

Calculando VPL para substituição a cada sete anos, para cada dois anos e anualmente respectivamente para as Pickups Land Rover e L 200. Considerando o valor de mercado para revenda dos veículos.

Abaixo estão descritos os valores para cálculo do VPL para L200, substituição a cada sete anos onde são dispostos os valores do custo de aquisição do veículo R$76.000,00, seus valores residuais pela venda do bem no valor de mercado no momento de uma nova aquisição que é R$39.000,00. O custo de manutenção ano que é de R$9.525,24 e o custo de locação que é R$144.000,00 anuais e o custo do capital é 12%. Após análise conclui-se que o VPL para veículo próprio é 7,74 vezes maior que a do veículo alugado sendo inviável a locação pela análise.

Para cálculo do VPL para L200 para substituição a cada dois anos só muda o valor residual que é R$56.000,00. Após análise conclui-se que o VPL para veículo próprio é 4,63 vezes maior que a do veículo alugado sendo inviável a locação pela análise do VPL.

Para cálculo do VPL para L200 para substituição anual só muda o valor residual que é R$58.000,00. Após análise conclui-se que o VPL para veículo próprio é 3,66 vezes maior que a do veículo alugado sendo inviável a locação pela análise do VPL.

Abaixo estão descritos os valores para cálculo do VPL para Land Rover substituição a cada sete anos onde estão dispostos os valores do custo de aquisição do veículo R$119.000,00, seus valores residuais pela venda do bem no valor de mercado no momento de uma nova aquisição que é R$50.000,00. O custo de manutenção ano que é de R$28.852,68 e o custo de locação que é R$180.000,00 anuais e o custo do capital é 12% (tabela 06). Após análise conclui-se que o VPL para veículo próprio é 4,06 vezes maior que a do veículo alugado sendo inviável a locação pela análise.

Para cálculo do VPL para Land Rover para substituição a cada dois anos só vai mudar o valor residual que é R$76.500,00. Após análise conclui-se que o VPL para veículo próprio é 2,64 vezes maior que a do veículo alugado sendo inviável a locação pela análise do VPL.

Percebe-se que a organização procura basear-se na tomada de decisão programada, onde, segundo Raskin (2006), as decisões são repetitivas e rotineiras e fornecem estabilidade, aumento de eficiência e redução de custos. Acredita-se que essa atitude promove certa dose de segurança para a empresa.

Pode-se dizer também que a empresa utiliza a técnica de análise de sensibilidade, mesmo que informalmente, pois para a tomada de decisão de investimento, além dos fatores como custos, localização, fluxo de caixa, VPL, dentre outros, a gerência procura ainda analisar questões com risco/retorno e impactos prováveis. Essa atitude pode ser enquadrada na definição estabelecida por Raskin (2006) que coloca a análise de sensibilidade como forma de entender a natureza e o grau de riscos associados a esses fatores ligados aos projetos e o impacto das variáveis chaves, além de contribuir para monitorar os fatores críticos de sucesso do projeto.

A análise de sensibilidade, neste caso, pode melhorar o processo de tomada de decisão ao focar a atenção nas variáveis de alto impacto e principalmente naquelas variáveis que
são possíveis de gerenciar.

É importante ressaltar que quanto mais complexo for o processo tanto mais difícil será a decisão a ser tomada, em função das várias possibilidades. Uma escolha acertada é fruto de uma decisão racional, na qual se procura atingir a máxima produtividade.


5  CONCLUSÕES


As organizações dispõem de diversas técnicas para auxiliar na tomada de decisão quanto a investimentos em diferentes projetos; estas técnicas são aplicadas conforme o tipo de estrutura administrativa funcional e metas de desempenho que as empresas dispõem.

O trabalho ora realizado sinalizou que para cada decisão a ser tomada, as organizações devem focalizar fatores chave para a obtenção de melhores resultados. Entre estes fatores estão qualidade e processo produtivo, os fluxos de caixa, a necessidade do investimento, a viabilidade do projeto, os custos e riscos envolvidos, dentre outros.

O estudo apresentado confirma que as técnicas de análise de viabilidade econômico-financeira e a oportunidade do seu uso são condizentes com a estrutura interna da empresa analisada e determinante para a estratégia dos negócios.

No caso da CVRD, a aplicação da técnica de VPL, bem com os demais critérios acoplados a tal técnica para auxiliar na tomada de decisão, gerou otimização da relação custo x beneficio minimizando a ocorrência de custos indesejáveis e aportes financeiros extras, contribuindo significativamente para a qualidade do processo produtivo.

Com os resultados apresentados nos cálculos do VPL apresentou a diferença da viabilidade financeira entre manter a frota própria ou optar pela locação de veículos, o que tornou possível saber qual das duas alternativas apresentava maior vantagem, tendo o resultado sinalizado para a viabilidade de se manter frota própria de veículos para atendimento as minas do complexo de Itabira para as frotas de L200 e Land Rover.

O estudo demonstrado pode ser complementado por outros fatores chave de sucesso compreendidos nas tomadas de decisões de investimento, obtendo-se relações importantes entre os custos, preços, inovações, qualidade e tempo, dentre outras variáveis a serem consideradas.


REFERÊNCIAS


CVRD. Histórico da CVRD. Disponível em http\\:www.cvrd.com.br. Acesso em: 10 maio 2006.

DALBELO. Liliane. A relevância do uso do fluxo de caixa como ferramenta de gestão financeira para avaliação da liquidez e capacidade de financiamento de empresas. 181 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1999.

DUTRA.R.Gomes. Custos uma abordagem prática. 8 ed. São Paulo: Atlas,1995.191 p.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. Tra. De Jean Jacques Salim e João Carlos Dovat. 8. ed. São Paulo: Harbra, 1997.

LIMA NETTO, R. P. Curso Básico de Finanças. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1978. 204 p.

RASKIN, Sara F. Tomada de decisão e aprendizagem organizacional. Disponível em http://www.pr.gov.br/batebyte/edicoes/2003/bb135/tomada.shtml. Acesso em: 10 nov. 2006

TURBAN, E. & MERIDITH, J. R. Fundamentals of management science. Boston: 1994.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 96 p.
 

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